
Jornal GGN – Organizada pela ONG Minha Sampa, uma Virada Cultural com artistas e voluntários irá apoiar o movimento dos estudantes secundaristas que ocupam 194 escolas no Estado de São Paulo, em protesto contra a reorganização promovida pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Entre os artistas participantes, estão Paulo Miklos, do Titãs, Edgard Scanadurra, do Ira!, o rapper Criolo e a cantora Maria Gadú.
Em entrevista ao Estadão, Paulo Miklos criticou o governo estadual, afirmando que ele não soube “reagir democraticamente às demandas legítimas dos jovens”. Os shows deverão ocorrer em duas escolas, que só serão divulgadas na véspera das apresentações, por razões de segurança aos alunos.
Do Estadão
Virada Cultural em escolas ocupadas terá Paulo Miklos e Criollo
Miklos disse, em entrevista ao Estado, que os alunos o inspiraram e que o governo não soube “reagir democraticamente à demandas legítimas dos jovens” e que mantém as decisões “de cima para baixo”. Para ele, o governo age com “apatia” diante do movimento dos alunos.
“Prova dessa apatia é que o governo publicou hoje (terça-feira, 1º), no meio desse turbilhão, o decreto que oficializa o fechamento das escolas, ignorando as demandas dos estudantes, dando pouquíssimas informações transparentes sobre o futuro das escolas. Esse tipo de decisão autoritária não será mais aceito”, disse. Veja a entrevista completa abaixo.
O festival foi organizado pela organização não governamental (ONG) Minha Sampa, que viu na ação uma forma de mostrar o apoio da sociedade ao movimento dos estudantes.
“Estamos preocupados porque o governo não abre o diálogo com esses alunos e está adotando medidas intimidatórias ao tentar colocar os pais e professores contra as ocupações. Nossa ideia é mostrar que a classe artítisca e a comunidade apoiam esse movimento, que é legítimo, que só busca um direito que deveria ser básico: o da educação de qualidade”, disse Anna Lívia Arida, diretora da ONG.
O local dos shows só será divulgado na véspera das apresentações por segurança aos alunos, segundo Anna. Ela disse que a ONG teme que possa haver alguma ação da polícia ou da secretaria para retirar os alunos das escolas que podem receber os shows. “Até porque a ideia não é o show em si, mas mostrar o apoio desses artistas.”
Ainda de acordo com Anna, a ONG recebeu o cadastro de 200 bandas para shows em outras unidades. A Virada Cultural também terá oficinas e rodas de conversa na programação. “Abrimos as inscrições e várias pessoas se interessaram. Isso só mostra a força do movimento”.
Reorganização. Em setembro, o secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, divulgou uma reforma para que as escolas estaduais tenham ciclo único. A medida faz com que 754 unidades ofereçam só os anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), finais (6.º ao 9.º) ou ensino médio. Com isso, mais de 300 mil alunos serão transferidos e 93 escolas, fechadas.
O governo tem enfrentando oposição porque não dialogou com as comunidades escolares antes do anúncio do projeto. As Faculdades de Educação da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) já repudiaram os argumentos pedagógicos da proposta. Pesquisadores ligados à Universidade Federal do ABC (UFABC) também apontaram fragilidades no estudo da secretaria que baseou a reforma.
Entrevista com Paulo Miklos:
O que você acha da reorganização escolar do Estado de São Paulo? Acha que a reforma pode ter algum impacto positivo?
O governo do Estado quer fechar mais de 90 escolas sem ter resolvido o problema de superlotação que atinge 15% das salas de aula e sem dialogar com a comunidade escolar. É claro que os estudantes não estão satisfeitos. Como pais e cidadãos paulistas, também não deveríamos estar, principalmente dado que essa política está sendo adotada na marra, sem diálogo com a comunidade escolar.
Você considera que o governo do Estado de São Paulo errou na implementação dessa reforma? Que o governo menosprezou o poder de articulação e organização dos jovens?
Em uma democracia moderna e conectada não existe mais espaço para se tomar decisões sem dialogar amplamente com a sociedade. Fundamental é construir as políticas de educação de forma compartilhada com a comunidade escolar. A proposta de reforma do governo vai mexer em milhares de escolas e fechar quase 100 colégios. Está mexendo na vida das pessoas, alunos e pais. Daí os alunos percebem o problema e gritam, peraí! Sem conversar não vai rolar, não. E o governo tem que estar realmente aberto para debater profundamente e a ceder também, senão não é negociação. Não tem mais espaço para decisões arbitrárias feitas para as pessoas serem enquadradas, não pode mais ser assim. A principal lição que tiramos desse movimento é que são os próprios alunos dizendo para todos nós que é possível participar e nem tudo depende dos governos e políticos, o cidadão tem o poder de mudar o rumo das coisas.
