5 de junho de 2026

Os diferentes riscos de instabilidade vistos em 2025

Países e regiões diferentes enfrentam combinações diferenciadas de vulnerabilidades, segundo relatório do FMI
Foto de Markus Spiske na Unsplash

Os desafios de estabilidade financeira mapeados pelo Fundo Monetário Internacional não afetam o mercado global de forma uniforme.

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Pelo contrário: relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre estabilidade financeira global afirma que economias avançadas, mercados emergentes maiores, outros mercados emergentes e economias de fronteira enfrentam combinações distintas de vulnerabilidades que refletem suas posições diferenciadas no sistema financeiro internacional e estruturas econômicas específicas.

Economias Avançadas entre dilema e disfunção

Nos Estados Unidos, Reino Unido, zona do euro e Japão, a vulnerabilidade central relaciona-se a déficits orçamentários crescentes combinados com ciclos de redução de taxas de juros dos bancos centrais.

Essa combinação cria pressões estruturais ascendentes em prêmios de termo, elevando custos de financiamento a longo prazo de forma significativa.

Desafios de financiamento em economias avançadas:

  • Aumento simultâneo de emissão de dívida pública e quantitative tightening;
  • Pressão ascendente em rendimentos de longo prazo apesar de easing monetário;
  • Redução de demanda de investidores institucionais tradicionais;
  • ;Risco de disfunção em mercados de títulos críticos para apreçamento de ativos globais

A depreciação do dólar americano de 10% durante 2025, apesar de diferenciais de taxa favoráveis, sinaliza uma reavaliação fundamental sobre sustentabilidade fiscal.

Investidores estrangeiros, particularmente instituições japonesas com grandes exposições descasadas, enfrentam pressão para aumentar hedging cambial—comportamento que amplifica depreciation do dólar em ciclo auto-reforçador.

Risco soberano mascara resiliência de mercados emergentes maiores

Economias como Brasil, China, Índia, Indonesia, México, Polônia e Tailândia desenvolveram mercados de títulos domésticos consideravelmente mais profundos, reduzindo vulnerabilidades cambiais tradicionais. A estrutura de financiamento mudou dramaticamente: a parcela de dívida governamental em moeda doméstica ultrapassa 70% em muitos desses países.

Mudança estrutural em economias emergentes maiores:

  • Aumento significativo de financiamento doméstico em moeda local;
  • Participação crescente de investidores domésticos residentes;
  • Resiliência demonstrada durante episódios de stress global recente

Entretanto, essa resiliência relativa mascara uma vulnerabilidade oculta crescente: a intensificação do nexo soberano-bancário. Bancos domésticos frequentemente acumulam entre 20% e 40% de seus ativos em títulos governamentais.

Em cenário de reestruturação de dívida com haircut de 40%, mais da metade dos setores bancários nesses países brecariam rácios de capital regulatório crítico de 10%.

No caso da China, o país apresenta um desafio particular: taxas de juros caíram para níveis historicamente baixos, comprimindo margens de juros líquidos bancárias. As autoridades injetaram capital em grandes bancos no início de 2025, sinalizando preocupação com capacidade de crédito sustentada.

A encruzilhada de outros mercados emergentes

Um segundo grupo de mercados emergentes—Argentina, Chile, Colômbia, Peru, República Dominicana e similares—enfrenta escolha mais constrangedora. Seus mercados de títulos domésticos permanecem menos desenvolvidos, mantendo dependência significativa de financiamento em moeda estrangeira.

Pressões de financiamento em mercados emergentes secundários:

  • Rendimentos de títulos internacionais próximos de 6,5% para grau de investimento;
  • Rendimentos acima de 10% para emissores de menor grau;
  • Paredes de vencimentos significativas final 2025/início 2026;
  • Exploração de estruturas alternativas (empréstimos bilaterais, colocações privadas)

Segundo o FMI, a exploração de financiamento alternativo aumenta preocupações com transparência e contingências não visibilizadas. A divergência entre países com acesso a mercados públicos versus aqueles dependentes de financiamento alternativo está criando fragmentação regional crescente.

A fragilidade estrutural das economias menores

O Fundo monetário também analisou um grupo de economias menores com indicadores macroeconômicos voláteis e marcos institucionais mais fracos, e aponta desafios ainda mais severos. O desenvolvimento de mercados de títulos domésticos é particularmente desafiador nessas economias.

Características de vulnerabilidade em economias de fronteira:

  • Base de investidores tipicamente limitada;
  • Bancos domésticos como única fonte material de financiamento (nexo extremo soberano-bancário);
  • Participação frequente de bancos centrais em leilões (sinal de dominância fiscal);
  • Intermediários não-bancários embrionários;
  • Taxas reais de juros frequentemente entre 5-8% em títulos de curto prazo

Alguns países enfrentam rendimentos negativos reais em títulos domésticos, indicativo de possível repressão financeira. Estruturas de vencimento concentram-se em curto prazo, refletindo falta de confiança de investidores em horizonte estendido. O risco particular reside em economias onde dívida doméstica cresceu rapidamente mas capacidade de absorção permaneceu fraca.

O FMI conclui que vigilância diferenciada por região, reconhecendo essas vulnerabilidades distintas e interconexões crescentes, será crítica para manter estabilidade financeira global no período à frente.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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