26 de junho de 2026

Decisão do Copom mostra efeito da financeirização

Governo paga mais de cinco vezes o orçamento da Educação em juros dos títulos da dívida pública, segundo Contraf-CUT
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O aumento de 0,25% na taxa Selic anunciado pelo Copom na noite desta quarta-feira (18/06) vai gerar um gasto adicional de R$ 12,2 bilhões ao governo federal, segundo cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

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Apenas nos últimos 12 meses (concluídos em abril de 2025) o governo gastou R$ 928,4 bilhões com os juros da dívida – o equivalente a 7,71% do PIB.

“Esses quase R$ 1 trilhão drenados da União para os juros com os títulos da dívida pública equivalem a mais de cinco vezes o orçamento para a Educação e mais de três vezes os recursos para a Saúde”, afirma o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale.

Um jogo em favor da financeirização

De acordo com comunicado divulgado após a reunião, o Copom citou como fatores de influência o acirramento das tensões geopolíticas e as incertezas internas em relação à política fiscal, além do mercado interno aquecido.

Em entrevista ao Contraf-CUT, o economista Ladislau Dowbor, professor titular de pós-graduação da PUC-SP, afirma que o Brasil é refém da financeirização, termo que define a influência do setor financeiro na economia, e que valoriza mais o capital em detrimento das atividades produtivas e dos ganhos reais para as famílias.

“Com isso, grande parte do dinheiro que as famílias e o setor produtivo obtêm, a partir do trabalho, é drenado por meio de taxas de juros cobradas no Brasil”, ressaltou.

Dados do Banco Central mostram que, no mês de fevereiro, a taxa média de juros para as famílias e empresas chegou a 43,7% ao ano – segundo Dowbor, a média anual da taxa de juros na Europa ou na China “é algo entre 4% e 6%. Nenhuma família aguenta a prática dos níveis do sistema financeiro brasileiro”.

Ladislau calcula que esse sistema de drenagem retira das famílias brasileiras o equivalente a R$ 1 trilhão (10% do PIB), enquanto são drenados outros 3% do PIB das empresas e do Estado, cerca de 8% do PIB do Estado.

“Se considerarmos os ganhos com a isenção de impostos sobre lucros e dividendos, que não temos como calcular exatamente, mais a evasão fiscal, que representa cerca de 6% do PIB, por baixo, podemos dizer que o sistema da financeirização drena 25% do PIB, ou seja, um quarto de todos os esforços produtivos do país são captados por gente que não produz nada”, pontuou.

O economista registrou também que a maior parte desses recursos são obtidos por grupos internacionais, como Black Rock, States Street, Vanguard, JPMorgan e Goldman Sachs. “Esse é o tamanho do desafio hoje: que o dinheiro volte a ser útil e alimente o processo produtivo”, concluiu.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    19 de junho de 2025 9:56 pm

    Enquanto isso, militar é preso por chamar capitão de você. É merda por cima de bosta.

    Ah, com o devido respeito, Capitão, vá tomar banho, seu Cagão

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    20 de junho de 2025 7:57 am

    Formalmente quem determina a taxa de juros, é o COPOM, mas na prática quem decide é o mercado financeiro. É engraçado para não dizer trágico, quando se aproxima a data para decidir qual será a taxa de juros, a chamada mídia corporativa fica indagando qual será a decisão do COPOM. Na verdade, eles sabem melhor do ninguem, que os seus patrocinadores já definiram previamente a taxa, restando ao COPOM executá-la. O grande trabalho do COPOM, é redigir uma ata justificando a patranha. Como é público e notório, o BACEN é autôomo em relação ao governo, mas subordinado ao mercado financeiro, afinal nós vivemos numa USUROCRACIA. Não quero dizer com isso, que os diretores nomeados pelo atual governo se venderam ao mercado financeiro, mas que tem como missão, reduzir danos causados pelos abusivos aumentos das taxas de juros.Infelizmente, é o preço que o governo paga para conseguir fazer alguma coisa que beneficie a população mais pobre.

    Obs.: Observando o comportamento do mercado, há alguns meses atrás,eu projetei para 15% AA, a taxa selic, considerando uma inflação anual em torno de 5%, esclareço que não sou economista, apenas um curioso atento ao que se passa na nossa USUROCRACIA,

    1. Rui Ribeiro

      20 de junho de 2025 3:59 pm

      A burguesia afirma categoricamente que quem determina a taxa de juros é a lei da oferta e da procura. Sqn. Ser el banco central, a mando de los granudos

  3. Manoel Delgado Martins

    20 de junho de 2025 4:16 pm

    É só cumprir o Art 26 CF1988 DT (Auditoria da Dívida Pública). Quem é bonzinho com os lobos, é cruel com as ovelhas (Vitor Hugo)

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