Por que você decidiu apoiar o movimento?
Os alunos me inspiraram, a força vem toda deles. Como pai, me solidarizo com as famílias paulistas preocupadas em preservar o direito de seus filhos à uma educação de qualidade, sem salas superlotadas e como prioridade total de nossos governantes. Como músico, quero que a minha guitarra seja mais do que instrumento musical. Seja instrumento de mudança.
Lionel Rupaud
2 de dezembro de 2015 1:54 pmFinalmente artistas estão entrando
no palco da sociedade e não deixando sozinha a meninada que depende do ensino público a enfrentar o estado fascista de SP.
Que bom que acordaram!
Conde de Rochester
2 de dezembro de 2015 1:55 pmÉ a porra da elite que sempre
É a porra da elite que sempre dominou o povo sofrido desta Nação.
As decisões SEMPRE foram tomadas de cima pra baixo sem a minima preocupação com a opinião das pessoas, um processo eleitoral que patrocina a ilegitimidade representativa, mantem no poder modelos de ditadores que se julgam donos da coisa publica.
A midia segue alinhada com este modelo, televisão alguma ontem repetiu o conteudo da internet que mostra claramente a infiltração dentro do movimento dos jovens estudantes com depredação a fim de manchar a imagem deles com a opinião publica.
É a velha manobra de manipular com a verdade em beneficio dos oportunistas. Se não fosse a internet a desgraça deste governo continuaria incolume.
Artaud
2 de dezembro de 2015 1:55 pm… tem que ir aonde o povo está.
Demorô!! Até agora sómente a garotada estava nessa briga. E lutando como ou mais que gente grande.
Com a adesão de artistas, músicos pincipalmente, o movimento tende a ganhar força e se expandir.
Só é preciso cuidar pra não convidar Lobão e Fábio jr. A ausência desses dois irá preencher uma lacuna.
Meire
2 de dezembro de 2015 4:29 pmE quem disse que Lobo- Mau
E quem disse que Lobo- Mau espera para ser convidado? Ele chega disfarçado de todos os modos. Qualquer manifestação pública legítima por democracia em São Paulo, só deveria acontecer com proteção preventiva contra a polícia de alckmin.
sergio ribeiro
2 de dezembro de 2015 1:57 pmBoa notícia
Quem sabe a mídia desonesta muda um pouco o tom da cobertura. Difícil acreditar, mas pode acontecer.
João Sabóia Jr.
2 de dezembro de 2015 1:57 pmSábado
MANIFESTAÇÃO – NESTE SÁBADO 05 DE DEZEMBRO DE 2015
AV.PAULISTA – VÃO DO MASP – HORÁRIO 14 HORAS
Quem puder compareça para fortalecer o movimento dos Alunos e mostrar ao DesGovernador a força Popular
Conde de Rochester
2 de dezembro de 2015 2:05 pmSem levantar bandeira
Sem levantar bandeira partidaria, todos deveriam comparecer contra a mentira e contra a ditadura politica vigente no Brasil.
Jair Fonseca
2 de dezembro de 2015 2:36 pm“a ditadura politica vigente
“a ditadura politica vigente no Brasil”
Que tal ser mais objetivo e dar nomes aos bois?
Conde de Rochester
2 de dezembro de 2015 3:16 pmA boiada é muito grande pra
A boiada é muito grande pra nominar cada cabeça individualmente
Álvaro Noites
2 de dezembro de 2015 4:20 pmPareces ser do MPL …
Pareces ser do MPL …
Jair Fonseca
2 de dezembro de 2015 5:02 pmQuem falou em nomes individuais
Quem falou em nomes individuais? Se bem que no caso em questão, o governador de SP tem nome, o secretário da educação também, o secretário de segurança, os comandantes da PM, todos têm nomes. E esse papo genérico de “sem bandeiras”, “ditadura no Brasil” não serve pra nada, só pra confundir e não apontar os responsáveis pelo que acontece, neste caso em pauta, em São Paulo.
Dimas Jayme Trindade
2 de dezembro de 2015 3:48 pmE o que estão fazendo. Se
E o que estão fazendo. Se contra a Dilma ainda não há no que se pegar, o mesmo não ocorre com a dinastia paulista. Por sinal, um bom mote do PSDB poderia ser “20 anos destruindo a educação paulista”.
Conde de Rochester
2 de dezembro de 2015 2:02 pmAssim como a internet veio
Assim como a internet veio salvar a opinião publica, antes monopolizada pela midia tradicional, falta um sistema politico que de voz as pessoas.
