A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira (4) um inquérito para investigar o Grupo Fictor por quatro crimes contra o sistema financeiro nacional: gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro e operação de instituição financeira sem autorização. A medida ocorre dias após o conglomerado protocolar um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, declarando um passivo de R$ 4,2 bilhões.
O avanço das autoridades sobre a Fictor confirma o alerta publicado pelo Jornal GGN. Em reportagem do jornalista Luís Nassif, os negócios do grupo já haviam sido apontados como “obscuros”, especialmente pela falta de transparência em suas operações financeiras e pela estratégia agressiva de captação de recursos junto a investidores. A análise antecipou que a pretensão da holding de adquirir o Banco Master carecia de fundamentos sólidos, servindo apenas como uma manobra para tentar estabilizar uma estrutura já fragilizada.
A ‘cortina de fumaça’ e a Operação Compliance Zero
Para o Banco Central e a Polícia Federal, o anúncio da compra do Master, feito em novembro de 2025, na véspera da liquidação da instituição, não passou de uma “cortina de fumaça”. A estratégia visava desviar o foco da crise de insolvência do banco de Daniel Vorcaro e postergar ações regulatórias. Investigadores apontam que a Fictor não possuía capacidade financeira para a transação e que os supostos investidores árabes, citados pela empresa, jamais tiveram suas identidades reveladas.
As suspeitas ganharam tração após a deflagração da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes e desvio de recursos no mercado de capitais. O inquérito busca agora comprovar se a Fictor utilizava sua estrutura para mascarar prejuízos e operar fora das normas do sistema financeiro.
Crise de liquidez e recuperação judicial
No pedido enviado à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, a Fictor alega que a liquidação do Master pelo BC afetou sua imagem e provocou uma corrida de saques. A companhia afirma que a proteção judicial é necessária para evitar “corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.
No dia 17 de novembro, véspera da liquidação do Master, Rafael Paixão, um dos sócios da Fictor, ainda sustentava o otimismo da operação: “Esses aportes serão definidos para mitigar o passivo do Master”.
“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz nota da companhia.
A lista de credores revela que a maior parte do rombo, cerca de R$ 4,1 bilhões, pertence a credores quirografários (sem garantias reais), muitos deles investidores atraídos pela promessa de participação em lucros de um conglomerado que dizia atuar em setores diversos, como alimentos, energia e imóveis.
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