5 de junho de 2026

Em SP e Goiás, estudantes mostram novo jeito de fazer política

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Da Agência Brasil

O movimento dos estudantes secundaristas do estado de São Paulo e de Goiás, que ocuparam escolas para pressionar o Poder Público a ceder às suas reivindicações, é resultado de uma nova forma de fazer política, iniciada nas grandes manifestações de 2013. Na avaliação do filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Ortellado, essas iniciativas são marcadas pelo distanciamento aos partidos políticos e às entidades representativas de classe.

“Eu acho que faz parte de uma nova maneira de se relacionar com a política, que rompe com aquela maneira da geração anterior, dos movimentos sociais dos anos 70, 80, que se institucionalizaram, juntaram-se com partido político e tentaram conquistar o poder político. Essa nova geração busca se desvincilhar do poder político e reivindicar direitos sociais por meio da pressão externa ao sistema político”, analisa o professor, autor do livro Vinte Centavos: A Luta Contra o Aumento, que analisou as manifestações de 2013.
 
As ocupações, iniciadas na Escola Estadual Diadema, na região do ABC Paulista, na noite do dia 9 de novembro, tinham o intuito de combater a proposta de reorganização escolar, proposta pelo governo paulista. A ação, no entanto, extrapolou a intenção inicial: alcançou cerca de 200 escolas, levantou a discussão sobre a qualidade do ensino nas escolas públicas, derrubou o então secretário de educação do estado, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, e fez com que o governador, Geraldo Alckmin, revogasse o decreto que instituía a reorganização escolar em todo o estado de São Paulo. Em Goiás, chega a 19 o número de escolas ocupadas.

 
Os estudantes assumiram o controle das escolas ocupadas, organizaram-se em grupos (de segurança, de limpeza, de atendimento à imprensa, de alimentação, de alojamento) e passaram a deliberar as ações do grupo por meio de assembleias. O Comando das Escolas em Luta reúne o conjunto dos alunos que fazem parte do movimento e articula a ação do grupo.
 
“A geração anterior fundou um partido político, que é o Partido dos Trabalhadores, e atuou por meio das instituições. Essa outra experiência já foi tentada. Estamos sendo governados por um partido que foi fundado dessa maneira e chegou, mais ou menos, ao seu limite de experiência histórica. E agora, a gente tem uma nova geração, que está tentando um novo caminho, de se organizar, de fazer pressão, fora do sistema político”, ressalta Ortellado.
 
Nas últimas notas divulgadas pelo comando por meio de redes sociais, é clara a opção pela independência aos sindicatos e às entidades que tradicionalmente representam os alunos.
 
“Ocupamos mais de 200 escolas, boicotamos o Saresp [Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de SP], e trancamos muitas vias importantes de diferentes pontos do estado de São Paulo em uma semana, mostrando que nós, secundaristas, não só sabemos nos organizar, mas que temos muita força para além das entidades burocráticas que ele [o governo] está acostumado a dialogar. Tendo isso em vista, só conseguiremos avanços para a educação, e para além dela, se nos organizarmos de forma independente”. 
 
De acordo com o Ortellado, as manifestações dos estudantes podem revigorar o sistema político atual, pouco sensível às reivindicações populares. “Temos agora uma nova geração de políticos que são mais burocráticos, que têm demonstrado muito pouca sensibilidade para as demandas da população. Demandas que terminam por explodir e criar verdadeiras crises nacionais. Foi isso o que a gente viu no caso das escolas, foi o que a gente viu em 2013”, destaca o professor.

 

Redação

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3 Comentários
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  1. ATT

    20 de dezembro de 2015 1:13 pm

    “Temos agora uma nova geração

    “Temos agora uma nova geração de políticos que são mais burocráticos, que têm demonstrado muito pouca sensibilidade para as demandas da população.” Leia-se: a geração dos tucanos… Goiás, SP e Paraná…

    Que estes bravos meninos e bravas meninas sigam conquistando suas justas demandas, expulsando esse bolorento modus operandi que quer destruir com o futuro daqueles/daquelas. A luta continua. 

  2. jura

    20 de dezembro de 2015 11:38 pm

    Nossos comerciais, por favor

    O pior do marketing político é acreditar na própria propaganda.

    Alckmin já deve estar preparando uma supermegahiper campanha publicitária de “esclarecimento” da reorganização escolar concebida por seus novos patrcinadores.

    Tipo assim:

    [video:http://youtu.be/2N8y2SVerW8%5D

  3. Rodrigo Arantes Melo

    21 de dezembro de 2015 12:07 pm

    E a Raquel?

    E a Raquel? (sec. edu. go)…

    Mandou cortar a água dos colégios ocupados.

    Desqualifica os meninos e meninas.

    Põe a PM na porta…foi chocante a linguagem dos soldados com os estudantes “Cadê a maconha?” Perguntou o soldado….

    Só tenho livros, deveria dizer o menino, mas desestabilizado pelo medo daquela farda, ficou por isso mesmo.

    Pois é Raquel, esquece que o que tem para oferecer é pouco e que o foco de tudo isso é o ESTUDADANTE.

    Siga Raquel… o caminho do seu correlato paulista.

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