4 de junho de 2026

Crise em Ormuz expõe fragilidade do sistema financeiro global

Foto: Tasmin News Agency

Fechamento do Estreito de Ormuz eleva preços do petróleo e revela fragilidade do sistema financeiro global.
Investidores buscam ativos seguros, encarecendo crédito e pressionando moedas de países emergentes e africanos.
Economista critica FMI e Banco Mundial por reduzir apoio em crise e propõe mudanças na governança financeira.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O fechamento do Estreito de Ormuz não provocou apenas uma nova disparada nos preços do petróleo: a crise também revelou uma fragilidade crescente do sistema financeiro internacional, que, segundo especialistas, está agravando os efeitos econômicos do choque em vez de amortecê-los.

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A avaliação é da economista Hanan Morsy, economista-chefe da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, em artigo publicado no site Project Syndicate após a escalada das tensões no Oriente Médio.

Desde o início do ano, o barril do petróleo Brent já acumula alta superior a 40%, ultrapassando a marca de US$ 100. Ao mesmo tempo, fertilizantes derivados de ureia subiram cerca de 50%, fretes marítimos avançaram mais de 20% e prêmios de seguro naval dispararam. O impacto atingiu especialmente economias emergentes e países africanos altamente dependentes de importações de energia e alimentos.

Capital foge de países vulneráveis

Segundo Morsy, o principal problema é que os mecanismos financeiros globais estão reagindo de forma “pró-cíclica” — ou seja, ampliando a crise em vez de suavizá-la.

Em momentos de instabilidade, investidores migram recursos para ativos considerados seguros, como títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Isso encarece o crédito para países em desenvolvimento exatamente quando eles mais precisam de liquidez para enfrentar choques externos.

O rendimento dos títulos americanos de dez anos, por exemplo, subiu para cerca de 4,36%, muito acima dos níveis registrados durante a pandemia. Na prática, isso aumenta o custo de financiamento de projetos de infraestrutura, energia, segurança alimentar e adaptação climática em países mais pobres.

Ao mesmo tempo, moedas africanas vêm sofrendo forte desvalorização, pressionando ainda mais a inflação de combustíveis e alimentos.

FMI e Banco Mundial são alvo de críticas

O artigo também critica diretamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Segundo a autora, linhas emergenciais criadas durante a pandemia estão sendo reduzidas justamente no momento em que economias vulneráveis enfrentam nova onda de pressão externa.

Além disso, países de renda média altamente endividados continuam pagando sobretaxas adicionais ao FMI para acessar empréstimos em situações de crise — uma política considerada regressiva por diversos economistas.

Na avaliação de Morsy, essas cobranças funcionam como um mecanismo que pune justamente os países sob maior estresse econômico.

Ela argumenta que o sistema financeiro internacional foi desenhado para enfrentar crises temporárias e isoladas, mas não está preparado para um cenário marcado por choques simultâneos: guerras, fragmentação comercial, mudanças climáticas, instabilidade energética e transição tecnológica.

Diante disso, a economista defende mudanças estruturais na governança financeira internacional, como a retomada de linhas emergenciais do FMI, ampliação de créditos preventivos do Banco Mundial, expansão de empréstimos em moedas locais e criação de mecanismos automáticos de financiamento para momentos de crise.

Morsy também propõe redirecionar Direitos Especiais de Saque (SDRs) do FMI para bancos multilaterais de desenvolvimento, ampliando a capacidade de investimento em economias vulneráveis sem exigir novos aportes imediatos dos países ricos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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