4 de junho de 2026

Setor produtivo lamenta decisão do Copom

Sindicatos setoriais dizem que manutenção dos juros em 15% ao ano é “injustificada” e “barreira para o consumo”
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Representantes do setor produtivo mostraram seu descontentamento com o Banco Central após a reunião desta quarta-feira (17), quando o colegiado decidiu pela manutenção da taxa básica de juros em 15%.

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Além de considerarem a decisão “injustificada”, a visão de que existe espaço para flexibilidade na política monetária foi compartilhada pelos empresários, ao mesmo tempo em que alertam sobre o impacto das taxas elevadas sobre o padrão de consumo, investimento e competitividade.

Veja abaixo a repercussão da decisão do colegiado junto a algumas instituições ligadas ao setor produtivo.

CNI – Confederação Nacional da Indústria

Em nota, a entidade afirma que a decisão do Banco Central “demonstra postura excessivamente conservadora, mesmo diante dos sinais favoráveis do quadro inflacionário e do desaquecimento intenso da atividade econômica”.

“Não existe crescimento sustentável com juros estratosféricos. Não existe inovação, reindustrialização, crédito acessível. O que existe é a paralisia nos investimentos produtivos com sequelas para toda a sociedade. Já passou do momento de uma política monetária mais favorável (…)”, questiona o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Além da Selic elevada, o setor produtivo enfrenta um cenário adverso e de severa perda de competividade devido aos aumentos das alíquotas do IOF sobre as operações de crédito e câmbio e a elevação das tarifas dos EUA sobre as exportações do Brasil.

O executivo defende que o Banco Central inicie o necessário ciclo de cortes na Selic já a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em novembro, a penúltima de 2025.

“Em paralelo à redução da Selic a ser feita pelo Copom, é fundamental que se construa um pacto de toda a sociedade em torno da agenda do ajuste das contas públicas, baseado na redução das despesas, de forma a melhorar a sintonia entre as políticas fiscal e monetária e, com isso, assegurar a redução expressiva e sustentada dos juros”, afirma o dirigente.

Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (APAS)

O economista explica que o mercado financeiro, que “inegavelmente tem muitos interesses com isso”, projetava a manutenção da Selic em 15%, um movimento que tem sido acompanhado com “cautela e parcimônia”.

“Acreditamos que há espaço para uma política monetária mais flexível. O ciclo de redução da Selic já poderia ter iniciado, tendo em vista que a inflação está convergindo para a meta”, explica Queiroz.

Além do efeito cambial sobre a inflação, o economista lembra que o ritmo de atividade tem sido afetado pelos juros. “Por um lado, há uma tentativa do governo de fomentar a economia. Por outro lado, o Banco Central tem adotado uma política monetária contracionista. O ideal é que tenhamos uma coordenação entre fazenda e Banco Central para uma política monetária eficiente e com menos danos colaterais ao setor produtivo e ao crescimento sustentável do país”.

Flávio Roscoe – presidente da Federação das Indústrias de Minas gerais (FIEMG)

A manutenção da Selic em patamar contracionista reforça os obstáculos ao crescimento da economia brasileira, afetando o consumo, o investimento e a competitividade das empresas.

Para a entidade, a solução para uma queda estrutural dos juros passa pelo equilíbrio das contas públicas e pela coordenação entre política fiscal e monetária.

“Uma política fiscal alinhada com a política monetária facilitaria o trabalho do Banco Central no controle da inflação, permitindo uma trajetória de queda dos juros nos próximos meses”, afirma o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe.

Segundo ele, os juros elevados impactam diretamente setores dependentes de crédito, limitando o desempenho das vendas no varejo, especialmente para produtos com maior tíquete médio, como automóveis e eletrônicos.

Além disso, os juros altos encarecem o financiamento imobiliário e inibem o investimento produtivo, prejudicando a construção civil e a produção industrial de bens de capital, assim como compromete a renda das famílias, limita o consumo e gera um ciclo de menos crescimento e emprego.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Roland Matt Rola

    18 de setembro de 2025 10:26 am

    O nível de desinformação dos presidentes das federações industriais é surpreendente, vejam que eles fazem a observação sobre a estupidez da selic, mas repetem como papagaios a tal da necessidade de queda das despesas do governo. Será que esses @#$%&&**’s não sabem que a inflação brasileira é majoritariamente de custos e não de demanda?!

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