13 de junho de 2026

“Fracasso do crescimento do PIB é uma questão estrutural”, avalia economista

Jornal GGN – Durante o governo da presidente Dilma Rousseff, a economia brasileira apresentou baixo crescimento – especialmente se comparada com outros mercados emergentes. Em 2011, a alta foi de 2,7%, superior à registrada no ano seguinte: 1%, após revisão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas o que explica o fraco desempenho? Na opinião do economista José Luis Oreiro, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), “o fracasso do crescimento do PIB, eu vejo mais como uma questão estrutural do que conjuntural”.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O especialista, que também preside a Associação Keynesiana Brasileira, foi um dos convidados do programa “Brasilianas.org”, da TV Brasil, transmitido ao vivo na última segunda-feira (3). Esta edição do debate comandado pelo jornalista Luis Nassif discutiu os desafios e vulnerabilidades da atual política macroeconômica.

“Desindustrialização”

Oreiro avalia que o baixo crescimento do país é “reflexo da desindustrialização da economia brasileira”. Segundo ele, esse processo começou ainda nos anos 1980 e, em um primeiro momento, durou até 1999, com a desvalorização do câmbio.

“Naquele momento, parecia que a economia brasileira ia voltar a se industrializar, mas o fato é que a apreciação brutal da taxa de câmbio, a partir de 2005, leva a uma segunda onda de desindustrialização”, disse.

Para o economista da UFRJ, a queda da participação da indústria de transformação brasileira no PIB resultou na “perda de dinamismo” da economia brasileira – entre 1985 e 2012, a fatia do setor no PIB caiu de 27,2% para 13,25%, de acordo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “O fato é que nós temos, hoje, uma situação de estagnação da produção industrial.”

Outro convidado do “Brasilianas.org” da última segunda-feira, o economista e ex-secretário de Política Econômica Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que o fenômeno de desindustrialização da economia do nosso país, citado por Oreiro, começou ainda mais cedo, na década de 1970, durante o regime militar.

“Nós tivemos uma industrialização em cima dos setores velhos da economia”, disse. “Já estava ocorrendo a terceira revolução industrial, que é a revolução da microeletrônica, dos novos materiais etc. Na verdade, perdemos este bonde”, disse.

Governo Dilma

No entanto, Oreiro não eximiu o governo Dilma de uma parcela de culpa pelo fraco crescimento da economia brasileira, argumentando que “a falta de um norte na política macroeconômica também contribuiu para esse resultado pífio do PIB.”

Belluzzo ressaltou que a petista enfrentou uma situação diferente da vivenciada pelo seu antecessor, o ex-presidente Lula, que experimentou “anos gloriosos”, durante os quais “as nossas commodities tiveram um desempenho brilhante, tiveram um desempenho bem favorável para a balança [comercial].”

Além disso, para o economista, “os mercados de trabalho operaram muito bem” e o setor de serviços passou a responder mais pelo crescimento da renda. “O IBGE não marca muito bem esse pedaço”, opinou. “Eu acho que há um problema de mensuração do crescimento dos serviços”.

Oreiro pensa diferente. “Não nego que possa haver um problema de mensuração [do PIB], mas claramente esse problema não explica a inflexão do crescimento médio da economia brasileira a partir de 2010”, disse.

Entre 2003 e 2010, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro foi de 4% ao ano, resultado melhor do que os aqueles obtidos nos dois primeiros anos do governo Dilma. “Eu não vejo como um simples problema de mensuração de PIB possa explicar esse desempenho mais pífio da economia”, completou o professor da UFRJ.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

9 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Assis Ribeiro

    4 de fevereiro de 2014 10:40 am

    Até que enfim

    O efeito manada seguindo a linha do PSDB/grande mídia teimava em apontar os governos do PT como responsáveis pela desindustrialização do Brasil.

    A turba copiava e repetia.

    O artigo corrige o maquiavelismo do mainstream e aponta uma das causas; o câmbio.

    Faltou apontar a comodidade das commodities do nosso imenso e riquíssimo pais em recursos primários que gera a preguiça e a falta de apetite dos nossos empresários pelo risco.

