21 de maio de 2026

Minerais críticos expõem tensão entre industrialização e controle estrangeiro no Brasil

Caso Serra Verde reacende debate sobre controle de minerais críticos e estratégia industrial brasileira diante da pressão internacional.
Mineradora Serra Verde, em Goiás. Foto: Divulgação Mineradora Serra Verde.

Governo defende uso de minerais críticos para industrialização, não só exportação de matéria-prima no Brasil.
Deputados do PSOL pedem à PGR investigação da venda da mineradora Serra Verde a empresa dos EUA, alegando risco à soberania.
Representação questiona acordo Goiás-EUA e alerta para perda de controle nacional sobre reservas estratégicas de terras raras.

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Resumo gerado por Inteligência artificial


Enquanto o governo federal afirma que o Brasil não deve se limitar à exportação de minerais críticos como matéria-prima, e esses recursos estratégicos sejam utilizados para impulsionar a industrialização nacional, a venda de uma mineradora para uma empresa norte-americana acende o debate em torno da soberania do país.

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Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, o ministro destacou que o setor deixou de ser apenas econômico para assumir caráter geopolítico. “Não queremos ser exportadores de matéria-prima”, disse, ao associar os minerais críticos à soberania e à nova indústria global.

O discurso ocorre em meio à ampliação de acordos internacionais firmados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Espanha, Alemanha, Índia e Coreia do Sul para cooperação na cadeia produtiva desses insumos. Mas, paralelamente ao discurso oficial, cresce a pressão política e jurídica sobre operações envolvendo terras raras no país.

Os deputados Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apontando riscos à soberania nacional na venda da mineradora Serra Verde à empresa norte-americana USA Rare Earth.

No documento, os parlamentares sustentam que o Brasil detém cerca de 23% das reservas globais de terras raras — ativos considerados estratégicos para defesa, transição energética e tecnologias de ponta — e que decisões sobre esses recursos devem permanecer sob controle da União.

A representação questiona a legalidade de um memorando de entendimento firmado pelo governo de Goiás diretamente com autoridades dos Estados Unidos, em ambiente diplomático, sem participação do governo federal.

Segundo o texto, esse tipo de iniciativa pode configurar “diplomacia paralela”, violando a competência exclusiva da União para conduzir relações internacionais e legislar sobre recursos minerais.

Os deputados argumentam ainda que o acordo não é um ato isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla do governo dos Estados Unidos para garantir acesso a minerais críticos e reduzir a dependência da China.

O documento cita a atuação de instituições financeiras estatais norte-americanas, como mecanismos de financiamento bilionário, e a presença de estruturas ligadas à área de defesa, indicando que o interesse ultrapassa o campo econômico.

Nesse contexto, a venda da Serra Verde — única produtora de terras raras em escala industrial na América do Sul — é apresentada como parte de um movimento mais amplo de aquisição de ativos estratégicos brasileiros por capital estrangeiro.

A representação também alerta para novos movimentos no setor, incluindo projetos de exploração e processamento de terras raras em Minas Gerais, o que, segundo os parlamentares, pode acelerar a perda de controle nacional sobre esses recursos.

Além de pedir investigação, o PSOL solicita à PGR a anulação da operação envolvendo a Serra Verde, a suspensão de novas transferências de controle de mineradoras e a análise da constitucionalidade dos acordos firmados.

O documento sustenta que minerais críticos não podem ser tratados como commodities comuns, mas como ativos centrais à soberania econômica e à segurança nacional — e que sua exploração exige coordenação federal para evitar fragmentação da política mineral e captura por interesses externos.

A disputa evidencia uma tensão crescente no país: enquanto o governo defende a industrialização como caminho para agregar valor aos recursos naturais, operações em curso e articulações internacionais levantam dúvidas sobre a capacidade de o Brasil manter o controle estratégico sobre suas próprias reservas.

Veja abaixo a íntegra da representação apresentada pelos deputados do PSOL

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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