Sugerido por macedo
Notícia antiga de outubro, não sei se já foi postada no blog.
Da BBC Brasil
“Geração do diploma” lota faculdades, mas decepciona empresários
Por Ruth Costas
Número de instituições de ensino superior mais que dobrou desde 2001
Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.
Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.
“Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)”, diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de “geração do diploma” é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.
“Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria”, diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.
Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.
“Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas”, diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. “Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto.”
Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.
É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.
Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI
Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.
“Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem”, explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.
Causas
Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a “geração do diploma”.
A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.
Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.
“Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim”, diz Pastore.
Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.
“São mais uma extensão do ensino fundamental”, diz McCowan. “E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade.”
Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.
Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.
De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos – de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. “E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda”, prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.
Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil
Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.
“Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos”, diz ela. “E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros.”
Postura e experiência
A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.
“Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.
“Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”
As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.
Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.
“Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra”, diz Cuellar.
Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.
“Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado”, acredita o consultor.
“Tradição bacharelesca”
Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.
De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais – como administração, direito ou pedagogia – enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.
“O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.
Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.”
Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.
“É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.
Rafael Lucchesi concorda. “Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).
Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil – mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.
“Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.
Zero Manning
1 de janeiro de 2014 12:57 pmManagement doentio
Sociólogo francês argumenta: os modernos modelos de gestão constituem uma patologia social, capaz de atrair e seduzir suas vítimas
por Thomaz Wood Jr. — publicado 30/10/2013 06:42 http://www.cartacapital.com.br/revista/772/management-doentio-6717.html
O Capital, último filme do diretor Costa-Gavras, baseado em romance homônimo do francês Stéphane Osmont, retrata as peripécias de um alto executivo de um grande banco europeu, às voltas com golpes e negociatas. Não é a primeira vez que o diretor de filmes icônicos sobre sistemas políticos, como Z (1969) e Estado de Sítio (1972), se debruça sobre o mundo corporativo. Em O Corte (1995), o diretor grego retratou a vida de um executivo desempregado que, em busca de nova colocação, decide matar seus concorrentes. Sua longa filmografia é marcada pela capacidade de identificar e chamar a atenção para questões políticas e sociais sensíveis, produzindo thrillers de narrativa bem ritmada.
Veio também da França, igualmente a denunciar doenças da sociedade contemporânea, o sociólogo Vincent de Gaulejac. O professor de sociologia da Universidade Paris 7, que esteve recentemente no Brasil, tem pesquisado como as mudanças na organização do trabalho submetem os indivíduos a contradições e dilemas morais. Os novos modelos de gestão, disseminados em todo o mundo pelas empresas de consultoria, trouxeram o antigo conflito entre capital e trabalho para o nível psicológico do indivíduo. Os menos capazes em lidar com o contexto são estigmatizados e afastados. Os sintomas são conhecidos: desgaste psíquico, estresse, depressão e até suicídio.
Seu argumento central, desenvolvido no livro Gestão como Doença Social (Editora Ideias e Letras), é que a disseminação das práticas do management constitui fator de instrumentalização e alienação dos profissionais, ao colocá-los diante de paradoxos insolúveis. Os paradoxos estão no centro do modelo: espera-se autonomia, porém dentro de limites restritos; fomenta-se a criatividade, mas a partir de um sistema super-racional; espera-se total comprometimento com a organização, ainda que a possibilidade de demissão esteja sempre presente.
Os novos modelos de gestão fazem crer que somos capazes de atingir desempenhos superiores, conquistar metas e nos realizarmos. Somos capturados pela ilusão narcisista de grandes conquistas. O sistema faz com que percamos o verdadeiro sentido do trabalho e nos orientemos cegamente para o atendimento de metas fixadas pela organização. Reagimos adoecendo e procurando ajuda de médicos, psicólogos e coaches. Acreditamos que o problema nos diz respeito individualmente, não coletivamente.
Gaulejac vê o management como uma ideologia e uma tecnologia de poder, que instrumentaliza e mercantiliza o ser humano. E é difícil de combater, por se mostrar relativamente discreto, neutro e pragmático. Na superfície, o management é constituído por conhecimentos, modelos e técnicas de gestão, a contabilidade, o marketing, a gestão de recursos humanos e as demais disciplinas da administração. Abaixo da linha d’água, entretanto, o management serve para manipular as subjetividades humanas, adequar o indivíduo a um novo padrão de comportamento. Sob a ideologia do management, cada profissional deve se tornar um agente da cultura corporativa, capaz de encarnar a alma da empresa, de agir segundo os interesses do dono: com iniciativa, autonomia, criatividade e responsabilidade.