     

    1. jns

      4 de fevereiro de 2014 12:02 pm

      Orçamento ‘x’ PIB

      O Brasil está lidando com uma série de déficits – incluindo o déficit orçamentário – que afugentam os investidores estrangeiros das ações brasileiras.

      Brasil está lidando com uma série de déficits, incluindo um déficit orçamentário.  Tudo isso ajudou a investidores desligado para ações brasileiras.

      http://www.forbes.com/sites/kenrapoza/2014/01/28/brazil-weakness-might-be-overstated-but-ratings-downgrade-looks-likely/

  2. RONALD

    4 de fevereiro de 2014 10:58 am

    CONFLITOS

    Desindustrialização com pleno emprego não são conflitantes????????

    O que o povo quer é emprego……..

    1. Lucinei

      4 de fevereiro de 2014 3:19 pm

      Quer empregos de qualidade

      Quer empregos de qualidade também, Ronald; com melhores salários. O setor industrial sobretudo o que incorpora tecnologia tende a pagar melhor.

  3. Marcos Antônio

    4 de fevereiro de 2014 11:48 am

    A Economia trabalha muito em

    A Economia trabalha muito em cima da componente “expectativa” e não por acaso temos uma estrutura midiática que atua fortemente junto aos CONSUMIDORES menos esclarecidos e / ou não tão polarizados politicamente, com características ANTI-GOVERNISTA.

    Isso INFLUI sobre tomadas de decisão! Quebra de sinergia para ativação de mercados, por interesses politicos…

    Calcula-se perdas na ECONOMIA causadas por deficiência logistica, por questões tributárias e etc.. E perdas causadas pela mídia? A mídia causa impacto? Sim, por que se não, “NÃO HAVERIA PROPAGANDA OU MESMO MARKETING”, nenhuma empresa gastaria recursos com marketing para ampliar suas vendas! Então se pode aumentar, pode reduzir…

    Seria um bom estudo perdas economicas devido a “quebra de sinergia” causada pela mídia. Quantas obras, o que tem sido feito que se tem notícia e poderia estar alavancando a economia no “impulso animal” do investidor?

    O que e como influi a midia na economia – o positivo e o negativo, o valor em real!

    Seria comparar o que a mídia fez por exemplo, durante a reestruturação do sistema financeiro conduzida por FHC e o momento atual – momento de pleno emprego que seria por si só uma demonstração inequivoca para  que houvesse investimentos do empresáriado! O campo é vasto!

    Com dados quantitativos em mãos os anunciantes teriam uma maior clareza para saber onde gastar com anúncios… 

    Sabemos que o governo INVESTE numa mídia que atua contra ele, doido! A Luiza, do magazine Luiza topou com empregados de uma empresa, falando ASNEIRAS, sobre o negócio dela, no qual veículo ela anuncia… 

    Isso, em parte, vai de encontro a “Norma de conduta do PIG” para acopa do mundo ! Notas positivas, somente aquelas que estiverem explodindo aos olhos! Informar sobre construção de hidreéltricas para que? Se noticias de apagão rendem dividendos politicos? E por ai vai…

    1. Gustavo E

      4 de fevereiro de 2014 5:22 pm

      Você está certíssimo! A

      Você está certíssimo! A economia trabalha em cima das expectativas. Porém as expectatives de empresários e investidores são muito mais relevantes do que as expectativas das “pessoas comuns” para o desempenho econômico. Se estes não acreditarem, a economia simplesmente não anda. E estes não são influenciados pela grande mídia, eles têm opinião própria. Eles veem os dados na fonte, não após passar pelo filtro da mídia. Se os dados não estiverem de acordo com o esperado, penalizam. Não são notícias ruins que causam fraco desempenho, é o contrário. Que mania de achar culpados pra tudo.

  4. jns

    4 de fevereiro de 2014 1:09 pm

    O virulento Novo Jornal

    Cutuca a onça com a vara curta

    1 – Extorsão de políticos e empresários

    Blogs contrários à candidatura de Aécio Neves à presidência da República aproveitam esse movimento do Ministério Público e do Judiciário mineiro para criticar o senador, apontado como o mais forte concorrente de Dilma Rousseff nas eleições de outubro. Mas há blogs que divulgam a notícia da prisão sem tecer comentários, sobretudo em Minas, ou que até mesmo aplaudem.

