O pacote de tarifas adotado pelos Estados Unidos acabou gerando efeitos contrários ao esperado pelo governo de Donald Trump, com aumento de preços internos e necessidade de recuo em algumas medidas. A avaliação é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.
Em entrevista ao TV GGN 20 horas, Mello afirmou que o chamado “tarifaço” teve impacto direto sobre a inflação americana ao encarecer produtos importados e insumos industriais, afetando cadeias produtivas e o consumo doméstico.
Segundo ele, a lógica econômica das tarifas se mostrou equivocada ao tentar proteger a indústria local sem considerar os efeitos colaterais sobre preços e competitividade. “Não faz sentido do ponto de vista econômico”, indicou, ao comentar os resultados das medidas.
O secretário também destacou que, apesar da escalada protecionista, o Brasil conseguiu mitigar os impactos negativos sobre suas exportações. De acordo com ele, houve atuação coordenada do governo para preservar mercados e evitar perdas mais expressivas.
A estratégia incluiu diversificação de destinos comerciais e adaptação das cadeias produtivas, o que permitiu ao país manter o fluxo de vendas externas mesmo diante das restrições impostas pelos Estados Unidos.
Além disso, Mello ressaltou que o movimento americano acabou gerando distorções no comércio global, abrindo espaço para outros países ocuparem nichos deixados pelos próprios EUA em determinados mercados.
A análise reforça a leitura de que o avanço de políticas protecionistas, longe de fortalecer economias de forma sustentável, tende a produzir efeitos inflacionários e desorganizar cadeias internacionais de produção.
Veja mais a respeito do tema na íntegra da entrevista do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.
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