4 de junho de 2026

Brasil propõe novas regras globais para comércio digital na OMC

País defende criação de comitê sobre economia digital e quer mais debate sobre impactos fiscais e industriais do comércio eletrônico
Sede da OMC, em Genebra (Suiça). Foto: © WTO

Brasil propõe à OMC criação de Comitê de Comércio Digital para discutir regras globais da economia digital.
A proposta defende inclusão digital, apoio a países em desenvolvimento e cooperação internacional em tecnologia.
Brasil sugere prorrogar moratório sobre tarifas digitais e ampliar debate sobre tributação e impactos econômicos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil apresentou à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma proposta para reformular o debate global sobre comércio eletrônico, com foco em desenvolvimento, inclusão digital e soberania econômica.

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O documento foi submetido nesta terça-feira (17), no âmbito da preparação para a próxima conferência ministerial da OMC, e propõe a criação de um Comitê de Comércio Digital e Tecnologias Emergentes — uma instância permanente para discutir regras globais sobre a economia digital.

A iniciativa brasileira busca dar mais estrutura institucional às discussões que hoje ocorrem de forma dispersa dentro da OMC.

Entre os principais pontos estão:

  • criação de um comitê dedicado ao comércio digital
  • foco na inclusão de países em desenvolvimento
  • incentivo à industrialização digital
  • promoção de cooperação internacional em tecnologia

A proposta também destaca que o comércio digital vai além de transações online, envolvendo temas como inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação, segurança e concorrência.

Um dos eixos principais do documento é o reconhecimento de que a economia digital está aprofundando desigualdades entre países.

O Brasil alerta para a persistência de um “fosso digital”, com impactos diretos sobre a capacidade de inovação, desenvolvimento industrial, e participação no comércio global

Por isso, o país defende maior apoio técnico e financeiro para países em desenvolvimento, incluindo investimentos em infraestrutura e capacitação.

Impostos sobre comércio digital entram na discussão

Outro ponto sensível da proposta envolve o chamado moratório sobre tarifas digitais — acordo internacional que impede a cobrança de impostos sobre transmissões eletrônicas.

O Brasil propõe prorrogar temporariamente o moratório, aprofundar estudos sobre seus impactos econômicos, e manter margem para discutir tributação de conteúdos digitais

Segundo o documento, ainda faltam dados sobre como essa política afeta a arrecadação de países em desenvolvimento, políticas industriais, e o crescimento de empresas locais.

A proposta brasileira também reflete um movimento mais amplo: a disputa internacional por regras do comércio digital.

Atualmente, não há consenso global sobre temas como:

  • tributação de serviços digitais
  • fluxo internacional de dados
  • regulação de big techs
  • proteção de mercados locais

O Brasil defende que a OMC avance para um modelo mais previsível e equilibrado, evitando que regras sejam definidas apenas por acordos entre países desenvolvidos.

Se aprovada, a criação do comitê pode representar uma mudança estrutural na OMC, ao institucionalizar o debate sobre economia digital.

A proposta prevê que o novo órgão funcione como fórum permanente de negociação, promova transparência e cooperação, e apresente diretrizes formais a partir de 2027.

Para o Brasil, esse avanço é essencial para manter a relevância da OMC em um cenário global cada vez mais digitalizado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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