10 de junho de 2026

Dobram as importações de petróleo refinado, por Luis Nassif

Até setembro de 2022 houve um aumento de 90,8% na importações de produtos refinados, em relação ao mesmo período do ano anterior.

O impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão de Michel Temer foi um modelo de negócio bem sucedido. O ponto central era ampliar os negócios privados com bens públicos.

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Tome-se o caso do refino de petróleo. O país necessita aumentar o refino para não incorrer nessa situação esdrúxula de ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo bruto e um grande produtor de produtos refinados.

Qualquer política racional estimularia os investimentos da Petrobras no setor e criaria estímulos para a entrada de investimento privado em novas refinarias. Além disso, criaria regras de preços que impedissem que os grandes movimentos especulativos mundiais batessem no bolso do consumidor brasileiro.

Nada disso foi feito. Houve a queima indiscriminada de refinarias, a venda da distribuidora da Petrobrás, tudo avalizado por um Supremo Tribunal Federal ignorante no tema. Houvesse um trabalho sério, abrir-se-iam audiências públicas, seriam convocados especialistas na matéria – nacionais e internacionais – para explicar a lógica das empresas petrolíferas integradas. Aí, os Ministros saberiam que a integração é fundamental para garantir a sustentabilidade das empresas e entenderiam melhor o conceito de sewgurança nacional.

Mas, não. Permitiu-se o desmonte do parque de refino baseado em uma manipulação do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico), segundo a qual a venda de refinarias seria essencial para criar um clima de competição que favorecesse o consumidor. Mentira! Devido aos custos do transporte de produtos de refino, cada refinaria tem o monopólio da produção na região em que está instalada. Ou seja, se a refinaria da Bahia aumentar os preços, não haveria a competição por parte da refinaria de Paulinia porque o preço do transporte de combustíveis até lá imporia um custo adicional no valor final do produto.

As consequências estão aqui. O gráfico mostra as importações de produtos petrolíferos refinados no acumulado de 12 meses. Até setembro de 2022 houve um aumento de 90,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com as refinarias americanas respondendo por 76% das importações.

No mesmo período, as exportações de petróleo bruto cresceram 33,8%, sendo direcionados especialmente para a China (55%) e Estados Unidos (16%)..

Em relação à utilização de petróleo nacional e importado nas refinarias nacionais, a Agência Nacional de Petróleo tem dados atualizados até junho. Comparando os 6 primeiros meses de todos os anos, percebe-se que, a partir dos três últimos anos – período Bolsonaro – ocorreu um aumento na importação de petróleo.

Ao mesmo tempo, percebe-se um esgotamento da produção de petróleo em terra.

E uma estabilização da produção no mar desde 2020.

Ora, é sabido que o potencial de produção depende da prospecção contínua para substituir os poços que começam a se esgotar. No período Bolsonaro, a Petrobras deixou de investir, passando a distribuir integralmente mais até que os lucros contábeis.

Com um novo governo, esses dados terão que subsidiar uma nova política petrolífera, que não apenas prepare a Petrobras para os novos tempos, mas que permita sua transformação gradativa em empresa de energia verde.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. João Leonel dos Anjos

    13 de outubro de 2022 8:10 am

    No 2o. parágrafo, o correto não seria “O país necessita aumentar o refino para não incorrer nessa situação esdrúxula de ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo bruto e um grande IMPORTADOR (e nãoprodutor) de produtos refinados.

  2. Ulisses

    13 de outubro de 2022 8:35 am

    Não houve ignorância de ninguém Nassif, a não ser do povo que apoiou o golpe. O resto, com supremo com tudo tem de pagar por traição ao país que explora.

  3. josé Oliveira de Araújo

    14 de outubro de 2022 8:41 am

    O s comentaristas dos principais veículos de comunicação quando abordam o assunto, defendem a política de PPI adotada pela Petrobrás em 2016, no governo Temer, como se fosse cláusula pétrea da constituição e qualquer ação para modifica-la, como uma intervenção indevida. Só que eles esquecem que esta política foi adotada para favorecer e viabilizar os importadores de produtos refinados em prejuízo da população brasileira.

  4. jose carlos lima

    15 de outubro de 2022 1:10 am

    Se o Boz9 c9ntinuar esse pais vai virar um G4ande Hsiti…o pais esta sendo governado pela rapinagem nacional e internacional, que emergiu das trevas nas jornadaa democraticas e legitimas de junho de 2013….

    apareceram gritando: a Terra eh quadrada….a minha bandeura eh meu pais….mentiras, obvio
    .
    tomaram para si a bandeira nacional e a blusa da selecao

    MPL virou ML….foi naquele momento que o Brasil que vinha dando certo acabou, para gozo dos EUA e suas petroleiraas e empreiteiras e empresas que concorriam com as brasileiras no mercado mundial: o pais deixou de ser a 6a. economia do planeta e virou pária internaional com uma imagem destroçada e vem muito terror se o Bozo continuar, pois sera dono da unica Instituicao que ele ainda não domina: o STF

    triste. tudo muito triste

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