21 de maio de 2026

Mercado de títulos do Tesouro coloca Trump contra a parede

Em artigo, economista alerta que pacote de cortes de encargos pode não gerar desempenho esperado pelo político
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As promessas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que seu “grande e bonito” pacote de impostos e gastos irá superaquecer o crescimento do país, e que o corte de impostos irá se pagar por si só, tem levado os economistas a questionarem quando o devido acerto de contas irá acontecer, e qual a forma ela irá assumir.

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Enquanto o pacote não deve ter problemas em passar por um Congresso dominado por republicanos, “é abundantemente claro” que nada será feito para controlar o déficit fiscal de 6,4% visto durante o governo de Joe Biden.

“O orçamento de Trump provavelmente estima déficits em torno de 7% do PIB ou mais pelo restante de seu mandato – salvo grandes choques como uma pandemia, crise financeira ou guerra, e qualquer um desses fatores poderia aumentar ainda mais o déficit”, explica o economista Kenneth Rogoff, professor em Harvard e ex-economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), em artigo publicado no Project Syndicate.

Um dos argumentos de Trump e seus aliados é que o crescimento econômico gerado por sua “grande e bela lei” irá gerar receita suficiente para compensar os cortes de impostos, mas o economista afirma que a história oferece poucos subsídios que comprovem tais alegações.

“Embora tanto os gastos liderados pelos democratas quanto os cortes de impostos apoiados pelos republicanos tenham alimentado o crescimento da dívida dos EUA nas últimas duas décadas, as reduções de impostos foram responsáveis pelo crescimento da dívida dos EUA”, diz o articulista.

Por outro lado, Rogoff acredita que o “insaciável” apetite dos investidores pelos títulos do Tesouro norte-americano pode não durar muito mais tempo – uma vez que, atualmente, a dívida norte-americana está em 122% do PIB, e uma grande parte dela deve ser rolada nos próximos meses.

O rendimento dos títulos de 30 anos está em torno de 5%, e os papéis de dez anos está em 4,5% – dois pontos percentuais acima do visto há uma década. Consequentemente, os pagamentos de juros sobre a dívida existente estão subindo e já superado gastos de defesa.

“Os investidores em títulos estão soando o alarme: a dívida “grande e bonita” de Trump acabará prejudicando a economia dos EUA e o dólar. Por mais desconfortável que seja, esta é uma verdade que ele (Trump) não pode ignorar”, diz Rogoff.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    3 de junho de 2025 7:48 am

    O superaquecimento do crescimento exigirá dissipadores potentes de calor, sob pena de queima do sistema.
    Eu vendo radiadores eficientes, a preço de custo. Proteja seus sistema. Ligue-me já!

  2. Fernando Mancini Villela

    3 de junho de 2025 3:43 pm

    Os EUA conseguiram obter a confiança dos detentores de capital segundo condições inexistentes no momento. A formação do BRICS está atrativa e o grupo parece apresentar características suficientes para fazer os detentores de capital redirecionarem suas aplicações. Dessa forma, os EUA estão perdendo sua hegemonia.

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