A convenção do Partido Liberal (PL) realizada no Distrito Federal confirmou as candidaturas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis para o Senado Federal. A oficialização da “chapa pura” encerra um período de incertezas no diretório distrital, marcado por negociações internas e divergências políticas recentes no entorno da família Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro concorre a um cargo eletivo pela primeira vez. Natural de Ceilândia (DF), a ex-primeira-dama ingressou no cenário partidário ao assumir a presidência do PL Mulher em 2023, sendo tratada pela sigla como um ativo estratégico para ampliação da interlocução com o eleitorado feminino e evangélico.
Ausência e articulações políticas
Apesar de figurar como o nome central do evento partidário, Michelle não esteve presente. Ela recebeu alta do hospital DF Star pouco antes do encerramento da convenção, onde permaneceu internada em razão de dores de cabeça intensas.
A mensagem oficial da candidata foi transmitida ao público por meio da leitura feita por seu irmão e primeiro suplente, Diego Torres. No texto, Michelle justificou o afastamento presencial e defendeu a decisão de ingressar na disputa parlamentar.
“É o começo de uma caminhada para devolver esperança e liberdade. É por isso que aceitei esse desafio. Sou pré-candidata ao Senado. Meu marido escolheu o Flávio para estar à frente dessa multidão e vamos caminhar juntos e a passos largos. Queremos justiça de verdade”, afirma o trecho do discurso lido por Diego.
O anúncio também ocorre em um contexto de recomposição política com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O relacionamento entre ambos havia passado por atritos públicos que resultaram na saída temporária de Michelle do comando do PL Mulher e em questionamentos sobre a viabilidade de seu projeto eleitoral.
Presente no evento, Flávio comentou a ausência da madrasta e projetou a atuação conjunta no pleito.
“Daqui a pouco [Michelle] vai estar de volta e firme e forte para nos ajudar a resgatar esse Brasil, junto com a Bia”, disse.
Composição da chapa e aliança local
A segunda vaga da chapa ao Senado será ocupada por Bia Kicis, atual presidente do diretório do PL no Distrito Federal e deputada em segundo mandato. Ex-subprocuradora-geral do DF, a parlamentar reforçou em pronunciamento a convergência do projeto com a ala conservadora.
“Os mesmos valores que eu tenho praticado, pelos quais eu luto na Câmara há oito anos, eu quero levar para o Senado da República, onde nós poderemos trazer de volta o sistema de freios e contrapesos desse país”, declarou Kicis, que também destacou o papel da ex-primeira-dama na consolidação de seu nome na nominata: “Eu posso dizer para vocês que a Michelle lutou muito para que eu permanecesse na nominata do Senado junto com ela. Havia muitos interesses, mas a Michelle bateu o pé e falou: ‘A Bia está comigo'”.
Apoio ao governo do Distrito Federal
No plano local, o PL formalizou o apoio à pré-candidatura de Celina Leão (PP) ao governo do Distrito Federal. Celina, que assumiu o Palácio do Buriti após a desincompatibilização do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), discursou durante o evento e comentou as indefinições que antecederam o anúncio.
“Ela foi muito questionada por que não decidia logo. Era muito difícil para ela decidir entre cuidar do marido e ser candidata. Mas, por amor ao marido, pela aliança que ela tem com a Bia e pela responsabilidade que ela tem com o Brasil, Michelle será nossa senadora junto comigo”, disse Celina.
O alinhamento do PL com o PP ocorre em meio à reorganização da direita no Distrito Federal, acentuada pela desistência de Ibaneis Rocha em disputar uma vaga ao Senado devido a entraves na composição de alianças políticas regionais.
Calendário eleitoral
| Etapa Eleitoral | Prazo do TSE |
| Limite para realização de convenções | 5 de agosto |
| Registro formal de candidaturas | Até 15 de agosto |
| Início oficial da propaganda eleitoral | 16 de agosto |
| Primeiro turno das eleições | 4 de outubro |
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