22 de junho de 2026

Troca de conhecimento como chave do sucesso industrial

Apoio governamental por si só não garante o êxito de uma indústria – o que explica bons resultados tecnológicos de mercados como o de Taiwan
Foto de Miguel Á. Padriñán via pexels.com

Uma fábrica de semicondutores de Taiwan está próxima de atingir as metas de produção traçadas por sua unidade nos Estados Unidos por conta de diversos fatores, como aprendizado prático e economias dinâmicas de escala.

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A fábrica em questão é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), responsável pela produção de aproximadamente 92% dos chips lógicos mais avançados do mundo em sua fábrica em Taiwan.

“Embora o aprendizado seja crucial na fabricação de chips, a capacidade dos novos participantes de competir com os titulares depende mais da natureza do aprendizado”, explica Pinelopi Koujianou Goldberg, ex-economista-chefe do Banco Mundial e professora de Economia na Universidade de Yale.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, Pinelopi explica que, ao se analisar o mercado de semicondutores, “o aprendizado pela prática não é tão específico do nó tecnológico quanto é específico da empresa”.

Neste caso, a vantagem apresentada pela empresa de Taiwan ante a concorrência do mercado não é apenas a produção de chips avançados de forma mais eficiente, mas sim a transferência de seu conhecimento e experiência entre diferentes tecnologias – fazendo com que sua expertise tecnológica seja replicada em outros locais, “desde que novas plantas possam se basear na experiência da matriz taiwanesa”.

Intercâmbio de conhecimento

Outro fator importante é o intercâmbio de conhecimento transfronteiriço, uma vez que pesquisa elaborada pela articulista e outros pesquisadores mostra a existência de trocas expressivas na transmissão de aprendizado entre fronteiras.

“Embora os mecanismos exatos não sejam claros, transferências de tecnologia estrangeira — incluindo por meio de investimento estrangeiro direto e recrutamento transfronteiriço de profissionais qualificados — provavelmente desempenharão um papel significativo”, pontua Pinelopi.

Desta forma, as trocas de conhecimento entre fronteiras indicam que o apoio governamental por si só não garante o sucesso de uma indústria, o que explica a diferença de desempenho de indústrias tecnológicas em países como Taiwan, Coréia do Sul e China.

“Taiwan e Coreia do Sul devem seu domínio na fabricação de chips não apenas a subsídios governamentais significativos, mas também ao acesso a tecnologias avançadas estrangeiras. Em contraste, a China, apesar do forte apoio governamental, ainda não atingiu as fronteiras da tecnologia de semicondutores”, diz a articulista.

A experiência da China mostra que, embora o apoio governamental possa ser benéfico, o acesso à tecnologia estrangeira é crucial. As dificuldades da China — em contraste com os sucessos de Taiwan — oferecem lições valiosas para setores tecnologicamente inovadores.

Na verdade, um padrão semelhante aparece na política industrial muito mais bem-sucedida da China para o setor automobilístico, onde joint ventures entre empresas nacionais e fabricantes estrangeiros tecnologicamente mais avançados provaram ser instrumentais.

Assim como com os semicondutores, a colaboração entre empresas em diferentes países se destaca como o principal impulsionador de melhorias tecnológicas e de qualidade do produto.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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