    Se alguns imaginaram que a prisão do dono do Novo Jornal iria intimidar os blogueiros mineiros, eles devem estar felizes. É possível que os jornalistas mineiros permaneçam abaixados em suas trincheiras, intimidados por alguns juízes atentos à defesa das autoridades contra ataques oposicionistas. A menos que o réu Marco Aurélio Fores Carone, vulgo “Marco Florzinha” – como se lê na sentença da juíza Maria Isabel Fleck e na peça acusatória do Ministério Público, mesmo que poucos o conheçam por esse apelido – consiga provar que não faz parte de uma organização criminosa dedicada a extorquir dinheiro de políticos e empresários. E que seu jornal, como todos os outros, encontra amplo amparo na Constituição de 1988, que formalizou o fim da ditadura no Brasil.

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_prisao_do_dono_do_lsquo_novo_jornal_rsquo

    2 – Alexandre Silveira usou certidão falsa para assumir secretaria

    Documentos que fundamentam está matéria

    Certidão do TCU, apresentada por Alexandre Silveira de Oliveira atestando que o mesmo não tinha qualquer Tomada de Contas Especiais

    Tomada de Contas Nº 006 801/2006-8 em tramitação no TCU tendo como parte Alexandre Silveira de Oliveira

    Tomada de Contas Nº 008 530/2005-4 em tramitação no TCU tendo como parte Alexandre Silveira de Oliveira

    Tomada de Contas N º 006 322/2005-2 em tramitação no TCU tendo como parte Alexandre Silveira de Oliveira

    Certidão do Supremo Tribunal Federal – STF atestando a inexistência de qualquer procedimento contra Alexandre Silveira de Oliveira

    Movimentação da Ação Civil Pública contra Alexandre Silveira de Oliveira em tramitação no Supremo Tribunal Federal STF – Paraná

    Certidão da Justiça Federal de Minas Gerais atestando a inexistência de qualquer procedimento contra Alexandre Silveira de Oliveira

    Movimentação da Ação Civil Pública contra Alexandre da Silveira de Oliveira na Justiça Federal de São Paulo

    http://novo-jornal.jusbrasil.com.br/politica/103456426/alexandre-silveira-usou-certidao-falsa-para-assumir-secretaria

    3 – Alexandre Silveira apresenta certidão falsa também em Ipatinga

    Matérias relacionadas

    Alexandre Silveira usou certidão falsa para assumir secretaria

    “Gangue dos Castro”: O terror e a discórdia no Vale do Aço

    Alexandre Silveira quer apenas manter sua absolvição pelo TCU

    Alexandria: Golpe contra soberania e autonomia do Vale do Aço

    Projeto Alexandria tem por trás interesses econômicos

    http://novo-jornal.jusbrasil.com.br/politica/103456690/alexandre-silveira-apresenta-certidao-falsa-tambem-em-ipatinga

    1. jns

      4 de fevereiro de 2014 9:01 pm

      correção

      O comentário foi enviado incorretamente.

      O correto seria o encaminhamento ao post endereçado para:

      https://jornalggn.com.br/noticia/as-diversas-hipoteses-sobre-a-prisao-de-carone-do-novojornal

  5. Alexandre Weber - Santos -SP

    4 de fevereiro de 2014 1:44 pm

    Partidos carimbadores e o Norte, a Estrela e o Rumo do Brasil

    Por absoluta incompetência em formular uma política com norte, rumo e estrela, que opere com arte e técnica no governo do Brasil e no desenvolvimento da nação, os partidos políticos abdicaram de disputar o governo para governar e se conformaram em dividir o butim.

    Sem mais e sem menos.

    Os caciques dos partidos agem como verdadeiros chefes de facções criminosas, distribuindo entre seus cupinchas o poder angariado em maracutais contra o povo e a Nação.

    Uma reforma política que reestabeleça a democracia se faz urgente e virá por bem ou por mal.

Recomendados para você

Recomendados