Nas últimas 24h do 16º dia de conflito entre a Rússia e Ucrânia, suspeitas de armas biológicas mobilizaram autoridades de ambos países e também a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) a se manifestar.
E apesar dos confrontos continuarem, com as forças russas avançando em regiões da Ucrânia, o país de Vladimir Putin se comprometeu a manter corredores humanitários abertos todos os dias para a fuga de civis.
O Ministério da Defesa russo afirmou que os corredores serão abertos, diariamente, às 10h da manhã, horário de Moscou. Ainda não foi declarado se os corredores humanitários serão mantidos nas mesmas cidades ou se haverá outras rotas de evacuação.
Apesar do acordo de cessar-fogo temporário nestas saídas das cidades, o governo ucraniano critica as decisões do Kremlin e afirma que, em alguns casos, não foram cumpridos o cessar-fogo, como no caso da cidade portuária de Mariupol.
Segundo o Ministério do Interior da Ucrânia, cerca de 400 mil pessoas já evacuaram das zonas de conflito do país.
O presidente russo também deu os primeiros sinais de que as negociações com a Ucrânia estariam avançando. Pela manhã, após se reunir com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, Putin voltou a afirmar que as sanções dos países ocidentais impostas só fortaleceriam ainda mais a Rússia.
Entretanto, admitiu que houve “certas mudanças positivas” nas conversas com as autoridades ucranianas e que esse diálogo permaneceria diariamente.
Também há sinais de que pode ocorrer um encontro direto entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy. A informação foi relatada por diversos correspondentes internacionais, sobre as declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Peskov teria afirmado, segundo estes correspondentes, que uma reunião direta entre Putin e Zelenkyy era “possível” e que não era uma opção “descartada”. Entretanto, o porta-voz russo teria dito que as “negociações devem primeiro fazer a sua parte”, indicando que devem avançar no sentido de atender, ainda que em parte, as propostas russas.
Apesar destes avanços, a pauta de potencial risco de armas biológicas na Ucrânia mobilizou autoridades nos últimos dois dias de confronto.
ARMAS BIOLÓGICAS
As declarações ecoaram após a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmar que as forças russas encontraram documentos que registram “uma tentativa apressada de apagar evidências de programas biológicos militares”.
Segundo o governo russo, a Ucrânia buscou destruir amostras de doenças perigosas. O país, por sua vez, alega que os laboratórios de saúde pública, assim como de muitos países desenvolvidos, mantêm essas amostras para fins de pesquisas. A Rússia acusa os Estados Unidos -que nega- de patrocinar investigações de armas biológicas.
O caso repercutiu amplamente e, apesar da primeira negativa dos EUA, a subsecretária de Estado norte-americana, Victoria Nuland, admitiu, nesta terça (08), que a Ucrânia tem “instalações de pesquisa biológica”, com laboratórios financiados pelos EUA.
A declaração foi feita em audiência no Senado. Segundo ela, contudo, se houver um ataque biológico o responsável seria a Rússia e não a Ucrânia.
“A Ucrânia tem instalações de pesquisa biológica que, de fato, agora estamos bastante preocupados com as tropas russas, as forças russas podem estar tentando ganhar o controle, então estamos trabalhando com os ucranianos em como podemos impedir que qualquer um desses materiais de pesquisa caia em as mãos das forças russas se eles se aproximarem”, disse.
A partir daí, uma guerra de informações foi disparada entre as autoridades de ambos os países, responsabilizando possíveis ameaças ao outro.
“Eles nos acusam, novamente! De que supostamente estamos desenvolvendo armas biológicas, de que estamos preparando um ataque químico. Isso me deixa realmente preocupado, porque fomos repetidamente convencidos: se você quer conhecer os planos da Rússia, veja do que a Rússia acusa os demais”, foram as declarações do presidente ucraniano na noite de ontem (10).
“Difundir tais acusações na mídia russa mostra que são eles que são capazes disso – os militares russos, os serviços especiais russos. Isso mostra o que eles querem. Eles já fizeram essas coisas em outros países”, disparou Zelenskyy.
Ainda, segundo a agência Reuters, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a emitir um comunicado à Ucrânia “aconselhando-a” a destruir amostras de doenças mantidas em seus laboratórios de saúde pública, para evitar “possíveis derramamentos”.
Um funcionário da OMS teria dito à reuters que recomendou “fortemente” o Ministério da Saúde ucraniano a “destruir patógenos de alta ameaça” para fins de segurança.
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