23 de junho de 2026

Parlamento Europeu avança com euro digital para reduzir dependência dos EUA

Projeto aprovado busca fortalecer a soberania financeira da União Europeia e reduzir dependência de Visa, Mastercard e dólar
Foto de Guillaume Périgois na Unsplash

Parlamento Europeu aprovou criação do euro digital, que pode entrar em operação até 2029, para maior autonomia financeira.
Projeto visa reduzir dependência de sistemas de pagamento dos EUA, dominados por Visa e Mastercard na zona do euro.
Euro digital será emitido pelo BCE, com pagamentos online/offline e alto nível de privacidade para usuários.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A União Europeia deu um passo importante em sua estratégia de autonomia financeira ao aprovar, em comissão do Parlamento Europeu, a proposta de criação do euro digital. A expectativa é que a nova moeda digital poderá entrar em operação até 2029.

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A iniciativa busca reduzir a dependência europeia de sistemas de pagamento controlados por empresas americanas e ampliar a soberania monetária do bloco em um cenário marcado por crescente rivalidade geopolítica e disputa tecnológica entre grandes potências.

Segundo matéria da Euronews, o principal objetivo do projeto é diminuir a dependência da infraestrutura financeira dos Estados Unidos: dados do Banco Central Europeu (BCE) mostram que Visa e Mastercard respondem por cerca de 61% dos pagamentos com cartão realizados na zona do euro e dominam praticamente todas as transações internacionais feitas dentro do bloco.

Na prática, boa parte da movimentação financeira europeia depende atualmente de empresas sediadas fora da União Europeia, um cenário que começou a ser considerado uma vulnerabilidade estratégica semelhante à dependência energética ou tecnológica.

A discussão ganhou força nos últimos anos diante das tensões entre Estados Unidos, China e Rússia e das preocupações sobre a capacidade da Europa de controlar sua própria infraestrutura financeira.

Como funcionará o euro digital

O euro digital será uma moeda emitida diretamente pelo Banco Central Europeu, funcionando como uma versão eletrônica do dinheiro em espécie. O projeto prevê que os cidadãos possam armazenar euros digitais em carteiras eletrônicas específicas.

Diferentemente das criptomoedas privadas, como Bitcoin, ou mesmo das stablecoins emitidas por empresas, a nova moeda terá garantia integral do BCE.

Segundo a proposta, o BCE administrará a infraestrutura tecnológica, enquanto bancos comerciais e prestadores de serviços financeiros serão responsáveis pelo atendimento aos usuários.

Entre as características previstas estão:

  • pagamentos online e offline;
  • aceitação em toda a zona do euro;
  • alto nível de privacidade;
  • integração com bancos e instituições financeiras já existentes.

Para responder às críticas sobre possível monitoramento estatal das transações, o Banco Central Europeu afirma que não terá acesso direto à identidade dos usuários nem à totalidade dos dados das operações.

Próximos passos

A posição aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu precisará ser ratificada pelo plenário da instituição, em votação prevista para julho. Em seguida, terão início as negociações com os 27 países-membros da União Europeia.

A expectativa dos legisladores é concluir um acordo definitivo até o final deste ano, permitindo que a implementação técnica avance ao longo dos próximos anos.

Se aprovado integralmente, o euro digital poderá se tornar uma das maiores transformações monetárias da história da integração europeia desde a criação da moeda única em 1999.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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