O management oferece a possibilidade, ou a ilusão, de conquista de poder e de transformar empresas e sociedade. Promete a satisfação dos desejos individuais. A felicidade vem, supostamente, do sucesso e da capacidade de empreender. O indivíduo deve alcançar sempre mais, na busca incessante da miragem da excelência. Cada profissional deve superar seus pares e a si mesmo, continuamente. Busca-se a utopia da qualidade, que, segundo Gaulejac, remete a um mundo perfeito, livre de contradições e conflitos. Em troca, o moderno Sísifo é supostamente recompensado por um efêmero sentimento de autorrealização, até a pedra rolar morro abaixo e ele ter de retomar a tarefa. O novo padrão busca o controle do corpo, da mente e da alma. Avançou por todas as latitudes nas últimas décadas. E segue a passos firmes. Em breve, estará em mais uma empresa, organização estatal ou ONG perto de você!
Obelix
1 de janeiro de 2014 1:01 pmOs caprichos capitalistas.
Prezados e prezadas,
O capitalista, este ser quase etéreo, difícil de identificar, mas cujos atos podemos facilmente sentir na pele (deus?) tem caprichos estranhos, não por coincidência muito parecidos com da liturgia e dogmática cristã: “se tudo deu certo, graças a deus, se tudo vai mal, é escolha ruim do homem que é dotado de livre arbítrio”.
Tem construção “filosófica” mais inteligente que esta para manter um ambiente de dominação? Pois é, acho que não tem.
Agora o problema da produtividade é a baixa qualidade do ensino, e os capitalistas não querem só diplomas, mas, no jargão do RH, empregabilidade, multifuncionalidade, adaptabilidade, e tantas outras capacidades.
Reclamam que os salários cresceram 169% e a produtividade apenas 1,1%.
Bem, estatística é a arte de espancar números até que caibam na sua visão de realidade.
Mas de que base partiu o crescimento de 169%? Quem tem zero e chega a um cresceu 100%, ou estou errado?
Ainda assim, é interessante assistir a disseminação de dogmas capitalistas(tais quais os religiosos) para os fieis. Os defensores do liberalismo e da livre inciativa, e do Estado mínino querem sempre um lucro privado máximo e um prejuízo social máximo.
Dos orçamentos deve vir o dinheiro para “preparar”, treinar, domesticar e colocar a disposição a mão-de-obra que servirá ao capitalista, que por sua vez, exigirá sempre mais e mais gente cada vez mais apta, dizendo-nos que produtividade é um problema endêmico desta má-formação, e não de investimento do capital para modernizar seus processos e, aí sim, treinar e adequar sua mão-de-obra as suas demandas, haja vista que a base (conhecimento formal, diploma) já lhe foi dada de mão beijada pelo Estado.
E o que está por trás disto tudo?
Custo!
Querem milhões de engenheiros e técnicos para que possam pagar três tostões por mês como resultado dos ditames da oferta e da demanda por mão-de-obra.
Ninguém duvida que um país de economia que pretende disputar o mercado de produção de produtos de maior valor agregado tenha que manter uma base de formação que alimente o mercado de profissionais ligados aos setores do conhecimento relacionados a esta visão.
Mas qual seria o sentido de um país historicamente agroexportador como o Brasil, com parque industrial de baixa intensidade e complexidade, que teve sua economia desmanchada pelo Consenso de Washington e seus Chicago Boys do governo FHC, ter milhões de engenheiros e técnicos formados?
Ora, um país com tanta desigualdade, até por ironia, se especializou em formar gente que estude as formas desta desigualdade e quem sabe, a superação delas.
A expansão econômica tem um custo (salários maiores para poucos especialistas) que os capitalistas têm urticárias só de pensar, e que por óbvio, querem repassar aos orçamentos públicos, em um duplo ganha-ganha: colocam a formação na conta do Estado, e depois, com o excesso de oferta, aumentam seus lucros com o rebaixamento dos salários pagos.
Claro, é o Estado que depois vai ter que ter políticas sociais compensatórias para dar conta de satisfazer as expectativas de engenheiros que ganham menos que esperavam.
