Filosofia no ENEM e no Vestibular

O Governo do PT fez alguma coisa pela distribuição de renda, integrou parte da população excluída ao consumo. Facilitou o acesso de jovens à Universidade e ao ensino técnico. Sofre, porém, grandes dificuldades ao irromper no debate ideológico. Todos sabemos porquê.

Meios de comunicação públicos inexistentes. Meios de comunicação privatizados poderosíssimos e de extrema direita destilando diariamente em todos os lares ódio à democracia,ao estado laico e ao PT, único partido a arremedar alguma resistência a essa situação. “Institutos”, financiados não se sabe por quem (mas imagina-se) reproduzem as mais horríveis doutrinas de golpismo e treva, ao estilo de gurus tipo Olavo de Carvalho.

Estamos fritos se isso se perpetuar. Os talibans estão se formando. Entendemos que a um governo popular assim cercado não é fácil uma reação. Alguma coisa, porém, tem de ser feita. Recoloco aqui um post antigo sobre a introdução do estudo de filosofia nas escolas.

Não basta aos jovens aprenderem tecnologia e alcançarem um bom emprego ou montarem uma empresa. É preciso que aprendam também a amar a democracia, o bem comum, a separação dos espaços do Estado e da Religião. Aprendam a entender também quão importante é a redução da desigualdade para o bem estar de todos.Nisso o estudo da filosofia pode  auxiliar.

Massificar o estudo da filosofia nas escolas. É um pequeno passo no combate às trevas, penso. Está difícil democratizar os meios de comunicação, fazer a reforma política, fazer uma reforma tributária que tribute realmente os ricos, uma reforma agrária, devido à grande resistência do poder real. O que depende de Emenda Constitucional não será feito com um Congresso de direita.

O que sobra ao Governo fazer? Quase nada. Colocar a juventude para ler e pensar algumas das grandes questões filosóficas (que são as questões da humanidade), acho que ajudaria pelo menos a resistir, aumentar o número de cabeças pensantes. De repente da quantidade vem uma qualidade. E isso não depende de uma PEC.

A Filosofia no ENEM e no Vestibular

A filosofia no ensino fundamental, médio e superior

A filosofia no ENEM, no vestibular e na prova de redação

Imaginem o seguinte:

O Ministério da Educação faz uma pequena reforma curricular no ensino fundamental, médio e superior introduzindo a disciplina Filosofia como uma das prioridades, pelo menos a partir da 6ª série (A LDB –Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei 9394/96 foi modificada em 02/06/2008 em seu artigo 36, pela Lei 11.684/2008  para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos de ensino médio).

Um conselho de filósofos e educadores escolhe os livros de filosofia que os alunos estudarão. Por exemplo: a 6ª série estudará Xenofonte Memorabilia/Recordações de Sócrates, o 1º ano do ensino médio estudará Kant/Fundamentos para uma Metafísica dos Costumes, etc.

O governo mandará imprimir os livros a serem distribuídos nas escolas de todo o Brasil, como já faz com outros livros didáticos.

Formará, também, grupos de filósofos nas capitais dos estados que treinarão os professores das escolas do estado nos respectivos livros. Por exemplo, em determinada vila do Acre há uma escola que precisa ministrar o livro de Xenofonte para os alunos da 6ª série. Como lá não há nenhum graduado em filosofia, escolhe-se um outro professor que fará um curso na capital com uma equipe de filósofos já treinados para treinar professores. Um curso de quinze dias, por exemplo. E com essas informações ele orientará os alunos daquela escola distante no livro de Xenofonte. Em relação à filosofia isso é possível. Difícil mesmo vai ser quando o país quiser recuperar o ensino de línguas clássicas (latim). Vai esbarrar na carência de professores, especialmente nos lugares mais distantes. E para essa área não tem como dar uma formação (quebra-galho) de quinze dias.

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Uma vez estipulados os livros que serão estudados pelos alunos da 6ª série ao 3º ano do ensino médio (há espaço para uns dez, pelo menos), o governo determinará que haverá questões no Vestibular e no ENEM sobre seu conteúdo. Melhor ainda se o tema da Redação for sempre retirado desse conteúdo.

Um sistema semelhante poderia ser instituído para o 3º grau, qualquer curso superior tendo também a sua cota de livros de filosofia clássicos a serem estudados,  modificando-se aí, talvez, a exigência do nível dos professores, que deveriam ser graduados ou pós-graduados em filosofia, sociologia, ciência política, história, etc. 

