A pressão por cortes de despesas sociais não esgota a discussão sobre o equilíbrio das contas públicas, uma vez que o endividamento do país precisa ocupar lugar central no debate sobre ajuste fiscal.
Em entrevista ao programa TV GGN 20 Horas, o economista e diretor do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros, Leandro Ferreira, defendeu que o Brasil discuta o peso da taxa Selic sobre a dívida e considere alternativas de política econômica que não dependam exclusivamente da contração dos gastos públicos.
Na avaliação de Ferreira, parte da discussão recente sobre o ajuste fiscal tem se concentrado mais na repercussão política do que na formulação de propostas concretas. O economista considera que o país precisa rever a trajetória da dívida pública e questiona a centralidade atribuída aos cortes de despesas como resposta para o problema.
“O principal ajuste que precisa ser feito é justamente naquilo que induz o crescimento da dívida, que é esse patamar da Selic atual”, afirmou.
A crítica se dirige a um debate em que, segundo o entrevistado, o mercado financeiro cobra redução de gastos do governo ao mesmo tempo que defende a manutenção de juros elevados pelo Banco Central como instrumento de combate à inflação. Para Ferreira, essa combinação deixa em segundo plano o impacto do custo do dinheiro sobre o próprio endividamento público.
Ajuste fiscal não pode significar apenas corte de políticas sociais
Ferreira também questionou a forma como a cobrança por ajuste fiscal costuma se traduzir em propostas de redução de despesas. Na avaliação do economista, a pressão por cortes recai frequentemente sobre áreas como Previdência, saúde e educação, justamente porque os gastos sociais representam parcela importante do orçamento público.
Ele argumentou que a discussão deveria considerar outras frentes de atuação, como a revisão de benefícios tributários, isenções, deduções e mecanismos de crédito incentivado, além de medidas para ampliar a arrecadação.
“Se é para fazer a discussão na gramática do mercado, vamos atingir o restante da gramática do mercado”, disse, ao defender que o debate sobre as contas públicas não fique restrito às despesas sociais.
O economista também destacou a importância dos investimentos para o desenvolvimento econômico. Para ele, a análise fiscal precisa distinguir gastos que contribuem para a atividade produtiva daqueles que têm impacto predominantemente sobre indicadores financeiros. A preocupação, segundo Ferreira, é evitar que a busca por resultados contábeis comprometa investimentos capazes de dinamizar a economia real.
Na leitura do entrevistado, o desafio do governo é conciliar responsabilidade fiscal, manutenção de políticas públicas e condições para o crescimento. Ele afirmou que a eleição recente expressou uma demanda por presença do Estado e melhoria dos serviços públicos, o que exige orçamento e capacidade de investimento.
Veja mais a respeito do tema na íntegra do programa TV GGN 20 horas, que pode ser vista abaixo.
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