O que os capitalistas querem é tudo ao mesmo tempo agora, e desde que seja só para eles.
Querem mão-de-obra especializada? Simples, invistam em treinamento.
Hamilton
1 de janeiro de 2014 3:27 pmEspancando, mas nem tanto.
“Quem tem zero e chega a um cresceu 100%, ou estou errado?”
Está errado.
Obelix
1 de janeiro de 2014 4:17 pmPrezado Senhor,
Como
Prezado Senhor,
Como comentarista novato em blogs e que tais, tenho uma visão bem particular dos comentários sobre comentários:
Eles, invariavelmente, alimentam a essência deste espaço, que é promover livres debates de ideias, por mais tacanhas que sejam ou possam parecer.
Alguns refutam os comentários ad hominem. Eu, a meu jeito, não. Acho que eles também servem para situar campos de disputa e limites para tolerência (alguns comentários são toleráveis e outros não, e em última instância é o julgamento do editor que determina a referência).
Você tem todo o direito de discordar que dois e dois são quatro. Mas para não parecer idiota, tem que provar o contrário.
Assim sendo, se você não tem nada ou sua base de referência é nula, como aconteceu com anos de achatamento salarial e retração da participaçãod a renda sobre o PIB nacional, qualquer avanço vai revelar números espantosos de crescimento, se colocado em escala linear.
Bem, sendo esta a maneira mais polida que encontrei de me referir a um comentário tão desprovido de conteúdo quanto o seu, porque afinal, fiquei curioso.
Pergunto:
Se você tem zero laranja e ganha uma laranja, seu crescimento em se tratando de laranja é 100%, caso discorde, explique-nos o porquê. Ah, não vale o truque de dizer que o dado comparativo é resultado da base de circulação (o volume de laranjas de outras pessoas), eu considerei isto quando me referi a ganho salarial porque não há nada na economia que tenha a mesma natureza, e mais ainda, o texto fala em crescimento dolarizado, ou seja, equiparou as referências de valores e correções em uma grandeza absoluta: dólar.
Ou seja, me prove que os 169% de crescimento dolarizado não se referem a uma base reprimida, e que portanto, qualquer mexida dá índices estratosféricos.
Fique à vontade, temos bastante tempo.
Hamilton
1 de janeiro de 2014 6:15 pmMatemática
100% de zero é zero.
Se um escravo recebe um aumento de 100%, continua sendo um escravo.
Sua arrogância parece não ter limites.
Mariano S Silva
1 de janeiro de 2014 7:16 pmExato! Se você tem uma
Exato! Se você tem uma laranja e ganha mais uma, o crescimento de suas posses é de 100%! Se você não tivesse laranja alguma e ganhasse uma, então o crescimento de suas posses seria de um número que tenderia a infinito por cento. A razão é que crescimento é produto como você bem o mencionou.
Obelix
1 de janeiro de 2014 7:32 pmE se for um ganho de 1 sobre 1 que somam 2, satisfeito?
Prezado amigo,
Desculpe se me fiz por arrogante, embora por mais que eu tente ser diferente, sabemos que é sua interpretação do que digo que será fixada por você quando comenta.
Como diz Pierre Bordiueu, “o que fixa o discurso é o ouvido não a palavra”.
Mas veja, não estamos tratando de quem tinha zero e ficou no zero. Estamos a considerar quem não tinha nada e agora tem 1.
Parece um conceito simples, mas muita gente mais inteligente que você (e eu) tenta manipular estes fatos para resultar em matérias tendenciosas como esta.
Então, mais importante que esta nossa discussão tola sobre zero e um, é você perceber(acho que percebeu) que tomar como referência bases retraídas para dizer que houve um estrondoso aumento, a fim de impor uma compreensão só funciona com tolos.
Acho que não é o seu caso.
Mas se te agrada, então mude o que escrevi e leia assim: se eu tenho 1 e no ano seguinte chego a 2, é um crescimento de 100%, mas não quer dizer que tenho muito.
Espero ter me despido da minha arrogância, embora eu jure que foi acidental.
Não cultivo a desconsideração da opinião alheia, ainda que a considere tola.
Anarquista Lúcida
1 de janeiro de 2014 10:58 pmVc merece 10 em Matemática e 0 em interpretaç d textos e argumen
Matematicamente você está certo. Porém a interpretaçao do que o outro disse era clara, e você, em vez de contrapor com argumentos, vem com isso. E ainda o chama de arrogante, quando a arrogância foi toda sua.