Conseqüências disso? Em poucos anos os temas filosóficos serão assunto recorrente nas conversas da moçada (das conversas sérias às piadas), desde a cidade de São Paulo até à cidade mais distante e minúscula do Amazonas. Mesmo que o interesse da maioria seja apenas passar no vestibular/ENEM, ainda assim haverá efeitos benéficos, saltos de qualidade na Paidéia.

O detalhe de serem utilizados “livros” e não textos esparsos de filosofia é importante: os jovens terão em mãos, por exemplo, livros de mais de dois mil anos atrás. Terão uma referência de outros livros da antiguidade que não somente os já conhecidos livros sagrados (interpretados com visão fundamentalista). Faz diferença pegar, segurar um livro de Xenofonte ou Platão, ver a sua capa, lê-lo, aprender que ele existe há dois mil e quatrocentos anos. Há um impacto que textos ou excertos desses livros, impressos em folhas avulsas, não têm.

Os filósofos dizem que Xenofonte é superficial… pode ser… Mas seu livrinho Apomnemoneumata, também chamado de Memorabilia e nas traduções existentes em português geralmente denominado Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates,  poderia servir muito bem para introduzir os meninos da sexta série no mundo da filosofia. Nele Xenofonte se esforça para provar aos leitores que Sócrates não merecia as acusações de desonrar os deuses da cidade, introduzir novos deuses e perverter a juventude e vai contando sucessivos episódios que testemunham as suas virtudes. Os filósofos dizem que o livro não trata da filosofia de Sócrates, mas de seu autocontrole. Pode ser, não entendo disso, mas se o livro trata da moral socrática que, por sua autoridade de cidadão exemplar  é elevada a uma ética, como não poderia ser uma espécie de filosofia? Em todo caso, acho que ninguém discorda disso, pode-se aprender muito mais com Sócrates em relação à cidadania, respeito às leis da cidade, à conduta pessoal do que aprendemos nas aulas de Educação Moral e Cívica e OSPB (todo mundo de nossa geração sabe o que foi isso).

Só para ilustração e degustação, insiro abaixo alguns trechos da Memorabilia,  retirados da edição Os Pensadores, da Abril, onde a tradutora reproduziu a tradução mais antiga de Líbero Rangel de Andrade, mudando apenas as palavras anacrônicas, e este refere ter traduzido a partir da versão francesa de Eugène Talbot.

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Capítulo III do Livro I:

“No que se refere ao amor, aconselhava a fugir resolutamente das pessoas belas. Não é fácil, dizia, manter-se prudente em seu convívio. Havendo sabido, certa vez, que Critóbulo, filho de Críton, roubara um beijo ao filho de Alcibíades, rapaz de rara formosura, teve com Xenofonte, em presença de Critóbulo, esta entrevista:

– Dize-me, Xenofonte, não consideravas Critóbulo jovem sábio antes que amoroso indiscreto, homem prudente antes que insensato e temerário?

– Com certeza – confirmou Xenofonte.

– Pois bem, considera-o de agora em diante o mais impulsivo e arrojado dos homens, capaz de desafiar o ferro e afrontar o fogo.

– Que o viste fazer – perguntou Xenofonte -, para acusa-lo dessa forma?

– Pois não teve a temeridade de roubar um beijo ao filho de Alcibíades, jovem de tamanha beleza e vigor?

– Ora, isso é ato de temerário! – retrucou Xenofonte – Creio que eu próprio poderia cometer semelhante temeridade.

–  Desgraçado! – exclamou Sócrates. – Imaginas o que te sucederia se beijasses uma pessoa jovem e bela? Ignoras que de livre, num instante te tornarias escravo? Que pagarias caro prazeres perigosos? Que já não terias ânimo de investigar o que é o belo e o bem? Que haverias de dar cabeçadas como um louco?

– Por Héracles! – retrucou Xenofonte. – Que terrível poder atribuis a um beijo!

– Admira-te? – indagou Sócrates. – Não sabes que as tarântulas, que não são maiores do que uma moeda de meio óbulo, com o simples tocar os lábios causam ao homem dores tremendas e o privam da razão?

– Por Zeus! Bem o sei – replicou Xenofonte -, mas é que, ao picar a carne as tarântulas injetam-lhe um não sei o quê.

– Insensato! – bradou Sócrates. – Não desconfias existir no beijo de uma pessoa jovem e bela algo que teus olhos não vêem? Ignoras que esses monstro que se chama uma pessoa graciosa e formosa é tanto mais temível que a tarântula, enquanto esta fere tocando, ao passo que a outra, sem tocar, mas apenas pelo aspecto, lança à distância um não sei o quê que provoca delírio? Talvez até seja porque os jovens belos firam de longe que se dá o nome de archeiros aos amores. Aconselho-te, pois, Xenofonte, que quando vires uma pessoa bela, fujas, sem sequer te voltares. E a ti Critóbulo, receito-te viajar um ano inteiro: todo este tempo mal dará para curar tua picada.

