A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (18) a operação Compliance Zero, prendendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma investigação que pode revelar uma fraude de aproximadamente R$ 12 bilhões.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, há indícios de emissão de títulos de crédito falsos por parte do banco, com repercussões para o sistema financeiro nacional.
Prisão e investigação: Vorcaro tenta deixar o país
Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos (SP), quando supostamente tentava embarcar. A PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois temporários e 25 de busca e apreensão em diferentes estados.
A suspeita central é de que o Master tenha fabricado carteiras de crédito fictícias, usadas como lastro para títulos altamente rentáveis vendidos a investidores.
De acordo com a PF, a fraude investigada pode atingir R$ 12 bilhões. O diretor da corporação afirmou que, embora parte dos valores já tenha sido bloqueada, ainda não está claro quanto poderá ser recuperado. Entre os bens apreendidos na operação, além de contas bancárias, há carros de luxo, obras de arte e relógios.
BRB, Master e “pura camaradagem”: entenda o negócio
A transação entre o BRB (Banco de Brasília) e o Master, que hoje é alvo de investigação, já havia sido objeto de forte escrutínio. Segundo a PF, a operação de R$ 122 bilhões entre as instituições “ocorreu por pura camaradagem” e pode ter servido para abafar fiscalização.
Para contextualizar, o BRB planejava adquirir 58,04% do Banco Master por meio de aporte financeiro e reestruturação societária.
Parte relevante dos ativos do Master, porém, estava sendo excluída dessa negociação, levantando suspeitas de que o BRB tentava “selecionar” os ativos mais saudáveis para absorver.
O Ministério Público do Distrito Federal chegou a abrir um inquérito para apurar as circunstâncias da aquisição, diante de possíveis irregularidades.
Liquidação extrajudicial e riscos sistêmicos
Pouco depois da prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A medida coloca sob controle estatal a instituição e seus ativos, enquanto ativa mecanismos para salvaguardar depositantes e credores.
Especialistas alertam que esse caso não é apenas um escândalo isolado. A emissão de CDBs com taxas elevadas, apoiadas em ativos ilíquidos ou de difícil avaliação, expõe fragilidades do sistema financeiro e do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), gerando riscos para investidores de varejo.
Antecedentes e governança questionável
As investigações da PF têm raízes em 2024, após denúncias de que o Master poderia fabricar carteiras de crédito sem lastro real. Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Também pesa contra Vorcaro e seus sócios a acusação de substituição de títulos reprovados pelo Banco Central por outros ativos sem avaliação técnica mínima.
Consequências políticas: BRB e governador do DF no olho do furacão
A operação tem forte impacto político. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi temporariamente afastado.
Além disso, há questionamentos sobre as motivações do BRB privatizado (ou “semi-público”, já que controlado pelo DF) para comprar o Master, especialmente porque parte das operações pode ter sido feita para proteger o banco de Vorcaro, em vez de gerar valor real.
Para críticos, a “camaradagem” entre BRB e Master revela uma articulação política-financeira que usou o banco público para sustentar operações privadas arriscadas — com graves consequências para o setor financeiro e para os investidores comuns.
O que isso significa para clientes e investidores
- Investidores em CDBs do Master: costumavam ser atraídos por taxas muito altas, o que agora pode ser interpretado como parte de um esquema insustentável se os ativos usados como garantia forem fictícios ou superestimados.
- Depositantes: embora haja mecanismos de proteção, a liquidação extrajudicial pode causar insegurança sobre prazos e valores de recuperação.
- Sistema bancário: o caso acende um alerta sobre a saúde de bancos médios que operam com modelos agressivos (alta alavancagem, ativos ilíquidos, títulos de rendimento alto) — e sobre se o FGC tem estrutura para absorver choques desse tipo.
Próximos passos e desdobramentos
- A Polícia Federal continua as investigações para identificar todos os envolvidos e mapear o tamanho real da fraude.
- O Banco Central deve conduzir a liquidação do Master, levantando ativos, avaliando obrigações e articulando mecanismos para pagamento de credores.
- O Ministério Público pode apresentar denúncia criminal com base nas provas recolhidas, e Vorcaro e sócios podem responder por crimes graves.
- Do ponto de vista regulatório, há forte pressão para reforçar a fiscalização de bancos que operam com alto risco e para repensar o papel do FGC.
Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial no resumo. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.
Rui Ribeiro
19 de novembro de 2025 7:42 amPela teoria do domínio do fato, o governo de Brasília deveria ser responsabilizado. Mas o Brasil usa dois pesos e duas medidas, dependendo de quem figura na capa dos autos.