5 de junho de 2026

Repressão de Trump reduz empregos até entre americanos

Pesquisa do NBER indica que política migratória reduz empregos e não aumenta salários para trabalhadores nascidos nos EUA
Foto de Metin Ozer na Unsplash

Estudo do NBER mostra que política de imigração de Trump reduz emprego entre trabalhadores americanos em setores como construção civil.
Não houve aumento salarial para atrair trabalhadores locais; emprego de imigrantes também caiu cerca de 4% em áreas fiscalizadas.
Redução de imigrantes causa retração econômica local, afetando consumo, serviços e empregos além dos diretamente ligados à imigração.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A política de imigração do governo de Donald Trump, centrada em deportações em massa e ações intensivas do Immigration and Customs Enforcement (ICE), pode estar produzindo um efeito oposto ao prometido: em vez de abrir vagas, está reduzindo o emprego até entre trabalhadores nascidos nos Estados Unidos.

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É o que indica um estudo recente publicado pelo National Bureau of Economic Research (NBER), que analisou os impactos da nova onda de fiscalização migratória sobre o mercado de trabalho.

A pesquisa identificou um efeito negativo significativo sobre o emprego de homens americanos com menor nível educacional — especialmente aqueles com ensino médio ou menos — em setores mais expostos à fiscalização migratória, como a construção civil.

Além disso, não houve aumento consistente de salários para atrair trabalhadores americanos; o impacto observado foi de queda na demanda por trabalho, não de substituição e, em áreas mais afetadas, o emprego entre imigrantes também caiu cerca de 4%.

O estudo destaca que a redução da força de trabalho imigrante não se traduziu em mais oportunidades para trabalhadores locais, e isso acontece por conta da dinâmica do mercado de trabalho.

Segundo a economista Chloe East, uma das autoras do estudo, trabalhadores imigrantes e nativos geralmente não competem diretamente pelas mesmas vagas — eles ocupam funções complementares.

Na prática, os imigrantes tendem a ocupar postos operacionais e de base, enquanto os trabalhadores nativos assumem funções técnicas ou especializadas dentro da mesma cadeia. Quando a oferta de mão de obra imigrante diminui, empresas reduzem sua atividade como um todo.

O estudo também aponta um “efeito de resfriamento” mais amplo nas comunidades afetadas: imigrantes evitam sair de casa por medo de fiscalização; o consumo local diminui; e a oferta de serviços, comércio e até atendimento médico são diretamente afetadas. Esse ambiente reduz a circulação econômica e afeta empregos além dos diretamente ligados à imigração.

Narrativa política x realidade econômica

A política de Trump se apoia na ideia de que imigrantes indocumentados “tomam” empregos de americanos — um argumento recorrente no debate público.

A Casa Branca reafirmou essa posição, dizendo que há “mão de obra americana disponível” para expandir o mercado de trabalho. Mas os dados sugerem uma realidade mais complexa:

  • A economia funciona por interdependência entre diferentes tipos de trabalhadores;
  • Remover um grupo pode contrair toda a atividade econômica;
  • O impacto negativo tende a ser mais visível em nível local do que nos dados nacionais

Apesar desses efeitos, indicadores agregados do mercado de trabalho americano ainda mostram resiliência, com crescimento de contratações em março. No entanto, análises setoriais indicam sinais de distorção: setores com maior presença de imigrantes apresentam crescimento salarial mais lento; e as regiões com maior ação do ICE registram maior desorganização no mercado de trabalho.

(via Axios)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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