Era pois de parecer, no amor, que aqueles que não pudessem reprimir seu ardor o mitigassem como a tudo a que o que espírito só atende em caso de imperiosa necessidade do corpo, necessidade cuja satisfação não deve, contudo, impor à alma o menor constrangimento. Quanto a ele, estava tão bem preparado contra semelhantes delírios, que se afastava das pessoas jovens e belas com mais facilidade que outros das pessoas feias e disformes.” 

 

Capítulo VI do Livro I:

“Em outra oportunidade, perguntando-lhe Antifão por que motivo, se se vangloriava de tornar os outros hábeis na política, não se ocupava ele próprio desta ciência, que pretendia conhecer:

– Que será preferível, Antifão – respondeu Sócrates -, dedicar-me apenas à política ou consagrar-me a tornar grande número de indivíduos capazes de a ela se aplicarem?”

Não seria maravilhoso ter a meninada de norte a sul lendo esse tipo de coisa, e comentando, discutindo, reproduzindo?

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Testemunhamos no país as dificuldades para mudanças estruturais significativas e necessárias, em face dos muros levantados pelo establishment. A democratização da mídia, a reforma política recentemente malograda, a reforma agrária, a reforma do judiciário, enfrentam oposição poderosa. Uma reforma estrutural de caráter “gramsciano” como essa poderia não ser uma solução para os desatinos que nos afetam, mas certamente ajudaria a captar mais corações e mentes para o lado de cá, em face dos meios poderosíssimos que captam corações e mentes para o lado de lá, e poderia ajudar a tornar menos estarrecido o angelus novus.

Não sou a pessoa indicada para elaborar essa idéia, afinal não sou da área, portanto corro o risco de estar dando palpite num campo em que já podem estar atuantes muitos estudiosos competentes, da área de educação e da filosofia, com planos  mais factíveis e efetivos. Porém tenho pesquisado nos blogs, jornais, Google, sites oficiais, e não consigo encontrar pessoas ou grupos trabalhando sobre o assunto, por isso resolvi expô-la aqui, na esperança de ouvir de pessoas melhor informadas que eu, acerca de projetos semelhantes já em discussão ou andamento no Ministério da Educação ou outra esfera pública, ou se não os há, gostaria de encontrar pessoas dispostas a aperfeiçoar essa idéia e disseminá-la, quem sabe um dia não chega até os círculos democráticos de poder e ela não é colocada em prática?

Fragmentos para reflexão

Se a ditadura instituiu as disciplinas Educação Moral e Cívica e OSPB, a resposta mais coerente de um governo democrático é reinstituir a filosofia, com força e abrangência.

A LDB –Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei 9394/96 foi modificada em 02/06/2008 em seu artigo 36, pela Lei 11.684/2008  para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos de ensino médio. Recentemente, a Lei 12.796/2013 fez novas mudanças na LDB, o que indica não ser difícil realizar mudanças nessa lei, se há vontade política.

Estudar as nervuras das folhas, o modo como as bactérias ou pequenos animais se alimentam e excretam, reações químicas complicadas (especialmente quando dissociada da prática) para quem não pretende ser um especialista do assunto não faz muito sentido. É mais útil ocupar esse tempo no currículo com o estudo da filosofia que é útil para todos e para a melhora da vida comunitária e das relações políticas.

Vale a pena repetir: Um ponto fundamental é a adoção de livros e não de textos dispersos.

Vale a pena repetir: Outro ponto fundamental é a inclusão da disciplina filosofia nas provas de vestibular e ENEM e a exigência de obrigatoriedade do tema da redação ser retirado dos livros filosóficos adotados.

Diante da treva cerrada e disseminada ser otimista demais não é saudável. Ficar travado também não.

          

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11 comentários

  1. desnecessário, impraticável

    A busca filosófica ,até o século passado, se confundia com a busca pelo novo e a busca pela verdade. A filosofia fracassou nos dois campos, e hoje é letra morta. Um sólido conhecimento em neurociencias ou ciências naturais podem abrir uma perspectiva bem maior ao estudante do que o estudo da filosofia.

    Como um sistema articulado para organização cognitiva e do raciocinio, a filosofia ainda tem sua serventia. Mas num país onde a literatura e a simples interpretação de um texto ainda são tremendamente dificitárias, cabe a pergunta : vale a pena um investimento pesado em filosofia ?