Almeida
1 de janeiro de 2014 11:45 pmMatemática II.
Sacalzinho/Maga Patológica, a Morgana de Programa/Xacal, o samango/ e agora Obelix, sua nova fase “light”; muda o nome mas continua o mesmo arrogante de sempre. Um semianalfabeto que fugiu da escola e se mete falar, dar palpites, em coisas que não tem a menor intimidade:
“Se você tem zero laranja e ganha uma laranja, seu crescimento em se tratando de laranja é 100%, caso discorde, explique-nos o porquê”.
Você podia ter começado o ano sem essa… Com esse “conhecimento” de matemática, como é que quer convencer, que entende de economia?
Rasgue sua fantasia infantil, “Obelix”, volte para os bancos escolares; deve existir ainda algum Mobral na sua província fedorenta. Todo mundo aqui já manja quem é você, “Obelix”/Sacal; pare com essas palhaçadas de subliteratice barata. Vá se tratar, ou então, vá se P*H*O*D*E*R*, com PH, sua arogância, estrelinhas e tudo.
Comete erro de Aritmética elementar e quer posar de “profundo” e “arguto” conhecedor, dos problemas educacionais nacionais. Pego no flagra de sua douta ignorância, a saída é citar Bourdieu, blá-blá-blá, piriri, pororó… para disfarçar a tremenda mancada e mostrar uma pretensa ilustração, de quem capaz de escrever gato com jota e afirmar com convicção arrogante: que um é cem por cento de zero. E ainda desafia a ser contestado.
Um samba que descreve o Sacal/Obelix:
[video:http://www.youtube.com/watch?v=fdd5Qkq0J70%5D
Obelix
2 de janeiro de 2014 12:32 amUm apelo a moderação do blog.
Senhor Nassif,
Eu não entendo em quê um comentário destes ajuda a construir um bom ambientes de debates. Mas como a palavra última sempre será a sua, fica aí o alerta.
De minha parte, nada me incomoda, aliás, o incomodado mesmo parece ser quem destilou tanta fúria.
No entanto, pelo que aprendi na convivência aqui, este não é um comportamento incentivado, ou é?
Almeida
2 de janeiro de 2014 2:48 amMas foi um sambinha à-toa.
Um tributo a quem disse: “Quem tem zero e chega a um cresceu 100%”. Se é para ficar zangado, fique com você mesmo, com quem disse a besteira e ainda insistiu em reafirmá-la com empáfia, do alto de sua arrogância convicta e inconteste.
Vá lá, Orora, digo, “Obelix”, relaxe e curta um pouquinho mais do Jorge Veiga:
[video:http://www.youtube.com/watch?v=JeHirz9OIL8%5D
Anarquista Lúcida
2 de janeiro de 2014 3:41 amUm primor d preconceito linguístico! Jamais esperaria isso de vc
Argh! Preconceito linguístico é tao grave quanto racismo, machismo, homofobia, etc. É anti-povo, e NAO TEM NENHUMA BASE CIENTÍFICA! Se você está incriminando o outro por nao saber Matemática e falar a respeito, nao devia falar de assuntos de língua, por disso é você quem nao entende nada…
Que pena, N. Você continua usando de qualquer arma para ganhar uma discussao, e deixa a raiva correndo solta. Pena mesmo.
Anarquista Lúcida
2 de janeiro de 2014 3:37 amPô, N, q arrogância! Agora p/ comentar tem teste de matemática?
Ofender outro comentarista por questoes de escolaridade é o fim da picada!
Almeida
2 de janeiro de 2014 4:59 amVeja o contexto.
De modo algum Hamilton, aí acima, se mostrou arrogante. Ele apenas fez uma observação sobre a frase do Sacal:
“Quem tem zero e chega a um cresceu 100%, ou estou errado?”
Observou de forma singela:
“Está errado”.
O arrogante, em vez de reconhecer o pequeno erro, voltou a carga de forma desafiante e com empáfia:
“Se você tem zero laranja e ganha uma laranja, seu crescimento em se tratando de laranja é 100%, caso discorde, explique-nos o porquê”.
