Uma fábrica de semicondutores de Taiwan está próxima de atingir as metas de produção traçadas por sua unidade nos Estados Unidos por conta de diversos fatores, como aprendizado prático e economias dinâmicas de escala.
A fábrica em questão é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), responsável pela produção de aproximadamente 92% dos chips lógicos mais avançados do mundo em sua fábrica em Taiwan.
“Embora o aprendizado seja crucial na fabricação de chips, a capacidade dos novos participantes de competir com os titulares depende mais da natureza do aprendizado”, explica Pinelopi Koujianou Goldberg, ex-economista-chefe do Banco Mundial e professora de Economia na Universidade de Yale.
Em artigo publicado no site Project Syndicate, Pinelopi explica que, ao se analisar o mercado de semicondutores, “o aprendizado pela prática não é tão específico do nó tecnológico quanto é específico da empresa”.
Neste caso, a vantagem apresentada pela empresa de Taiwan ante a concorrência do mercado não é apenas a produção de chips avançados de forma mais eficiente, mas sim a transferência de seu conhecimento e experiência entre diferentes tecnologias – fazendo com que sua expertise tecnológica seja replicada em outros locais, “desde que novas plantas possam se basear na experiência da matriz taiwanesa”.
Intercâmbio de conhecimento
Outro fator importante é o intercâmbio de conhecimento transfronteiriço, uma vez que pesquisa elaborada pela articulista e outros pesquisadores mostra a existência de trocas expressivas na transmissão de aprendizado entre fronteiras.
“Embora os mecanismos exatos não sejam claros, transferências de tecnologia estrangeira — incluindo por meio de investimento estrangeiro direto e recrutamento transfronteiriço de profissionais qualificados — provavelmente desempenharão um papel significativo”, pontua Pinelopi.
Desta forma, as trocas de conhecimento entre fronteiras indicam que o apoio governamental por si só não garante o sucesso de uma indústria, o que explica a diferença de desempenho de indústrias tecnológicas em países como Taiwan, Coréia do Sul e China.
“Taiwan e Coreia do Sul devem seu domínio na fabricação de chips não apenas a subsídios governamentais significativos, mas também ao acesso a tecnologias avançadas estrangeiras. Em contraste, a China, apesar do forte apoio governamental, ainda não atingiu as fronteiras da tecnologia de semicondutores”, diz a articulista.
A experiência da China mostra que, embora o apoio governamental possa ser benéfico, o acesso à tecnologia estrangeira é crucial. As dificuldades da China — em contraste com os sucessos de Taiwan — oferecem lições valiosas para setores tecnologicamente inovadores.
Na verdade, um padrão semelhante aparece na política industrial muito mais bem-sucedida da China para o setor automobilístico, onde joint ventures entre empresas nacionais e fabricantes estrangeiros tecnologicamente mais avançados provaram ser instrumentais.
Assim como com os semicondutores, a colaboração entre empresas em diferentes países se destaca como o principal impulsionador de melhorias tecnológicas e de qualidade do produto.
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