10 de junho de 2026

Energia e medicamentos impulsionam IPCA-15 em maio

Prévia da inflação oficial perdeu força e fechou em 0,36%; mudança de bandeira tarifária na conta de luz puxou indicador
Foto de Kaboompics.com via pexels.com

A prévia da inflação oficial encerrou o mês de maio em 0,36%, ficando abaixo dos 0,43% vistos em abril, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Desta forma, o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula 2,80% ao longo do ano, enquanto o acumulado em 12 meses foi de 5,40%. Em maio de 2024, o IPCA-15 havia registrado alta de 0,44%.

Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram aumentos, com destaques Vestuário (0,92%), seguido de Saúde e cuidados pessoais (0,91%) e Habitação (0,67%).

Em termos de impacto, destaque para Saúde e cuidados pessoais (0,12 p.p.) e Habitação (0,10 p.p.). Por outro lado, o grupo Transportes registrou a principal queda (0,29%), com impacto de -0,06 p.p. no índice geral.

As demais variações foram: Despesas pessoais (0,50%), Alimentação e bebidas (0,39%), Comunicação (0,27%), Educação (0,09%) e Artigos de residência (-0,07%), variando, em termos de impacto, entre o 0,09 p.p. de Alimentação e bebidas e o 0,00 p.p. de Artigos de residência.

O grupo Alimentação e Bebidas caiu para 0,39% no mês mas, na visão de Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, o grupo continua sendo um grande vetor de pressão inflacionária ao acumular alta de 4,4% nos primeiros cinco meses do ano.

“Seus subgrupos apresentaram movimentos homogêneos, com inflação ou deflação baixa, algo que reforça que os choques sazonais de alimentos in natura e os movimentos de pressão com característica mais perene, como o que ocorreu com aves e ovos, carnes e café nos meses anteriores, ficaram para trás”, explica.

Na visão de Carla, os próximos meses “devem contar com movimentos mais positivos sobre os alimentos, isso porque as pressões sobre os itens in natura devem ser revertidas, ao passo que as proteínas tendem a apresentar movimentos comedidos”.

Em Saúde e cuidados pessoais (0,91%), o resultado foi influenciado pelos produtos farmacêuticos (1,93%), alta decorrente da autorização do reajuste de até 5,09% nos preços dos medicamentos, a partir de 31 de março.

“O reajuste de serviços de saúde mantém a inflação elevada em decorrência de gargalos estruturais e da alta inércia inflacionária que possui. Além disso, por fatores estatísticos, o reajuste de medicamentos, amplamente absorvido pelo IPCA de abril, ainda recai sobre o IPCA-15 de maio, implicando no 2º vetor de pressão inflacionária”, explica Carla Argenta.

No resultado do grupo Habitação (0,67%), sobressai a energia elétrica residencial – que exerceu também o principal impacto individual no índice (1,68% e 0,06 p.p.). Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$1,885 a cada 100kwh consumidos, enquanto os preços das tarifas passaram por ajustes em três capitais (alta em Salvador e Recife, queda em Fortaleza).

“A bandeira tarifária amarela foi responsável por levar o grupo para um patamar mais elevado, ao passo que os itens livres, como é o caso de aluguel residencial e de reparos, não trouxeram grandes movimentos de pressão e variaram 0,23% e 0,41% respectivamente”, pontua a economista-chefe da CM Capital.

Quanto aos índices regionais, a maior variação foi registrada em Goiânia (0,79%), por conta das altas do etanol (11,84%) e da gasolina (4,11%), enquanto o menor resultado ocorreu em Curitiba (0,18%) por conta da queda nos preços da passagem aérea (10,13%) e das frutas (4,13%).

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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