    A filosofia perdeu a capacidade de se renovar e de apontar caminhos, a necessidade pela pratica filosófica surge naturalmente quando o aluno ou o cidadão atinge uma maturidade literária ou um elevado nível na capacidade de interpretação de texto.

    Impor a filosofia em escolas públicas seria um enorme engano . Além de oferecer filosofia de baixa qualidade, o estado estaria impondo um fardo aos estudantes

    • Dizer que a filosofia é letra

      Dizer que a filosofia é letra morta compromete você, que muitas vezes oferece bons comentários nesse espaço (se é que não estou confundindo você com outro comentarista). Filosofia de baixa qualidade é a de tipos como Olavo de Carvalho (que, dizem, nem filósofo é, trata-se apenas de um propagandista de ideologias). Ler e pensar sempre traz aprendizado. Terminologias filosóficas sofisticadas é para profissionais. Massificar a reflexão é para o povo. Seja quais frutos produzirem, o saldo sempre será positivo. Fardo mesmo eu e minha geração tivemos em perdermos tempo com OSPB, Educação Moral e Cívica, decorar as reações químicas, classificar as folhas das plantas, estudar como as amebas se reproduzem e tantas outras coisas inúteis.   

      • caro zegomes,

        Eu cresci lendo filosofia, mas como forma de manifestação humana capaz de apontar novos horizontes e a antiga pretensão histórica de expressão de alguma forma de verdade, a filosofia está morta. Pena que você interprete reações quimicas como decoreba inútil. Sinal que você não entendeu a matéria. Na verdade as ciências naturais são vivas, pulsantes, vibrantes e sedutoras. É esta ciência que nossos alunos precisam nas escolas secundárias.

        A filosofia talvez já tenha morrido no século XIX , quando surgiram os últimos alentos de uma forma de expressão moribunda. Talvez tenha sido Friedrich Nietzche o último dos grandes filósofos (que a rigor escrevia literatura), precedido que foi pelos existencialistas, que nada mais foram do que coveiros da filosofia.

        O último grande filósofo morreu em 2006, Claude Lévi- Strauss. Sobraram alguns engajados como Slavoj Zizek ou ilustres desconhecidos como Peter Sloterdijk. Mas não se conferem a estes, pensamentos originais. Não vou perder meu tempo falando de Olavo de Carvalho, um astrólogo desclassificado, mas muito divertido.

        A filosofia ,hoje, além de decadente , a rigor é inutil. Muito embora eu reconheça seu valor para organizar raciocinio e cognição. O futuro da humanidade estão nas ciências e eu não escondo minha predileção pelas ciências naturais, que penso, deveriam balizar as ciências humanas ,a moral e a ética.

         

  2. Um equívoco do tamanho de um bonde…

    Para começar, impraticável. O que aconteceria seria a inclusao de MAIS UMA disciplina no currículo do ensino médio, que já é absolutamente cheio de disciplinas. Portanto, seria uma disciplina de 2 tempos, com um professor improvisado (nao existem professores de Filosofia em número suficiente), muito provavelmente um padre. Seriam dadas pílulas de história da Filosofia (Sócrates e o “Conhece-te a ti mesmo”, Platao e o mito da caverna, etc), na base da decoreba, coisa que nao ajuda ninguém a pensar; exatamente como é o ensino de Literatura atualmente. E o Zé Gomes nao deve passar pela porta de uma escola há muito tempo, os livros indicados por ele estao fora do alcance até de muitos dos universitários atuais. 

    Muito melhor de que uma disciplina a mais seria uma reformulaçao do ensino de PORTUGUÊS, deixando-se de lado as inúteis aulas de Gramática e centrando-se no ensino de leitura e escrita, incluindo nisso textos de outras disciplinas. Um ou outro texto de Filosofia, de Ciências Sociais, etc., com discussao em turma e escrita de algo a respeito depois (talvez coletivamente, com a mediaçao do professor…). Isso ajudaria a formar a reflexao e a crítica, além de desenvolver a capacidade de leitura e de escrita 

    • Os “pedagogos modernosos”

