22 de maio de 2026

Economista Mônica De Bolle vê “manual do autoritarismo” e clima de Gestapo nos EUA

Mundo busca novos polos contra incerteza dos EUA e Brasil acerta ao focar nos BRICS, avalia De Bolle

Economista Monica De Bolle critica falta de contrapesos a Trump e compara ações do governo a um “exército Gestapo”.
De Bolle classifica EUA como nacionalismo econômico predatório e destaca a crise institucional e precariedade europeia.
Economista alerta para financeirização, alta do custo de vida e risco de bolha tecnológica nos EUA, com impactos sociais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em entrevista ao jornalista Luís Nassif no programa TV GGN 20 Horas [assista abaixo], a economista Monica De Bolle expressou profunda preocupação com a situação nos Estados Unidos, descrevendo o ambiente como “opressivo” e comparando as ações do governo Trump nas ruas a um “exército Gestapo”. De Bolle criticou a falta de contrapeso institucional ao presidente republicano, citando a inação da Suprema Corte em julgar casos importantes, como as tarifas impostas desde abril do ano passado, que contrariam o Trade Act de 1974.

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“O Trump não tem contrapeso, ele não tem contrapeso peso no congresso e ele não tem contrapeso na Suprema Corte. Só para dar um exemplo pequeno diante de tudo que está acontecendo: a Suprema Corte está há meses para julgar a história das tarifas, porque elas estão em contravenção com o Trade Act de 1974, que é a principal ação legislativa que rege o comércio internacional aqui. A Suprema Corte aceitou o caso e disse que ia julgar brevemente. Até agora, não houve julgamento e, essencialmente, o que está acontecendo é que eles estão empurrando com a barriga para não ter que fazer um julgamento contrário ao Trump”, disse De Bolle.

Ela ressaltou que o que está acontecendo nos EUA se encaixa na definição de “nacionalismo econômico predatório” e que o país segue um “manual do autoritarismo”. “Nesses vários movimentos nacionalistas que nós vimos no mundo nos últimos mais de cem anos, há movimentos nacionalistas cujo o objetivo principal é industrializar, desenvolver o país e tal, e há evidentemente formas de nacionalismo econômico que são muito mais predatórias. Os Estados Unidos se encaixam como uma luva nessa definição de nacionalismo econômico”, disse.

A economista também abordou a precariedade da Europa, que, apesar de ser uma comunidade capaz de atuar conjuntamente, enfrenta desafios desde a crise de 2010-2011 e a rebarba da crise de 2008. De Bolle criticou a falta de seriedade dos líderes europeus em relação às pretensões imperialistas de Trump, que se tornaram evidentes em sua retórica e nas falas sobre a Groenlândia em Davos. Ela enfatizou que as rupturas institucionais, tanto domésticas quanto externas, vieram para ficar nos EUA, e que a única coisa que parece dissuadir Trump é a reação negativa dos mercados, embora estes não devam ser a única força a fazer cumprir um papel institucional.

De Bolle expressou ceticismo quanto à concretização de muitos dos investimentos prometidos aos EUA, citando o exemplo do acordo com a União Europeia, suspenso pelo Parlamento Europeu. Ela argumentou que a incerteza gerada pela liderança americana, sem estratégia clara, afasta investimentos. Nesse cenário, a Europa e outros países, como o Canadá, estão buscando alternativas, aproximando-se da China em áreas como energia e adaptação climática. A economista vê um redesenho completo do mundo, com a formação de novos polos que podem se contrapor aos Estados Unidos, e considera a participação do Brasil nos BRICS como um ponto positivo nesse contexto de reconfiguração global.

“Tem um espaço grande para os europeus buscarem junto aos chineses algumas áreas bem fortes de cooperação e, se isso se materializar, esse polo Europa-China fará frente aos EUA. (…) Nós todos vamos ver com grande fascínio como isso vai acontecer, porque colocando numa perspectiva histórica, o que a gente está vendo é um redesenho completo do mundo desde o pós-guerra. Não é exagero falar isso”, defendeu De Bolle.

Por fim, Monica De Bolle alertou para a “armadilha da financeirização” e a crescente dificuldade da vida para as pessoas nos EUA, com o custo de vida elevado e a falta de perspectiva. Ela acredita que a população, ao perceber que setores da economia estão se beneficiando às custas do eleitorado, pode gerar uma mudança, embora a direção seja incerta. A economista também destacou a fragilidade da imprensa americana e a complexidade da inteligência artificial, alertando para uma possível “bolha” no setor de tecnologia, com o risco de consequências catastróficas semelhantes à crise de 2008, devido à interconectividade das empresas.

“De um modo geral, as pessoas estão sem perspectiva. Acho que quando a população se der conta de que tem uma parcela, digamos, setores na economia que estão se beneficiando muito do que está acontecendo, às custas de um sacrifício enorme para o restante do eleitorado, quando isso acontecer, aí bem, a coisa vira. Mas vira para qual direção? Aí é que está. (…) Não é mais só economia. Tem uma série de questões em jogo – culturais, costumes, visões de mundo – de coisas que estão em choque neste momento”, apontou.

Assista a entrevista completa abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. ERNESTO

    24 de janeiro de 2026 9:36 am

    A questão no final: “mas vira pra qual direção?” dá bem a dimensão do problema. Os EUA são fundados numa base difundida como inquestionável, em todo e qualquer aspecto. Herdaram o espírito de Goebbels e o usam como arma para encobrir o que perpetram mundo afora. Quanta ironia, os próprios alemães até hoje são estigmatizados no imaginário popular pelo que fizeram. E houve tribunal que punisse os responsáveis pela guerra que perderam. Os EUA, quais exatamente foram suas derrotas que levariam a uma mudança de rumo?

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