A conquista do controle do Senado pelos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos cria um obstáculo importante à tentativa do presidente Donald Trump de ampliar sua influência sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.
A mudança reduz a capacidade da Casa Branca de indicar aliados para o Conselho de Governadores da instituição, mas não elimina os riscos de interferência política na condução da política monetária.
Segundo análise publicada pela Bloomberg, a nova maioria democrata deve colocar a senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, à frente do Comitê Bancário do Senado, responsável pela supervisão do Fed. Historicamente crítica à atuação de Wall Street, Warren também defende a autonomia do banco central para estabelecer as taxas de juros sem interferência do governo.
A mudança dificulta a aprovação de nomes alinhados aos interesses de Trump para as sete cadeiras do Conselho de Governadores. Com os democratas no comando do comitê, indicações consideradas suscetíveis à pressão presidencial poderão enfrentar resistência ou sequer avançar no processo legislativo.
A pressão de Trump sobre o Fed se intensificou ao longo dos últimos dois anos. O presidente exigiu publicamente reduções mais acentuadas dos juros e também levou o conflito para o campo institucional, apoiando uma investigação do Departamento de Justiça contra o então presidente da instituição, Jerome Powell.
A ofensiva incluiu ainda a tentativa de destituir a diretora Lisa Cook, indicada pelo governo de Joe Biden, sob alegações de fraude hipotecária ainda não comprovadas.
Pela legislação norte-americana, integrantes do Conselho de Governadores só podem ser afastados pelo presidente por justa causa, entendimento jurídico associado a situações de má conduta grave ou negligência no exercício das funções.
Trump tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a tentar remover um diretor do Fed durante o mandato. O episódio ampliou as preocupações sobre a autonomia da instituição e os limites da autoridade presidencial.
Apesar da barreira política criada pelo Senado democrata, especialistas alertam que a independência do Fed continua vulnerável. O governo ainda pode tentar afastar dirigentes considerados indesejáveis, pressionar autoridades responsáveis pelas decisões monetárias e deixar vagas abertas no Conselho de Governadores.
Atualmente, não existem cadeiras vagas no colegiado. Jerome Powell permanece como diretor até janeiro de 2028, mesmo após o encerramento de seu mandato como presidente da instituição, em maio. O mandato do vice-presidente Philip Jefferson termina em setembro de 2027.
Caso surjam vagas, os democratas poderão bloquear ou retardar a confirmação de novos indicados, impedindo que Trump amplie sua influência sobre o conselho. Entretanto, essa resistência não impediria necessariamente outras estratégias de pressão por parte do Executivo.
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