O atual vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que as Forças Armadas não cogitam a possibilidade de resistir a uma eventual vitória de Lula na eleição presidencial que ocorrerá em outubro de 2022.
Mourão disse que a hipótese de golpe é “totalmente desproposital” e lembrou que as Forças Armadas foram governadas “pela esquerda, pelo PT, sem problema nenhum”.
As declarações foram feitas em entrevista ao jornalista Igor Gadelha, do site Metrópoles.
Nesta semana, o jornalista Luis Nassif publicou um artigo analisando a possibilidade de golpe nas eleições de 2022. Para Nassif, Jair Bolsonaro prepara o terreno para questionar a vitória de Lula, que lidera todas as pesquisas de opinião faltando sete meses para o pleito.
Os militares marcam presença forte no governo Bolsonaro. Além de 8 mil militares ocupando cargos na máquina federal, Bolsonaro está cercado de oficiais de alta patente que adquiriram um certo “apetite pelo poder”, aponta Nassif, pois têm se envolvido em negócios lucrativos.
Nassif questiona como as Forças Armadas agiriam se o núcleo duro de Bolsonaro decidir alegar fraude nas urnas, por exemplo.
Mourão, na resposta a Gadelha, sustentou que as Forças Armadas têm se mantido “dentro dos limites e deveres constitucionais” e “não se meteram em nenhum processo eleitoral” desde o fim da Ditadura.
O vice de Bolsonaro esqueceu, porém, que militares de alto escalão usaram as redes sociais para pressionar o Supremo Tribunal Federal a rejeitar recursos de Lula contra a operação Lava Jato. O resultado foi que Lula não participou da eleição de 2018.
Mourão não será mais candidato a vice de Bolsonaro na tentativa de reeleição, mas o extremista de direita pretende manter um militar ao seu lado. De acordo com Mourão, o favorito para a vaga é o ministro da Defesa Walter Braga Netto, que busca um partido para se filiar.
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1 – Xadrez do golpe que será dado nas eleições, por Luis Nassif
2 – Depois da farra bárbara, o acerto de contas da crise, por Luis Nassif
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