Errar é humano e insistir no erro é burrice mesmo; o cara não se limitou a ser burro e ignorante em matemática, quis se mostrar superior e com absoluta razão em defender seu erro, quando poderia se desculpar e se fazer entender melhor, reconhecendo seu equívoco. É um idiota, a pior forma do ignorante, o ignoarrogante, aquele que quer afirmar-se na sua estupidez, quando está completamente equivocado. Merece desprezo e o tratamento como o pior tipo de analfabeto – que me perdoem os outros analfabetos, a comparação com um estúpido desses – zombei de uma cretinice de quem quer se mostrar um sabichão, um “profundo conhecedor” de economia, sem conhecer aritmética elementar.
Tenho grande admiração por figuras como Espártaco, o Zumbi dos Palmares, Touro Sentado e seus companheiros; consta que nenhum deles era alfabetizado. Quanto ao samba Orora Analfabeta, reclame com o Gordurinha, ou talvez com o Macalé:
[video:http://www.youtube.com/watch?v=USZ008qK3aA%5D
Anarquista Lúcida
2 de janeiro de 2014 7:14 pmVc só deu metade do contexto…
O Obelix fez um comentário com um erro matemático, mas com um argumento válido (concorde-se ou nao com ele). O Hamilton fez ouvidos surdos ao argumento em si — podia discordar dele, mostrar que a metáfora nao se aplicava, qualquer coisa, mas escolheu nao considerar — e desviou do tema, se apegando ao erro matemático. E você entrou pelo mesmo atalho, ainda por cima postando um vídeo que era um primor de preconceito linguístico. Que Gordurinha e Macalé tenham criado isso em outros tempos é lastimável, mas o preconceito aberto — de todos os tipos, inclusive racial e machista, veja-se O teu cabelo nao nega e Essa mulher há muito tempo me provoca — tinha entao mais aceitaçao social. Postar isso aqui agora é subscrever algo que eu sei que você nao subscreve, N. Mas a cada vez que discute, transforma o oponente em inimigo e parte para cima humilhando e ofendendo. Isso nao é legal, nao é construtivo.
Nao sei se o Obelix é realmente a Morgana ou o Xacal (os 2 nao deve ser, porque nao creio que sejam a mesma pessoa; a Morgana eu creio saber quem é, alguém lá do Portal, se você prestar atençao você reconhecerá). Se for um dos 2, realmente nao é flor que se cheire. Mas, neste caso específico, nao manifestou isso. Senso de justiça é importante.
Marcos Chiapas
1 de janeiro de 2014 4:49 pmQuem embalou Mateus…
A opção pelo desenvolvimentismo de resultados rápidos e altos índices de aprovação e vitórias eleitorais cobra seu preço.
A ideologia do trabalhsimo que ora vivemos é essa mediocridade mesmo, fornecer mão-de-obra para a burguesia e garantir um restorno mais-ou-menos.
Quem incentivou as corporações, inventou campeões nacionais ou financiou transacionais que se vire e arrume mão de obra a custos mais-o-menos.
Ou senão eles podem migrar para a China, onde o Estado entrega sim, a cada ano, 800mil engenheiros, contra nossos 25mil, e a maioria Civel que não consegue projetar uma meia-água.
Obelix
1 de janeiro de 2014 5:07 pmPrezado Senhor,
Agradeço a
Prezado Senhor,
Agradeço a gentileza de replicar sobre comentário meu.
Mas, infelizmente, temos visões de mundo (e da política, principalmente) que são irreconciliáveis. Assim como não debato com neonazistas ou romanos, não discuto com ultraesquerdistas, nem religiosos.
Embora me considere alguém que esteja no campo da luta anticapitalista, sei que para o povo pobre faz diferença estar no Brasil ou em Bangladesh, ainda que eu reconheça todos os limites das ações dos governos frente as imposições quase fatalistas do arranjo capitalista global.
Sendo assim, seu comentário é como um relógio quebrado, que pode marcar a hora certa duas vezes no dia, mas de nada nos serve como orientação.
Mais uma vez o Senhor erra o alvo, aliás, como fizeram em 64, ou em cada crise institucional ou econômica ao longo da História, por erros de avaliação, escolhem governos populares como inimigo preferencial e fazem o agrado das elites.
Boa sorte no seu intuito “revolucionário”.
Passe bem.
Marcos Chiapas
1 de janeiro de 2014 11:49 pmAnticapitalista ?
