8 de julho de 2026

Mercados dos EUA vivem nova bolha financeira? Economista alerta para riscos da euforia com a IA

Para Dambisa Moyo, alavancagem financeira e concentração de investimentos em big techs ampliam os riscos para a economia americana
Foto de engin akyurt na Unsplash

Índices dos EUA atingem recordes, mas economista alerta para bolha especulativa devido à alta alavancagem.
Dívida de investidores em ações alcança US$ 1,4 tri, elevando riscos de queda rápida e impacto no sistema financeiro.
Sete grandes empresas concentram 1/3 do S&P 500, risco de correção se IA não gerar os ganhos esperados.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Enquanto os principais índices acionários dos Estados Unidos renovam sucessivos recordes, cresce também o debate sobre a sustentabilidade dessa valorização. Para a economista internacional Dambisa Moyo, os mercados financeiros americanos exibem hoje uma combinação de fatores que lembra períodos anteriores à formação de bolhas especulativas.

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Em artigo publicado no Project Syndicate, Moyo argumenta que o avanço das bolsas não reflete apenas perspectivas positivas para a economia ou para a inteligência artificial (IA), mas também um aumento expressivo do endividamento dos investidores e da alavancagem financeira em diversos segmentos do mercado.

Segundo a autora, os sinais de alerta aparecem em indicadores tradicionalmente utilizados para medir o grau de valorização das ações.

Um deles é o chamado Shiller CAPE, indicador que compara o preço das ações com a média dos lucros ajustados pela inflação ao longo de dez anos. Atualmente, o índice se aproxima de 42 pontos, muito acima da mediana histórica, em torno de 16.

Outro indicador citado é o Buffett Indicator, que mede a relação entre o valor total do mercado acionário e o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. Considerado um termômetro da sobrevalorização das ações, ele supera atualmente 230%, quando patamares acima de 120% já costumam ser interpretados como sinal de mercado excessivamente valorizado.

O papel da dívida na alta das bolsas

Para Moyo, a valorização das ações não está sendo sustentada apenas pelo desempenho das empresas, mas também por um crescimento acelerado do crédito utilizado para comprar ativos financeiros.

Dados da Financial Industry Regulatory Authority (FINRA) mostram que a chamada margin debt — empréstimos tomados por investidores junto a corretoras para adquirir ações — alcançou US$ 1,4 trilhão, após crescer 54% em apenas um ano.

Na avaliação da economista, esse volume de recursos emprestados amplia significativamente a vulnerabilidade do sistema financeiro. Em momentos de queda das bolsas, investidores altamente alavancados podem ser obrigados a vender ativos rapidamente para cobrir perdas, ampliando a intensidade das correções.

Outro ponto destacado é a expansão do mercado de crédito privado, segmento que cresceu rapidamente fora do sistema bancário tradicional.

Segundo a autora, parte dessas operações ocorre com menor supervisão regulatória, dificultando a avaliação do nível real de risco assumido pelos investidores.

Ela cita dados apresentados pelo presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, segundo os quais instituições financeiras não bancárias já respondem por 64% dos empréstimos alavancados nos Estados Unidos, contra 54% em 2010.

A participação dessas instituições também cresceu de forma expressiva no mercado de financiamento imobiliário. Na avaliação da economista, essa migração torna mais difícil identificar onde estão concentrados os riscos caso ocorra um choque financeiro.

Embora a inflação tenha perdido força após a redução das tensões envolvendo o fornecimento de petróleo no Oriente Médio, Moyo considera prematuro descartar novos aumentos dos juros americanos – caso o custo do dinheiro permaneça elevado, empresas e investidores altamente endividados poderão enfrentar dificuldades crescentes para refinanciar suas obrigações.

Inteligência artificial concentra riscos em poucas empresas

O segundo fator de preocupação apontado por Moyo está relacionado à forte concentração do mercado acionário americano nas chamadas “Sete Magníficas”: Apple, Alphabet, Amazon, Meta Platforms, Microsoft, NVIDIA e Tesla, que representam quase um terço do valor de mercado do índice S&P 500.

A expectativa dos investidores é de que essas empresas mantenham elevados investimentos em centros de dados e infraestrutura de inteligência artificial, com gastos estimados em US$ 725 bilhões apenas em 2026.

Para Moyo, porém, essa concentração também cria um risco relevante: caso os resultados financeiros decepcionem ou a inteligência artificial não produza os ganhos de produtividade esperados, uma correção nas ações dessas empresas pode desencadear um movimento de vendas em todo o mercado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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