5 de junho de 2026

China e Rússia buscam alternativas para driblar sanções ocidentais

Governos locais chineses consideram adotar escambo - um mecanismo cuja adoção oficial pode entrar no debate entre os dois países
Foto de Kelly via pexels.com

Os governos de algumas províncias da China consideram começar negociações de escambo com a Rússia, em meio a relatos de que tal mecanismo poderá ser usado pelos dois países como forma de contornar sanções ocidentais.

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Em julho, autoridades de uma província no noroeste da China, que faz fronteira com a Rússia, se reuniram com autoridades da província de Shandong para “aprofundar a compreensão do comércio de escambo e experiência empresarial” e explorar “novos tipos de trocas de escambo entre China e Rússia”.

Segundo o South China Morning Post, alguns governos locais na China têm discutido e planejado negociações de escambo com a Rússia em meio a relatos da mídia de que os dois países usarão tais acordos para contornar sanções ocidentais.

A Alfândega da China possui um código regulatório para o comércio de escambo, mas o desenvolvimento da troca “exigiria novas regulamentações para que fosse eficaz”, ao mesmo tempo em que boa parte dos negócios de escambo ainda segue registrada como comércio comum.

E como o comércio de escambo não tem fluxo de caixa, ele pode introduzir uma incompatibilidade entre a quantidade total de bens exportados e os fluxos de caixa para empresas chinesas, colocando empresas em risco regulatório.

Os debates refletem os problemas enfrentados por exportadores e instituições financeiras chinesas quando se trata de comércio com entidades russas, e a troca de mercadorias pode permitir que os dois governos contornem problemas de pagamento, reduzam a visibilidade que os reguladores ocidentais têm sobre suas transações bilaterais e limitem os riscos cambiais.

Tal tema ganhou força por conta da expansão das ameaças de sanções por parte dos Estados Unidos, o que aumentou os riscos para bancos em países terceiros (incluindo a China) quando se trata do trabalho com entidades russas.

Apenas nos primeiros sete meses deste ano, o valor do comércio China-Rússia aumentou 1,6% na comparação com 2023, para US$ 136,67 bilhões, de acordo com dados da Alfândega da China.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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