30 de junho de 2026

FMI vê economia brasileira resiliente e projeta crescimento de 2,5% no médio prazo

Relatório do organismo aponta retomada gradual da atividade econômica em 2026, mas defende medidas adicionais para reduzir a dívida pública
Sede do FMI, nos Estados Unidos. Foto: Flickr IMF

FMI destaca resiliência da economia brasileira, com crescimento desacelerado em 2025 e retomada gradual da atividade econômica.
Banco Central recebeu aval para cortes de juros, mas FMI recomenda manter flexibilidade diante de incertezas internacionais.
FMI alerta para necessidade de reformas fiscais e preservação da estabilidade financeira diante de riscos geopolíticos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O corpo técnico do FMI (Fundo Monetário Internacional) encerrou sua visita anual ao Brasil afirmando que a economia brasileira continua demonstrando resiliência diante de um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos mercados.

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Em relatório elaborado após reuniões realizadas entre 18 e 29 de maio no país, a missão concluiu que o crescimento econômico desacelerou em 2025 em razão da política monetária mais restritiva e da redução dos estímulos fiscais.

Na avaliação dos técnicos do Fundo, essa desaceleração contribuiu para a queda da inflação observada até o início de 2026. Agora, os indicadores mais recentes sugerem uma retomada gradual da atividade econômica.

O FMI projeta que o crescimento brasileiro se fortaleça ao longo dos próximos anos, alcançando cerca de 2,5% no médio prazo.

Banco Central recebe aval para cortes de juros

Um dos pontos destacados pela missão foi a atuação do Banco Central do Brasil: além de considerar o recente ciclo de queda dos juros “apropriado”, o organismo destacou que a flexibilização da política monetária ocorreu de forma compatível com o regime de metas de inflação adotado pelo país.

Ao mesmo tempo, os técnicos alertaram que o cenário internacional permanece incerto, especialmente em razão dos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio e da alta dos preços globais da energia.

Por isso, o Fundo recomenda que o Banco Central mantenha flexibilidade para ajustar o ritmo dos próximos cortes de juros conforme a evolução da inflação.

A projeção da instituição é que a inflação apresente alguma pressão no curto prazo, impulsionada pelo encarecimento da energia, mas volte gradualmente para a meta oficial de 3% até meados de 2028.

Preocupação continua sendo a dívida pública

Embora o relatório seja amplamente positivo em relação ao desempenho recente da economia, a principal advertência do Fundo diz respeito à situação fiscal, onde o FMI defende a continuidade dos esforços para melhorar as contas públicas e argumentam que novas reformas serão necessárias para colocar a dívida pública em trajetória de queda mais consistente.

Entre as recomendações estão:

  • poupar receitas extraordinárias obtidas com a exploração de petróleo;
  • reduzir benefícios tributários e renúncias fiscais;
  • revisar mecanismos que tornam os gastos públicos mais rígidos;
  • preservar espaço para investimentos considerados prioritários.

O relatório também destaca uma característica que diferencia o Brasil de muitas economias emergentes diante da atual crise energética global: na visão do FMI, o país está relativamente protegido dos efeitos da alta internacional do petróleo porque é exportador líquido do produto e possui uma matriz elétrica fortemente baseada em fontes renováveis.

Essa combinação reduz parte da vulnerabilidade da economia brasileira aos choques energéticos provocados pelos conflitos internacionais.

Ainda assim, o FMI alerta que um agravamento das tensões geopolíticas ou condições financeiras globais mais restritivas continuam representando riscos para o crescimento econômico.

Sistema financeiro é considerado robusto

Outro ponto positivo apontado pela missão foi a situação do sistema financeiro nacional. Para o FMI, os bancos brasileiros permanecem bem capitalizados e com níveis adequados de liquidez, fatores que ajudam a preservar a estabilidade financeira.

O Fundo, porém, recomenda atenção especial à expansão do crédito para pessoas físicas e defende o fortalecimento da capacidade de supervisão do Banco Central.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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