10 de junho de 2026

Governo federal não pretende pedir mais prazo aos EUA

Em reunião com o agronegócio, vice-presidente Alckmin destacou busca por solução definitiva “e o mais rápido possível”
Vice Presidente da República Geraldo Alckmin, Foto : Cadu Gomes/VPR

Texto atualizado em 15/07/2025 às 19h26 para acréscimo de informações

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O governo federal se reuniu com empresários do agronegócio para discutir os efeitos da tarifa de 50% imposta às exportações brasileiras pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em um primeiro momento, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que não pretende pedir mais prazo aos norte-americanos – a tarifação deve começar a ser cobrada a partir de 1º de agosto –, embora tal ideia não esteja desconsiderada.

Segundo o jornal O Globo, Alckmin reiterou a busca por uma solução definitiva e o mais rápido possível, a não ser que seja necessário mais prazo, e destacou que a taxação de itens brasileiros não apenas compromete a vida dos brasileiros, mas também compromete a vida do consumidor norte-americano.

“A reunião foi muito proveitosa. Pudemos ouvir deles a reafirmação do compromisso com o diálogo, que é o compromisso do presidente Lula, para promover o diálogo e trabalhar juntos a fim de reverter este quadro”, destacou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.

Já o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância do diálogo. “Estamos realizando essa conversa aberta com as entidades representativas do setor para entender as angústias e os anseios. Vamos intensificar a busca por alternativas. O diálogo está aberto da parte brasileira.”

“Agenda política sequestrada”

Em meio ao encontro de Alckmin com o setor agrícola, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou uma nota oficial onde afirma que a economia brasileira está à margem de uma “agenda política sequestrada”.

A instituição destaca a presença dessa agenda na carta divulgada por Trump – “um gesto simbólico, mas que reverberou nas instituições brasileiras e criou novo ruído na imagem do país no exterior”.

“O Brasil, que deveria estar consolidando sua posição como fornecedor estratégico de alimentos, energia limpa e minerais críticos, volta às manchetes internacionais não por suas oportunidades, mas por suas “crises políticas pessoais” internas”, disse a CNA.

Na visão da CNA, o Brasil tem sido governado “por uma obsessão com o passado” seja direta ou indiretamente – ao ponto de culpar o atual governo, afirmando que o presidente Lula e seu governo “optou por reabrir feridas políticas, reforçando antagonismos e muitas vezes tratando adversários como inimigos”.

“Essa escolha tem custo. A confiança empresarial, a previsibilidade regulatória e a estabilidade institucional, pilares de qualquer economia saudável, são minadas quando o próprio governo entra no jogo da revanche”, disse a confederação.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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