Todos os seus conceitos são capitalistas, como você é anticapitalista.
Como disse nosso Niemeyer, você é só mais um desses idiotas que passarão a vida tentando melhorar o capitalismo, o que é uma tarefa impossível.
Tipinho de teórico pequeno burguês que até sente muito pelos pobres ( aliás, pobreza é conceito relativo só conseguido a partir de um pensamento capitalista burguês ) mas não está afim de abrir mão de sua posição medíocre na sociedade em favor destes, achando que conseguirá, como por mágica, através de suas teorias de melhoramento do capitalismo, que o Estado burguês consiga fazer com que a classe dominante abra mão de seus previlégios.
Haja paciência com essa gente.
Obelix
2 de janeiro de 2014 12:25 amPrezado Senhor Marcos,
Há um
Prezado Senhor Marcos,
Há um enorme desperdício de tempo de Vossa parte (e da minha, que insisto em lhe responder). Sua opinião sobre minha coerência ou falta dela (no seu entender) pouco me importa, ou melhor, me importa sim: se Vossa Senhoria me elogiasse, creia que eu correria para rever cada posição minha.
Ou seja: agradeço por funcionar como uma referência. Cada ofensa, cada rosnado de Vossa Senhoria me convence que estou do lado certo, no caminho certo.
Engraçado mesmo é ler você digitando em um veículo capitalista (um fetiche, a internet), dominado por empresas capitalistas, cujo idioma oficial é o inglês, e provavelmente monitorado pelo estamento militar capitalista (NSA e outras agências) em um blog de centro-esquerda, dizendo-se revolucionário.
Você não deveria estar em alguma caverna organizando um assalto ao palácio de inverno, teclando algum telégrafo ou algum tambor primitivo para comunicar-se com outras células revolucionárias?
Afinal, qual é o limite da coerência para usarmos o capitalismo e suas contradições contra ele mesmo? Só aquelas que fervorosos fieis como você definem ser corretos?
Eu não vou negar: você é um cara divertido, de uma maneira estranha, mas divertido.
PS: Niemeyer foi um grande homem, pena que boa parte de suas obras enfeitaram os sonhos urbanísticos e símbolos do capitalismo, ou será que o Sambódromo é um gesto revolucionário? Será que ele imaginava que o capitão Guimarães (da LIESA) ia aderir a causa e trazer os recursos da “loteria popular”? Pode ser.
airam
1 de janeiro de 2014 8:01 pmCrescimento de 169% nos salários
Vamos colocar de outra forma: o slário médio era US$ 1,00 por dia; passou a ser US$ 3,00 por dia – aumento de 200%. Agora, se sustente com US$ 3,00 por dia…
Nicolas Crabbé
1 de janeiro de 2014 8:55 pmAh se fosse tão simples…
Meu caro Obélix, como você bem disse, a questão toda é custo. Se o salário aumentar mais do que a produtividade, num mercado competitivo onde a possibilidade de repassar aumentos de custo aos preços é mínima, a viabilidade financeira do negócio ficará comprometida.
Por menor que seja o salário inicial, um aumento de 170% sem aumento correspondente da produtividade tem um impacto gigantesco na estrutura de custo de qualquer empresa.
Você diz que basta as empresas treinarem seus funcionários para resolver o problema. Eu lhe pergunto, qual é a proporção da população que tem condição de assimilar conceitos complexos, para por exemplo aprender a operar uma injetora de última geração ou programar um robô de 3 ou mais eixos? Infelizmente boa parte da população brasileira tem formação básica tão deficiente que não tem condição de assimilar essas informações, por mais que a empresa tente treiná-los.
O problema vem da educação básica, de péssima qualidade, com poucas exceções, passando pelo ensino médio, cujo nível também é lamentável. Sem um trabalho de fundo sobretudo na educação básica, as chances de termos pessoas saindo da faculdade com boa formação são mínimas. A ênfase atual nas estatísticas de quantidade de formados não pode esconder que a qualidade é geralmente muito baixa, incompatível com um nível universitário.
Obelix
1 de janeiro de 2014 9:06 pmPor partes.
Prezado amigo, grato por perder seu tempo com este gordo gaulês.