      Os “pedagogos modernosos” condenam tudo como decoreba. Eles têm a ilusão de que as pobres crianças  (e jovens) saberão por eles mesmos escolher o que é bom, o que compensa aprender. Tudo o mais é autoritarismo pedagógico.  Desdenhar da História da Filosofia… Ô Anarquista Sem Lucidez, se nossos jovens soubessem pelo menos a história da filosofia, estaríamos em outro degrau de educação. É de um narcisismo enorme… A cultíssima acha que História da Filosofia é porcaria. Estamos falando de massificar a reflexão, meu amor, e não de formar profissionais da Filosofia. As pessoas têm sede de sabedoria, tanto que formulam uma exegese da Bíblia, citam trechos desse livro, que para muitos é o único conhecido, achando-se chiques e “fashions” porque podem citá-lo, demonstram que leram, posam de sabidos, e quase sempre com interpretação fundamentalista. Estamos falando de abrir o leque de leituras massificadamente, para fugirmos do mundo de um livro só. Estamos falando de cortar grades curriculares inúteis como decorar (aí sim é decorar) reações químicas, fórmulas de compostos químicos, descrições botânicas e zoológicas inúteis e colocar em seu lugar a leitura de livros filosóficos clássicos. Só você, inteligentíssima, pode ler um livro e entender? Os jovens brasileiros, secundaristas ou universitários não conseguirão, é isso?       

      • É má fé ou falta de entendimento?

        Quem desdenhou da história da Filosofia? Apenas disse que aprender os clichês de história da Filosofia, de um modo necessariamente superficial, nao faz ninguém melhorar a reflexao. E que uma disciplina a mais no currículo já carregado do ensino médio, com professores improvisados — e nao poderia ser de outro modo, pois nao há professores de Filosofia em número suficiente — só serviria para fazer os alunos detestarem Filosofia, como já detestam a Literatura, dada da mesma forma. 

        Quanto à capacidade de compreensao dos alunos atualmente, qual a sua experiência para falar nisso? Sou professora universitária de Linguística, meus alunos sao futuros professores de Português. Como quase ninguém com boa escolaridade anterior escolhe mais o magistério como profissao, meus alunos — universitários — sao fraquíssimos, têm a maior dificuldade de leitura e nao conseguem exprimir o que querem dizer por escrito. Nao estou falando em tese, estou falando do que vejo (e tenho quase 50 anos de professora…). Nenhum deles seria capaz de interpretar os livros que você recomenda para o ensino Fundamental… 

        E quanto ao seu desdém pela Ciência, sem comentários. OK, do jeito que as disciplinas científicas sao dadas, tb sao quase inúteis. Precisariam ser dadas de outro modo. O que exigiria diminuiçao, e nao aumento, do número de disciplinas, para haver mais tempo para cada uma. Mas você parece atribuir à Filosofia um poder miraculoso, de modo que a sua mera inclusao no currículo mudaria tudo. Haja alienaçao.   

        Leitura crítica é indispensável, seja de Filosofia ou nao. Na verdade, leitura crítica da mídia seria muito mais importante… Para melhorar o trabalho com a leitura dos alunos isso seria preciso mudar radicalmente o ensino de PORTUGUÊS, que do modo como é feito, na base da metalinguagem gramatical como um fim em si mesmo, é inútil. 

  3. > Meios de comunicação

    > Meios de comunicação privatizados poderosíssimos e de extrema direita (…)

    Legal, temos meios de comunicação nazi-fascistas no país e não fui informado.

  4. O autor do post viajou na

    O autor do post viajou na maionese estragada geral. Então os meios de comunicação destilam não ódio ao PT (isso já seria um exagero, mas vá lá, faz parte do sentimento do pessoal), mas à democracia? Dá aí um exemplo de “ódio à democracia” divulgado por algum grande meio de comunicação?

  5. Nada contra filosofia, mas…

    Prezados,

    Nada contra filosofia, muito pelo contrário. Mas estabelecer obrigatoriedade de filosofia e sociologia em TODAS as séries do nível médio e NÃO estabelecer carga horária é totalmente inútil e predudicial. Serão matérias com carga mínima, dadas com pressa e com pouca cobrança, já que o professor terá um número elevado de turmas e alunos.

    Há o cúmulo de alunos de cursos técnicos federais de 4 (quatro) anos terem de fazer sociologia e filosofia até o 8° período dos cursos semestrais, quando eles tradicionalmente teriam matérias mais profissionais, pois fazem o curso à noite e estágio profissional durante o dia. Mas, não, eles têm de fazer mais uma disciplina de formação geral, pois a lei não permite a exceção, já que eles fazem o curso integrado ao 2° grau.

    Acho excelente que haja história, geografia, filosofia e sociologia, principalmente se forem bem dadas e no contexto correto. Escolas não formam só para o trabalho. Escolas também formam para a cidadania. Mas escolas deveriam ser organismos pensantes e em transformação, em que professores também pudessem decidir e discutir sobre seus currículos e cargas horárias. Uma legislação horizontal e que impõe somente a ‘presença’ de filosofia e sociologia, pode não atingir o que deveria ser seu objetivo: cativar corações e mentes.

     Abraços

     

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