4 de junho de 2026

Fatia de itens voltados à exportação atinge 19,2% em junho

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Jornal GGN – As exportações brasileiras têm apresentado uma reação gradual à depreciação do real: durante o segundo trimestre de 2015, o Coeficiente de Exportação, que mede a fatia da produção industrial destinada ao mercado externo, atingiu 19,2%, alta de 0,6 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre do ano. Segundo pesquisa elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), o valor aponta recuperação da rentabilidade das exportações pelo segundo trimestre consecutivo.

Mesmo com o efeito positivo sobre as receitas com vendas para o mercado externo, a resposta das exportações à desvalorização do câmbio não é considerada expressiva. No acumulado de quatro trimestres (terceiro trimestre/14 até segundo trimestre/15), o valor das exportações em dólares sofreu queda frente a igual período anterior (segundo trimestre/14 até primeiro trimestre/15), de 3,9%.

De acordo com o estudo, o aumento no Coeficiente de Exportação é reflexo do crescimento tímido do volume exportado e “a alta na quantidade exportada leva tempo devido às dificuldades inerentes à entrada em novos mercados”.

Além disso, o efeito sobre as quantidades exportadas leva mais tempo para ocorrer devido às dificuldades inerentes à entrada em novos mercados, ainda que sejam mercados já conhecidos pelas empresas. Segundo a CNI, também existe o efeito negativo do longo período de apreciação do real sobre a competitividade da indústria e seus efeitos sobre a estratégia das empresas quanto à participação no comércio exterior.

“Os setores com as maiores taxas de crescimento do quantum exportado são também os setores com coeficientes de exportação elevados. Isso sugere que setores que, no período recente, continuaram a direcionar parte relevante de sua produção para os mercados externos tem conseguido reagir mais rapidamente ao câmbio competitivo. Também sobre as quantidades importadas o efeito é de mais longo prazo”, diz a pesquisa.

No curto prazo, a pesquisa indica que se percebe é um aumento dos custos com importados, isto é, um efeito adverso do câmbio sobre o preço das importações em moeda doméstica. No acumulado de quatro trimestres (terceiro trimestre/14 até o segundo trimestre/15), o valor das importações em dólares sofreu queda de 6,1% sobre igual período anterior.

O índice de quantum de importações de produtos intermediários reduziu-se em 6,8% nos últimos quatro trimestres (até junho/2015) sobre o mesmo período do ano passado, o que reflete o efeito da retração na produção doméstica sobre as importações. Ao mesmo tempo, o coeficiente de penetração de importações da indústria não mostrou redução — passou de 21,8% para 22% no período, o que é explicado pelo efeito do câmbio sobre o preço, que ainda supera o efeito sobre as quantidades.

Na indústria de transformação, o Coeficiente de Exportação apresentou elevação de 0,7 ponto percentual, chegando a 16%, no comparativo com primeiro trimestre. Já a participação de produtos importados no setor manteve-se praticamente estável: passando de 20,2%, no primeiro trimestre de 2015, para 20,4%, no segundo. 

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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