5 de junho de 2026

Tecnologia pode ajudar EUA a crescer apesar de Trump, segundo Roubini

Embora agenda republicana possa provocar estagflação, analistas projetam ganhos de produtividade que anulem políticas comerciais e fiscais
Foto de Luca Bravo na Unsplash

Analistas e economistas apontam os riscos de estagflação (combinação de alta inflação e baixo crescimento) nos Estados Unidos por conta da agenda econômica adotada por Donald Trump, mas a tecnologia existente no país está prestes a gerar ganhos de produtividade capazes de anular os efeitos das políticas comerciais e fiscais.

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Segundo o economista Nouriel Roubini, tal otimismo está apoiado na expectativa de que inovações disruptivas aumentem o crescimento potencial anual de 2% para até 4% até o final da década. Com esse impulso, a dívida pública e externa tenderia a se estabilizar e até recuar como proporção do PIB.

Em artigo no Project Syndicate, Roubini explica que o mercado levou Trump a adotar em algumas das medidas mais agressivas anunciadas no chamado “Dia da Libertação” em abril, quando foram impostas sucessivas tarifas sobre as importações de países aliados e de mercados rivais.

Esse recuo deve evitar uma recessão técnica em um primeiro momento, mas Roubini acredita que “os efeitos positivos da tecnologia sempre superam os efeitos negativos das tarifas”.

Na visão do economista, os efeitos positivos da tecnologia sempre superam os efeitos negativos das tarifas, e a chamada “era do excepcionalismo econômico” norte-americano não acabou.

“Os EUA estão à frente de todos — inclusive da China — na maioria das inovações revolucionárias que definirão o futuro”, afirma. “Assim, seu crescimento potencial anual deve aumentar de 2% para 4% até o final da década, antes de subir ainda mais nos anos 2030”.

Roubini também não acredita que o dólar deixará de ser a moeda global de referência, mesmo com a diversificação internacional em movimento. Pelo contrário: para o economista, a atração de investimentos estrangeiros pode fortalecer a moeda norte-americana no médio prazo.

Embora o economista aponte uma série de riscos a serem acompanhados, como restrições a imigração, interferências na independência do Federal Reserve e déficits fiscais excessivos, a combinação entre disciplina financeira e avanço tecnológico deve manter o crescimento econômico dos EUA apesar de Trump.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    12 de agosto de 2025 10:22 pm

    Os ganhos de produtividade basicamente são apropriados pelos empregadores. Ele não anao contribuirá muito pouco para aumentar a renda dos trabalhadores. Aliás, o aumento da produtividade implica em desemprego estrutural. Nada disso contribui para o aumento da demanda e consequentemente para o aquecimento da economia, muito pelo contrário

  2. Rui Ribeiro

    12 de agosto de 2025 10:50 pm

    “No quadro doméstico, a alta de 0,26% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em julho, inferior ao piso de 0,28% de Projeções Broadcast, mostra que o aperto monetário surte efeito, o que reduz a percepção de risco sobre a economia brasileira”.

    Aperto monetário, é?

    Ora, analista de fundo de quintal, antes que do sol nascer, o galo canta. Logo, é o canto do galo a causa do nascer do sol. Se a inflação cedeu, ela finalnente cedeu em decorrência da estratosférica taxa de juro e não pela redução da demanda, causada pelos baixos ganhos dos trabalhadores e pelos altos preços dos bens e serviços

    1. Rui Ribeiro

      13 de agosto de 2025 6:37 am

      Argumento falacioso denominado “post hoc, propter hoc”, ou seja, se um fato ocorreu após outro, o fato anterior é, necessariamente, a causa do fato posterior

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