10 de junho de 2026

Criador do termo BRICS admite: moeda comum pode deixar de ser fantasia

Em artigo, Jim O’Neill diz que moeda pode deixar de ser fantasia diante do “efeito Trump” e das mudanças no comércio global
Foto: Isabela Castilho | Audiovisual BRICS

Jim O’Neill sugere que moeda comum dos BRICS pode desafiar o dólar como referência global na economia.
Ele destaca fatores políticos, estratégicos e tecnológicos que tornam essa possibilidade mais realista hoje.
Propõe uma cesta de moedas para compensação comercial, sem banco central comum ou liberalização total.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A possibilidade de uma moeda comum dos BRICS desafiar o dólar como principal referência global pode deixar de ser apenas uma tese para se tornar uma possibilidade, segundo Jim O’Neill, economista britânico criador do acrônimo BRICS e ex-ministro do Tesouro do Reino Unido.

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Em artigo publicado no Project Syndicate, O’Neill explica que as moedas de reserva historicamente exigem condições que são difíceis de cumprir: plena conversibilidade da conta de capital, confiança institucional e — no caso de uma moeda compartilhada — a criação de um banco central supranacional, com perda de soberania monetária dos países membros.

Considerando tais critérios, a ideia da moeda comum parecia improvável principalmente considerando rivalidades geopolíticas como a de China e Índia, além dos controles de capital mantidos por Pequim. Mas o cenário mudou, segundo O’Neill.

O que aconteceu?

O autor aponta três fatores principais para revisar sua posição. O primeiro é político: líderes do BRICS+ têm manifestado insatisfação crescente com a dominância do dólar.

O segundo é estratégico: a política externa e comercial dos Estados Unidos sob Donald Trump — marcada por tarifas, tensão institucional e questionamentos à autonomia do Federal Reserve — estaria corroendo a base de confiança que sustenta a hegemonia da moeda americana.

O terceiro fator é tecnológico. O’Neill argumenta que as mesmas inovações digitais que podem fortalecer o dólar, como stablecoins denominadas na moeda americana, também podem facilitar a criação de “trilhos alternativos” de pagamento entre países que desejem reduzir a dependência do sistema financeiro dominado pelos EUA.

Embora reconheça os obstáculos existentes, o articulista sugere que, mesmo sem liberalizar contas de capital ou criar um banco central comum nos moldes europeus, os países do bloco poderiam desenvolver um mecanismo de compensação comercial baseado em uma cesta de moedas, ponderada pelo peso econômico de cada membro.

Em um mundo no qual 75% do PIB global está fora dos Estados Unidos, e onde acordos comerciais entre grandes blocos se multiplicam, a discussão sobre alternativas ao dólar deixa de ser apenas retórica política e passa a integrar o debate estrutural sobre a arquitetura monetária internacional.

A pergunta final de O’Neill permanece em aberto: trata-se de uma fantasia ou do embrião de uma nova etapa na ordem econômica global?

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. José de Almeida Bispo

    13 de fevereiro de 2026 7:05 pm

    O império anglo-americano não desaparecerá da noite pro dia; mas será confrontado, sim. E quanto mais espernear, tornará as coisas mais difíceis. E a queda mais iminente.

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