10 de junho de 2026

Inflação para os mais pobres perde força em agosto

Queda nos preços de alimentos e bebidas alivia variação para faixa de menor de renda, segundo dados do Ipea
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A inflação por faixa de renda manteve a tendência visa ao longo dos últimos meses, com alívio da taxa para as famílias com renda mais baixa.

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Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, enquanto os preços dos bens e serviços consumidos pelo grupo de renda muito baixa avançaram, em média, 0,13% no mês, a variação média registrada no segmento de renda alta foi de 0,24%. A maior taxa de inflação foi observada entre as famílias de renda média-alta (0,32%).

No acumulado do ano até agosto, as famílias de renda muito baixa tiveram a menor taxa de inflação (2,32%), enquanto a maior variação ocorreu nos domicílios de renda alta (3,79%).

Na desagregação por grupos, o principal alívio inflacionário em agosto veio das deflações de “alimentos e bebidas”, sobretudo para as famílias com renda mais baixa, devido ao peso desses itens em suas cestas de consumo. As principais quedas de preços registradas no mês foram: tubérculos (-7,3%), carnes (-1,9%), aves e ovos (-2,6%) e leites e derivados (-1,4%).

No grupo “habitação”, por sua vez, o reajuste de 4,6% das tarifas de energia elétrica ocasionou um impacto inflacionário mais forte para os segmentos de menor poder aquisitivo.

Em relação ao grupo “transportes”, em que pese a alta de 1,2% da gasolina, que contribuiu especialmente para a inflação das classes de renda média, a queda de 11,7% nos preços das passagens aéreas, gerou alívio inflacionário para as famílias de renda alta. Os aumentos de 0,78% dos planos de saúde e de 0,81% dos artigos de higiene pessoal explicam a pressão exercida pelo grupo “saúde e cuidados pessoais”, em agosto.

Inflação piora no acumulado do ano

Apesar da trajetória do preço dos alimentos, a comparação com agosto de 2022 mostra que houve uma piora no comportamento da inflação para todas as faixas de renda no mês.

Segundo o Ipea, tal desempenho foi pior para as faixas de renda mais elevadas, refletindo, em especial, o contraste entre o reajuste de 1,2% da gasolina em agosto de 2023 e a taxa bem menor no ano passado (-11,6%), possibilitada pela desoneração ocorrida no mesmo período de 2022.

Contudo, a curva de inflação acelerou em todas as classes de renda: em termos absolutos, as famílias de renda muito baixa são as que apresentam a menor taxa de variação no período (3,7%), enquanto a mais elevada está no segmento de renda alta (5,9%).

A maior pressão inflacionária nos últimos doze meses reside no grupo “saúde e cuidados pessoais”, impactado pelos reajustes de 5,9% dos produtos farmacêuticos, de 10,2% dos artigos de higiene e de 13,7% dos planos de saúde.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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