4 de junho de 2026

Bolsa tem dia de realização de lucros, e cai 1,04%

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Jornal GGN – Um dia depois de a agência de classificação de risco Moody’s anunciar que pode rebaixar a nota da dívida pública brasileira, o mercado brasileiro encerrou suas posições em baixa. A queda das ações de bancos e da Petrobras também influenciaram os negócios.

O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo)  terminou as operações em baixa de 1,04%, aos 45.630 pontos e com um volume negociado de R$ 5,983 bilhões.

No exterior, os mercados operaram mais um vez em meio às preocupações geradas pela queda nos mercados de commodities. Segundo relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a produção do grupo alcançou 31,7 milhões de barris em novembro, um aumento de 230 mil barris em relação a outubro, e acima da meta oficial, de 31 milhões de barris/dia. Com isso, o preço do barril do petróleo do tipo Brent (em Londres) fechou em queda de 0,95%, a U$ 39,73, a quinta queda consecutiva no mês.

Nos Estados Unidos, os pedidos de auxílio-desemprego, referentes à semana passada, subiram para 282 mil, de 268 mil na semana anterior. Segundo avaliação elaborada pelos analistas do BB Investimentos, o aumento de 13 mil novos pedidos dá sustentação à tese de elevação gradual da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) e dá força aos ativos de risco relativamente aos títulos do governo americano.

Na Bovespa, além das preocupações com a queda nos preços do petróleo, que influenciou mais uma vez o desemprenho de Petrobras, o impacto da colocação da nota do Brasil em revisão para rebaixamento pela Moody´s também aumentou a aversão ao risco.

A queda foi puxada, principalmente, pelo mau desempenho das ações da Petrobras e dos bancos Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 2,75%, a R$ 9,20, e as preferenciais (PETR4) recuaram 2,61%, a R$ 7,45. Já as ações do Banco do Brasil (BBAS3) se desvalorizaram 4,26%, a R$ 18, também após forte alta na véspera. Os papéis do Bradesco (BBDC4) fecharam em queda de 4,33%, a R$ 21. Os do Itaú Unibanco (ITUB4) tiveram perda de 0,59%, a R$ 28,80.

No fim da tarde de ontem (9), a Moody’s revisou para negativa a perspectiva da nota da dívida brasileira. A decisão abre caminho para que o Brasil seja rebaixado e perca o grau de investimento, garantia de que o país não dará calote na dívida pública.

Em setembro, a Standard & Poor’s retirou o país dessa categoria. Caso uma segunda agência de classificação de risco faça o mesmo, os fundos de investimento estrangeiros não poderão mais aplicar no Brasil, ocasionando fuga de capitais do país.

Em comunicado, a Moody’s citou a incerteza política brasileira criada após a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff como fator que pode impedir a aprovação do Orçamento de 2016 e de medidas de aumento de impostos essenciais para aumentar as receitas. Além disso, a agência destacou que dificilmente a economia brasileira conseguirá se recuperar no próximo ano.

No câmbio, a a moeda norte-americana voltou a fechar acima de R$ 3,80. O dólar comercial subiu R$ 0,064 (1,7%) e encerrou a sessão vendido a R$ 3,801.

A cotação operou em alta ao longo de todo o dia, mas o ritmo passou a se intensificar a partir das 15h. Por volta das 16h40, o dólar chegou a atingir R$ 3,805, na máxima do dia. A divisa acumula queda de 2,21% em dezembro. Em 2015, a moeda subiu 42,9%.

Além das questões relacionadas à Moody’s, o mercado está sendo praticamente guiado pelos acontecimentos políticos, sobretudo diante da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que tem tomado conta das ações no Congresso Nacional.

Contudo, as intervenções do Banco Central no mercado cambial tendem a amenizar o ciclo de alta da moeda norte-americana. A autoridade monetária efetuou um leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra, operação que não tem como objetivo a rolagem de contratos já existentes. Além disso, o BC manteve o processo de rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos.

Para sexta-feira, os agentes aguardam a divulgação dos dados de safra agrícola pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pela Conab (Companha Nacional de Abastecimento) no Brasil; o índice de preços ao consumidor na Alemanha; e os dados de estoques nos Estados Unidos, entre outros índices.

 

 

(Com Reuters e Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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