25 de junho de 2026

FMI: Transição econômica apresenta perspectivas enfraquecidas

Relatório projeta desaceleração global em 2025 e alerta para fragmentação econômica, aumento das tarifas e risco fiscal
Foto de Markus Spiske na Unsplash

O mundo vive uma fase de reconfiguração econômica após o avanço de políticas protecionistas, aumento das tarifas comerciais e a retração da ajuda internacional, na visão do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Em seu World Economic Outlook (WEO) de outubro de 2025, o fundo projeta que o PIB global crescerá 3,2% em 2025 e 3,1% em 2026, taxas inferiores à média histórica de 3,8% registrada antes da pandemia.

O relatório destaca que o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos a seus principais parceiros comerciais — com taxas efetivas variando entre 10% e 20% — provocou uma queda acumulada de 0,2 ponto percentual na atividade mundial até 2026.

Mesmo assim, a economia mostrou resiliência no primeiro semestre, impulsionada por importações antecipadas e reorganização de cadeias produtivas, especialmente na Ásia.

No entanto, o FMI alerta que a resiliência é temporária. O crescimento vem sendo sustentado por fatores de curto prazo — como estoques acumulados e estímulos fiscais pontuais —, enquanto os fundamentos econômicos continuam frágeis.

Entre as principais ameaças estão:

  • Desaceleração dos fluxos comerciais globais, com o volume de comércio crescendo apenas 2,9% em 2025, ante 3,5% em 2024;
  • Cortes de 9% na ajuda internacional em 2024 e nova queda prevista para 2025, afetando principalmente países de baixa renda;
  • Inflação global projetada em 4,2% em 2025 e 3,7% em 2026, com forte disparidade entre os Estados Unidos (alta) e Ásia (baixa);
  • Pressão sobre bancos centrais e risco de perda de credibilidade monetária diante de interferências políticas.

O FMI também alerta para o boom de investimentos em inteligência artificial (IA), comparando-o à bolha da internet dos anos 1990. Caso as expectativas de produtividade não se confirmem, uma reprecificação abrupta dos ativos tecnológicos pode atingir os mercados globais.

O documento conclui que as perspectivas continuam “insuficientemente brilhantes”, com riscos ainda inclinados para o lado negativo. A recomendação central é adotar políticas previsíveis e sustentáveis, reduzir a incerteza no comércio e preservar a independência das instituições monetárias para sustentar a confiança dos mercados.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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