21 de maio de 2026

Há dois meses o Jornal GGN já tinha revelado o golpe da Fictor, por Luís Nassif

Artigo de novembro de 2025 apontava as inconsistências nas demonstrações financeiras do Grupo Fictor, e hoje o jornal Valor descobriu.
Reprodução

Perícia judicial não encontrou atividade em 7 empresas do Grupo Fictor, incluindo unidades em Goiás, Amazonas e Bahia.
Relatório de 2024 aponta patrimônio líquido negativo de R$ 9,1 milhões na Fictor Alimentos, única empresa com dados públicos.
Denúncias indicam irregularidades em contratos, captação ilegal e promessas de rentabilidade fixa no braço agrícola do grupo.

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Acabou de dar no “Valor Econômico”:

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“No documento pericial, consta que não foram encontradas as seguintes empresas ou não havia atividade: Fictor Agro Comércio de Grãos e Dynamis Clima SPE Ltda, ambas em Goiás; FW SPE Solar 1 LTDA e FW SPE Solar 2 LTDA, no Amazonas; Komorebi SCP e RICA, no Estado do Rio de Janeiro; e a filial da Fictor Invest em Salvador, Bahia”.

No dia 19.11.2025, ou seja quase 3 meses atrás, todo esse quadro havia sido delineado pelo Jornal GGN no artigo “Os negócios obscuros da Fictor, que pretendia adquirir o Master”.

Constatava a reportagem:

“A única empresa com demonstração financeira pública, a Fictor Alimentos S.A. (companhia parte do grupo e listada — ticker FICT3 na B3) para o exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2024, com relatório da administração e auditoria independente (Ernst & Young Auditores Independentes S.S.) aparece patrimônio líquido negativo de cerca de -R$ 9,103 milhões (ou seja, a empresa tem mais passivos do que ativos nessa demonstração). E é a única empresa do grupo com dados públicos e tem patrimônio líquido negativo”.

“No site oficial do Grupo Fictor consta que o portfólio atua em alimentos, serviços financeiros e infraestrutura/energia, com escritórios também em Lisboa e Miami, o que sugere ambição internacional.

No dia 1.12.2025, outra relação de denúncias na reportagem “O castelo de cartas da Fictor: R$ 31 milhões em Papel Fantasma

FictorAgro: A Miragem do Agronegócio

A Fictor se vende ao mercado como uma operação inovadora de agronegócio, fintech de pagamentos, patrocinadora de clube grande e até candidata a player global. Nos bastidores, porém, a engrenagem parece ter bem menos soja e bem mais Excel.

O braço agrícola do grupo, a FictorAgro, apresentava-se como “empresa cerealista com forte experiência em café, soja, milho e sorgo”, alegando movimentar mais de 1 milhão de sacas por mês — o equivalente a R$ 600 milhões anuais.

(…) Para justificar a rentabilidade fora da curva, a Fictor se apresenta como comercializadora de grãos, com base operacional em Balsas (MA), uma das regiões mais quentes do agronegócio brasileiro.

Mas, segundo fontes internas, a “base operacional” nada mais é do que uma estrutura do grupo Diagro, que teria vendido apenas naming rights (o direito de pintar os silos com a sua marca) e presença de marca à Fictor. A capacidade operacional efetiva seria irrisória frente ao volume de negócios anunciado — algo próximo de “menos de 0,01% do que eles dizem movimentar””.

Mais ainda:

”A análise do contrato com a Fictor Agro identificou graves irregularidades e riscos regulatórios/operacionais, sugerindo que a operação pode configurar uma oferta irregular de valor mobiliário (investment contract) no Brasil, sem a devida proteção ao investidor.

1. Promessa de Rentabilidade Fixa (2,00% Mensal): Sugere promessa de retorno ou garantia de capital, o que é proibido para ofertas não registradas e levanta “red flags” (alertas vermelhos) para esquemas irregulares (Ponzi/pirâmide).

2. Captação Irregular: Aporte feito diretamente em conta corrente da Sócia Ostensiva, sem custódia, conta vinculada ou intermediação de Corretora/DTVM autorizada, elevando o risco de desvio de recursos.

3. Estrutura SCP Frágil: Uso de Sociedade em Conta de Participação (SCP) sem as salvaguardas necessárias (como auditoria e segregação de patrimônio), concentrando poder e risco na Sócia Ostensiva.

4. Cláusulas de “Garantia”: Cláusulas de Put Option e dissolução que preveem a devolução do “Valor do Aporte”, funcionando como uma garantia implícita de capital.

5. Governança Deficiente: Prestação de contas vaga (“quando solicitada”), ausência de auditoria e poderes ilimitados da Ostensiva, facilitando o conflito de interesses (self-dealing)”.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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5 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    10 de fevereiro de 2026 8:20 pm

    Os velhacos da Fictor plagiaram os capítulos da série Game of Thrones quw introduziram um personagem rico e poderoso. Toda fortuna dele estava trancada num cofre. No final o cofre dele estava tão vazio quanto a Fictor. 😂😂😂

  2. evandro condé

    11 de fevereiro de 2026 11:48 am

    Curiosidade, procurei e não encontrei: Algum artigo sobre a Ambipar?

      1. evandro condé

        11 de fevereiro de 2026 9:14 pm

        Obrigado. Digitei na lupa da página e nãda semelhante foi mostrado.

  3. evandro condé

    11 de fevereiro de 2026 11:52 am

    Tem gente que vive (bem) aplicando golpes. Como os pobres mortais querem investir irão fazê-lo? Há solução?

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