O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação do economista Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed). O anúncio, realizado por meio da rede social Truth Social, encerra meses de especulação e sinaliza uma mudança de rumo na autoridade monetária. Se confirmado pelo Senado, Warsh assumirá o posto em maio, sucedendo Jerome Powell, que se tornou alvo frequente de ataques diretos do republicano.
“Conheço Kevin por um longo período de tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump. “Além de tudo, ele é ‘perfeito para o papel’ e nunca vai te decepcionar“, acrescentou.
A escolha ocorre em um momento de aberta hostilidade entre a Casa Branca e a atual cúpula do Fed. Trump tem criticado Powell de forma virulenta, chamando-o de “idiota” e acusando-o de prejudicar a economia ao manter as taxas de juros no patamar atual, entre 3,50% e 3,75%.
No último ano, o governo chegou a abrir uma investigação criminal contra Powell por supostas irregularidades em reformas na sede do banco, medida classificada pelo atual presidente da instituição como um “pretexto” para intimidar a autonomia do órgão.
Reação imediata e ceticismo
O mercado financeiro reagiu com cautela e volatilidade. Logo após o anúncio, os índices futuros em Wall Street recuaram e o dólar apresentou alta frente a moedas globais e ao real. O temor dos investidores reside na preservação da independência técnica do Fed.
Warsh, que integrou o Conselho de Governadores entre 2006 e 2011 e foi peça-chave na crise de 2008, era historicamente visto como um “falcão” (defensor de juros altos). Contudo, recentemente passou a ecoar o discurso de Trump em favor de cortes mais agressivos, o que gera incerteza sobre qual perfil prevalecerá no cargo.
O perfil do novo comandante
Aos 55 anos, Warsh ostenta um currículo que transita entre Wall Street e Washington. Egresso do Morgan Stanley e ex-assessor de George W. Bush, ele foi o membro mais jovem da história a compor a diretoria do Fed. Atualmente professor na Universidade Stanford, ele defende uma redução no balanço patrimonial da instituição e uma reforma na condução da política monetária.
Apesar do entusiasmo de Trump, a indicação de Warsh não garante uma guinada solitária nos juros, uma vez que as decisões são tomadas por um comitê de 12 membros.
Obstáculos no Capitólio
A confirmação de Warsh no Senado, no entanto, não será automática. O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário, prometeu bloquear qualquer indicado de Trump enquanto o Departamento de Justiça não concluir as investigações sobre a sede do banco central.
A resistência de Tillis é vista como uma barreira crítica, dado que o líder da maioria, John Thune, admitiu que é “provavelmente impossível” confirmar o nome sem o apoio do colega de partido.
A senadora democrata Elizabeth Warren também criticou a escolha, afirmando que a nomeação é “mais um passo para o Donald Trump assumir o controle da instituição“.
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