Mas vamos as questões tão bem levantadas por você:
01- Você chegou, talvez sem querer, a um dos paradoxos centrais do capitalismo: se ele aumentar salário sem produtividade, ele colapsa, mas se ele enxugar a base salarial com aumento da produtividade (que por sua vez diminui a necessidade quantitativa de trabalhadores, já que um que produz mais supre as horas trabalhadas dos outros, e/ou gera excedentes de produção) temos uma crise de consumo e super oferta, que também trava o sistema.
Logo, apesar de todos os avanços experimentados pela Humanidade sob o capitalismo, ele, como dizia Marx não é viável por si mesmo. Mas este é um debate mais avançado que não cabe em tão poucas linhas.
02- A outra questão á mais pragmática: Um ciclo educacional exige tempo, e como esperar que instantaneamente, uma economia que nunca viu robôs de três eixos até ontem, consiga despejar pessoas capazes de aprender estes conceitos? Qual seria a utilidade mesmo de termos estas pessoas na ausência de robôs? Masoquismo educacional?
A educação técnica e especializada vem como decorrência da demanda econômica, e não o contrário.
Esta é uma historinha que os capitalistas nos contam, para “culpar-nos” pelas escolhas geográficas que eles fazem para seus investimentos, e que geram desigualdades ao redor do planeta.
É de se perguntar: Se 100 fábricas de compenentes eletrônicos de alta complexidade, por razões de logística (energia, fonte de matéria-prima, etc) decidirem instalar suas plantas na Bolívia ou no Butão, será culpa dos governos locais não terem treinado sua gente à espera incerta deste “milagre capitalista”?
Um abraço.
Jaime Balbino
1 de janeiro de 2014 2:06 pmO tom apocalíptico inicial da
O tom apocalíptico inicial da reportagem não condiz com a analise, especialmente no final. De fato precisamos de mais engenheiros e esse é o ponto fundamental da reportagem. Pena que tergiversem tanto para falar isso.
Vania Cury
1 de janeiro de 2014 2:13 pmConcordo com o Obelix. E onde
Concordo com o Obelix. E onde ficam os “empresários” nisso tudo? Fazendo suas queixas de sempre e contratando consultorias de araque que sempre lhes dão mais do mesmo?! E não têm nenhum compromisso com a formação de sua força de trabalho, querem tudo de mão beijada, providenciado pelo Estado que, além de tudo, tem de ser “mínimo”?! É um caso de piada pronta.
Quando vejo um jovem rejeitar ou não se encaixar no “perfil corporativo”, juro que acho um sinal de saúde mental: afinal de contas, o ambiente profissional (e pessoal) nessas grandes corporações é de arrepiar, de tão agressivo (por um lado) e tedioso (por outro). Pela minha experiência, vi coisas do arco da velha. No caso, o que não está dando certo não é a formação educacional no Brasil, apenas, é a estrutura produtiva centrada nesses grandes grupos corporativos que criaram um mundinho de faz de conta, no qual acreditam que todos devem se integrar. Quem não se adapta, enfim, é que está errado. É inacreditável!
José Robson
1 de janeiro de 2014 3:09 pmE eu concordo contigo!
Não sei se vou dizer besteria, mas, enfim, ao que me parece, a tal “reengenharia organizacional” das últimas décadas meio que criou um “ambiente de facebook corporativo”, ou seja, o melhor dos mundos! E ai daquele que se dispõe a contrastar: fica com pecha de eterno rejeitado!
robertog
1 de janeiro de 2014 3:48 pmOlhando “do outro lado do
Olhando “do outro lado do balcão” – da escola de engenharia – nunca tivemos alunos tão fortes e ativos, pelo menos nos 30 anos que dou aula. Acho que a matéria reflete a tendência muito comum dos RHs e anexos em desvalorizar as escolas para valorizarem concomitantemente os seus treinamentos empresariais e a sua qualificação em detrimento da nossa. É do jogo, não se pode reclamar, mas aqueles que estão tendo a primeira aproximação ao tema precisam levar em conta essa circunstância.
E, além disso, é fácil acionar esse sentimento anti-intelectual que brota fácil da sociedade brasileira. E há figuras carimbadas para ligar essa chave, como José Pastore, sempre disposto a esse serviço.
