4 de junho de 2026

Bolsa se recupera e sobe 0,28%, no aguardo pelo Fed

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Jornal GGN – A bolsa brasileira acompanhou o mercado externo e fechou em alta, embora as incertezas relacionadas ao cenário político tenham limitado os ganhos. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou o dia em queda de 0,28%, aos 44.872 pontos e com um volume negociado de R$ 4,770 bilhões.

Os mercados tiveram um dia de alívio hoje, na véspera do aguardado anúncio da decisão de taxa de juros pelo Federal Reserve (o Banco Central Americano) que acontecerá amanhã. “A probabilidade estimada pelo mercado de uma alta amanhã chegou hoje a 78%, de 76% ontem, e ainda assim os preços dos ativos negociados no mercado global parecem confirmar que o fim das incertezas relacionadas ao evento será benéfico para os mercados”, dizem os analistas do BB Investimentos, em relatório.

Os rendimentos dos títulos de 10 anos (T-Bonds) do governo americano operam em alta de 4,25% (aumento do rendimento implica queda no preço) e reflete a menor procura por ativos considerados mais seguros. Na Europa, as bolsas auferiram alta de mais de 3%, e os títulos soberanos também tiveram forte valorização. No mercado de commodities, o petróleo teve uma sessão de recuperação depois de quatro dias de forte queda. O contrato futuro do petróleo bruto para janeiro na Nymex fechou em alta de 2,86%, a US$ 37,35 o barril, enquanto na ICE, o barril do Brent também subiu 1,40%, para US$ 38,45.

“O Ibovespa acompanhou o otimismo visto no exterior e a alta nos preços das commodities, que puxaram as ações de Vale e Petrobras, que possuem peso relevante no índice, além de bancos”, dizem os analistas.

Ao fim do dia, as ações preferenciais da Vale (VALE5) ganharam 4,15%, a R$ 10,28, e as ordinárias (VALE3) avançaram 3,37%, a R$ 12,88. Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) ganharam 3,76%, a R$ 9,10, e as preferenciais (PETR4) subiram 2,91%, a R$ 7,42.

Entre os bancos, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) se valorizaram 0,72%, a R$ 16,76. Os papéis do Bradesco (BBDC4) fecharam em alta de 1,56%, a R$ 20,77. O Itaú Unibanco (ITUB4) teve ganhos de 0,64%, a R$ 28,30.

O destaque do dia ficou com a ação do Magazine Luiza (MGLU3), que fechou em alta de 12,39%, a R$ 8,80, depois que a varejista anunciou a renovação por 10 anos um acordo com a segurada BNP Paribas Cardif para o contrato de garantia estendida Luizaseg. Por conta disso, a empresa receberá em 21 de dezembro R$ 330 milhões.

No câmbio, a cotação do dólar comercial fechou em queda de 0,25%, a R$ 3,877 na venda, interrompendo uma sequência de três altas.

Em linhas gerais, o dia foi de instabilidade. No cenário doméstico, investidores avaliavam as implicações da nova rodada de buscas relacionadas à Operação Lava Jato depois que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além de ministros e de outros políticos.

Além disso, informações do jornal Folha de São Paulo indicam que a presidente Dilma decidiu que a meta de superávit primário (a economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida) para 2016 fosse reduzida de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto), como defende o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para 0,5%, com a possibilidade de abatimento de investimentos que, na prática, permite que ela seja zerada no próximo ano.

O Banco Central também realizou leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra, em operação que não busca a rolagem de contratos já existentes. A autoridade monetária também deu sequência à rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos.

No mercado externo, os investidores aguardavam a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) sobre as taxas de juros nesta quarta-feira. A expectativa é de que a autoridade monetária anuncie o primeiro aumento de juros em quase uma década.

Para quarta-feira, os agentes no Brasil aguardam a divulgação do IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), pesquisa mensal de comércio, fluxo cambial, e emprego industrial pela Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). No exterior, o destaque é a decisão de política monetária pelo Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), mas a agenda será igualmente movimentada diante da publicação do índice PMI (índice dos gerentes de compras) composto na Alemanha e na zona do euro; taxa de desemprego no Reino Unido; balança comercial e índice de preços ao consumidor na zona do euro; produção industrial, utilização da capacidade instalada, construção e licenças para novas residências nos Estados Unidos.

 

(Com Reuters)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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