O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, destinando R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial. O valor representa um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior e será direcionado ao financiamento de médios e grandes produtores, com foco no custeio da produção, investimentos, modernização tecnológica e incentivo a práticas sustentáveis.
O anúncio foi feito no Palácio do Planalto pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, ao lado do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Durante a cerimônia, o governo destacou que esta é a maior edição do Plano Safra voltada ao agronegócio empresarial.
Do montante total, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização da produção agrícola, enquanto R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos em infraestrutura, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica, compra de máquinas e recuperação de áreas produtivas
Segundo Alckmin, o setor respondeu por crescimento de 11,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, impulsionado por sucessivos recordes de produção e exportações.
“O Brasil é hoje o maior exportador de alimentos do mundo”, afirmou o presidente em exercício. “Há poucas décadas o país era importador de alimentos. Hoje somos um dos maiores produtores globais e um dos principais responsáveis pelo abastecimento alimentar internacional.”
O ministro da Agricultura, André de Paula, também destacou o peso econômico do setor, afirmando que o agronegócio responde por aproximadamente um quarto do PIB brasileiro, gera um em cada quatro empregos no país e foi responsável por cerca de US$ 169 bilhões em exportações no último ano.
Juros menores
Um dos principais destaques da nova edição é a redução das taxas máximas de juros em algumas linhas de financiamento, movimento favorecido pelo início do ciclo de queda da taxa Selic.
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), destinado aos médios produtores, o crédito disponível será de R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de juros de 9% ao ano, inferior à praticada na safra passada.
Segundo o governo, a redução do custo financeiro busca ampliar a capacidade de investimento, facilitar o planejamento da produção e estimular a expansão da atividade agropecuária.
Incentivos à sustentabilidade
O Plano Safra também amplia os incentivos para produtores que adotarem práticas ambientais consideradas sustentáveis.
Produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado poderão obter redução de até 0,5 ponto percentual na taxa de juros do crédito de custeio. Outro desconto de até 0,5 ponto poderá ser concedido para propriedades que adotem boas práticas agropecuárias ou possuam certificações reconhecidas.
Na prática, o benefício pode chegar a um ponto percentual de redução nas taxas para quem atender aos dois critérios.
Gestão de riscos
Outra novidade é o reforço dos mecanismos de proteção contra perdas decorrentes de eventos climáticos.
O governo pretende estimular a contratação de seguro rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), vinculando futuras renegociações de operações de custeio à existência desses instrumentos de cobertura.
A medida busca reduzir a necessidade de renegociações extraordinárias após perdas provocadas por secas, enchentes ou outros eventos climáticos extremos.
Modernização da produção
Entre os investimentos prioritários estão projetos de irrigação, armazenagem, geração de energia renovável e modernização das propriedades.
O programa amplia os financiamentos do InvestAgro para instalação de sistemas de energia solar, biomassa, eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica, além de apoiar a construção e modernização de armazéns e câmaras frias.
Segundo o Ministério da Agricultura, essas iniciativas buscam reduzir custos de produção, melhorar a logística e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.
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