Neste caso da ocupação dos estudantes, no alto das minhas não poucas primaveras de vida, fico me sentido manietado em não poder participar. Se pudesse participaria fisicamente do manifesto, de alguma forma pela internet parabenizamos os artistas que se mostram presentes. Não é somente pelos interesses dos estudantes é pelo interesse de toda a sociedade que se limite definitivamente com este modelo ditatorial que vigora no Brasil.
Hamilton
2 de dezembro de 2015 2:12 pmO conservadorismo do interior do estado de SP
Parecido, em parte, com o conservadorismo de muitos estados do sul dos E.U.A., dá esta segurança a Alckmin e ao PSDB de se eternizarem no poder.
E não se verá na imprensa atrasada ninguém a pregar pela alternância de poder.
lfmrodrigues
2 de dezembro de 2015 2:23 pmaridez
É coincidencia o sobrenome da moça que organiza isso?
Flavio Martins e Nascimento
2 de dezembro de 2015 2:38 pmCoincidência nenhuma. Mas o
Coincidência nenhuma. Mas o apoio é justíssimo e oportuno.
Fernando J.
2 de dezembro de 2015 3:39 pmFilha do Pérsio Arida, atual presidente do BTG Pactual
Valorizar e retribuir
História de Anna Livia Arida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em 26/05/2011
Sinopse
Anna Livia nasceu no Rio de Janeiro, porém foi em São Paulo que cresceu. Filha do economista Pérsio Arida e da socióloga Suzi Solon Arida, aos seis meses mudou-se para os EUA com seus pais e após um ano a família voltou ao Brasil, escolhendo morar em São Paulo. A infância de Anna Livia foi marcada por um convívio intenso com suas duas avós, adorava as comidas libanesas de sua avó Alice e teve a oportunidade de vivenciar a cultura judaica através de sua outra avó, Sarah. Anna brincava de bonecas, mas amava montar cenários e brincar com miniaturas, sempre gostou muito de animais, chegou a ter cachorro, gato, rã e papagaio. Entrou na PlayPen aos dois anos de idade, sua adaptação foi muito tranquila e até hoje se lembra de aprender as palavras em inglês. Entre tantas recordações de seu período na escola estão: a dinâmica de organização, as brincadeiras de roda, a atenção e carinho dos professores e funcionários e os debates sobre a comida com a Marinalva. Além dos eventos como o Halloween e as dormidas que ficaram guardados na memória. Anna Livia completou o Fundamental I na PlayPen e como a escola ainda não oferecia o Fundamental II foi estudar no Santa Cruz. Durante o Fundamental II sentiu muita falta da PlayPen, mas aproveitou muito a escola no colegial. Sempre preocupada com questões de justiça, ao concluir o ensino Médio, Anna resolveu estudar direito, formou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e hoje trabalha com direitos humanos para a organização americana Human Rights Watch.
Franbeze
2 de dezembro de 2015 2:28 pmMeus parabéns
para esses artistas. Até que enfim uma reação. A sociedade tem que mostrar que o nazista chuchu não é dono de SP.
Marco Antonio Bergamaschi
2 de dezembro de 2015 2:48 pmAgora fiquei mais fã ainda
Agora fiquei mais fã ainda destes 4 grande artistas e talvez outros não citados na matéria. O Chico César, sempre presente nas lutas sociais, também já tivera participado de um evento em apoio aos estudantes e à educação.
Nandex
2 de dezembro de 2015 2:50 pmEssa manifestação pode ser um
Essa manifestação pode ser um ponto de virada para mudar o país, tirar o país das mãos do capital e devolver para o povo. Precisamos trazer aquilos que estão do nosso lado e aqueles que estão do lado do capital. Ou seja, precisamos trazer a tona aqueles que estão do lado da vida e aqueles que estão do lado da morte.
Daytona
2 de dezembro de 2015 4:47 pmSempre fui muito fã dos
Sempre fui muito fã dos Titãs, muito bom ver que o rock dos anos 80 não era formado apenas por desmiolados como Roger e Lobão.
emerson57
2 de dezembro de 2015 5:03 pmAutistas
O Roger não vai?
Lobobão também não?
……Ainda bem.
Esses dois (e outros) não vem ao caso!
Rogerio Alberto
2 de dezembro de 2015 9:37 pmArtistas farão virada cultural em escolas ocupadas
Titãs e Ira! são o contraponto inteligente e consciente à sandice rançosa de Lobão e Roger R. Moreira, apoiadores da tirania tucana instaurada no Estado de São Paulo. Desde sempre a política do PSDB é essa: sucatear a educação, dificultar o ensino principalmente aos humildes, porque ciddão sem formação é mais fácil deles, tucanalhas, manipularem. O eleitorado que está eternizando esse partido em SP tem muita culpa desse estado calamitoso de coisas: educação destruída, tremsalão sendo jogado pra baixo do tapete, crise da água, dinheiro público sendo torrado com certa editora, etc.