10 de junho de 2026

IFI revê dados e projeta crescimento do PIB para 3%

Apesar do otimismo, relatório afirma que projeções do governo podem afetar regras fiscais para 2024 de alguma maneira
Agência Senado

Da Agência Senado

IFI revê crescimento do PIB, mas alerta para riscos fiscais

A Instituição Fiscal Independente (IFI) apresentou, nessa quinta-feira (14), o relatório de acompanhamento fiscal (RAF) do mês de setembro. O destaque desta edição é a revisão do crescimento do produto interno bruto (PIB) para este ano. Apesar da revisão para cima, o relatório alerta que projeções do governo podem comprometer regras fiscais para o ano que vem.

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Para a IFI, as previsões otimistas do governo dentro do Orçamento de 2024 podem ampliar o risco de descumprimento das regras fiscais. O relatório também aponta que a proposta de zerar o déficit no ano que vem se mostra irrealista, ao se considerar apenas a legislação já vigente, seja em termos de receitas, seja em termos de despesas. Segundo o relatório, o governo incorporou na previsão orçamentária uma série de receitas que ainda são incertas, seja porque corresponde a projetos que se encontram em tramitação no Congresso Nacional, seja porque corresponde a ações judiciais com sentenças favoráveis à União, mas que a materialização dos valores considerados pode variar.

Receitas e dívida

O relatório da IFI lembra que o orçamento do próximo ano foi construído já com base no novo arcabouço fiscal. De acordo com o desenho da nova regra, a realização de superávits primários pelo governo central nos próximos anos dependerá de elevações nas receitas primárias — o que, segundo a IFI, impõe um desafio ao Executivo a depender das metas de resultado primário intencionadas. O relatório classifica algumas projeções do governo como “otimistas”.

Medidas legislativas em tramitação e outras fontes de arrecadação poderão incrementar as receitas administradas em R$ 276,4 bilhões, nas contas do Executivo. O relatório ressalta que parte desse valor, quase R$ 70 bilhões, depende de matérias em tramitação no Congresso. A IFI, por sua vez, estima um impacto potencial de R$ 108,6 bilhões com as mesmas medidas, R$ 167,8 bilhões a menos. Dessa forma, a não realização dessas receitas ou a realização em valores aquém do esperado elevam os riscos fiscais associados não só à provisão de gastos primários como também à gestão da dívida pública. A principal razão para uma estimativa conservadora da IFI “reside na elevada possibilidade de ocorrência de litígios judiciais sobre as matérias”.

No fim deste ano, a dívida, em proporção do PIB, deverá alcançar 75,8% do PIB, aumentando para 78,4% do PIB em 2024. Essa trajetória, segundo a IFI, guarda relação com a desaceleração prevista para o PIB e, principalmente, com déficits primários projetados para o setor público neste ano e no próximo, o que deve provocar aumento da dívida para além de 2024. Diante do quadro analisado pelo relatório de setembro, envolvendo os múltiplos aspectos macroeconômicos e fiscais para 2024, o cenário percebido pela IFI não indica estabilização da dívida pública em proporção do PIB. O relatório ainda aponta que “o cenário atual é marcado por múltiplas incertezas”.

PIB

A IFI agora prevê um crescimento do PIB de 3% para este ano. A previsão anterior era de um crescimento de 2,3%. A revisão se dá “sobretudo após a divulgação do PIB do segundo trimestre, que apresentou resultado predominantemente superior às expectativas”. O índice do segundo trimestre foi de 0,9%, um crescimento três vezes maior que a maioria das previsões.

No entanto, alerta o relatório, os dados de julho e agosto apontam que a atividade econômica continua desacelerando no terceiro trimestre, com uma possível estabilidade em relação ao anterior. A IFI manteve a projeção para o crescimento do PIB no ano de 2024 em 1,2%.

IFI

A Instituição Fiscal Independente (IFI) foi criada pelo Senado em 2016, com o objetivo de ampliar a transparência nas contas públicas. Entre suas funções, está a de divulgar estimativas de parâmetros e variáveis relevantes para a construção de cenários fiscais e orçamentários e a de analisar a aderência do desempenho de indicadores fiscais e orçamentários às metas definidas na legislação pertinente. A IFI também trabalha para mensurar o impacto de eventos fiscais relevantes e para projetar a evolução de variáveis fiscais determinantes para o equilíbrio de longo prazo do setor público.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Carlos Lima

    18 de setembro de 2023 1:15 am

    Fico assustado Nassif, quem projetou e que critérios utilizou para essa discrepância fiscal, se dá milagre, informa o santo.

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