DUDE
1 de janeiro de 2014 4:07 pmQuatro pontos:
O primeiro:
O
Quatro pontos:
O primeiro:
O ensino fundamental. Está muito ruim. Demais de ruim, máxime pela não exigência de aprendizado para “passar de ano”, ou seja, a confusão estabelecida no conceito de progressão continuada com a aprovação automática. Não há exigências porque o Estado não tem condições de manter escolas para aqueles que não reúnem condições para a aprovação e construir mais escolas, dizendo que haveria fuga das escolas, ou seja, exclusão. Mentira. Exclusão está havendo e de milhares de crianças e adolescentes que teriam condições de triunfar na vida, se cobrados no aprendizado.
Segundo.
O ensino não pode ser apenas profissionalizante, como os empresários gostariam que fosse. É importante aprender uma profissão e parece que o governo acordo, com o Pronatec, mas não podemos deixar de lado a formação cultura e cívica de nossos alunos. É importante que, ao lado, do profissional, seja acompanhado da cultura e das noções de cidadania.
Terceiro.
As faculdades ecoam o mal ensino fundamental, mesmo passando pelo colegial, também ruim. Somente universidades que buscam a excelência e exigem de seus alunos é que atendem a necessidade do País, onde os alunos que conseguem nelas ingressarem estão preparados para a etapa que se sucede.
Quarto.
De fato, as faculdades e universidades brasileiras, na grande maioria, ainda estão naquela do bacharelismo, deixando de preparar seus alunos para a vida. Há algum tempo, conheci um jovem que se formou em agronomia na Unesp Botucatu. Seria, ali, a excelência do ensino. Porém, havia muita teoria e pouca prática. Resultado, o jovem não conseguiu trabalho, por falta de exigência de prática, o que a escola deveria oferecer. Acabou fazendo novo curso para poder dar aulas, o que é inconcebível. E se entrasse naquela tempo no mercado, teria que aprender a prática no próprio serviço, o que é inadmissível.
Anarquista Lúcida
1 de janeiro de 2014 11:04 pmAprender a ‘prática’ no serviço nada tem de inadmissível
As universidades nao podem, nem é funçao delas, preparar os alunos para as mil particularidades das diversas necessidades das empresas. Elas têm que fornecer uma formaçao básica sólida na área, que dê aos alunos a capacidade de “afunilar” essa formaçao para as necessidades específicas da empresa que o empregue.
Alacir
1 de janeiro de 2014 4:16 pmConsequências
Que há falhas no processo educacional brasileiro, com consequências no mercado de trabalho, não se pode negar. A que mais me impressiona é a falta de técnicos e pessoal de exatas. Tenho uma sensação estranha cada vez que ouço um jovem falando que vai prestar Direito ou Administração.
Mas também há outros fatores que empresários e gerentes de RH não podem negar. É fácil apresentá-los como uma geração alienada, em que o estagiário quer ser logo o diretor. Mas por que esse comportamento?
Essa geração é a dos filhos, sobrinhos e irmãos mais novos das “revolucionárias” soluções de reengenharias, downsizing, etc. Veio da boca dos especialistas o resumo do que se quis fazer: criar o sujeito “Você S.A.”. Tive certeza que a coisa era feia quando resolveram fazer uma revista com esse nome.
Qual a vantagem de “vestir a camisa da empresa”? Qual a vantagem de passar anos trabalhando duro sem saber se um dia será recompensado (na verdade, a probabilidade maior é de que nunca seja)? A realidade do mercado de trabalho: ao se aproximar dos quarenta anos, você deve ser diretor, ou ao menos estar numa gerência importante e com uma poderosa rede de “networking”. Caso contrário, aumentará a cada ano sua chance de estar nos inevitáveis e cíclicos cortes. E essa geração, para o desespero de muitos, sabe disso.
Sane também o quão pernicioso pode ser o ambiente corporativo, com toda sua competitividade e regras não-escritas, para sua própria saúde e integridade. E que simplesmente não vale a pena adoecer por causa do trabalho.
Me mostre o resultado agora, ou você perde. O mundo é competitivo. Os jovens muitas vezes estão falando isso às empresas. E isso foi apenas o que eles aprenderam (e aqui, há fatores culturais envolvidos, vai além da questão do mercado de trabalh0).
Eu sei que é utópico, mas os “teóricos de RH” e empresários em geral poderiam ao menos assumir, uma vez: estamos colhendo aquilo que plantamos.
Filipe Rodrigues
1 de janeiro de 2014 4:42 pmO Brasil reduziu o desemprego
O Brasil reduziu o desemprego a níveis históricos, mesmo assim o número de empregos de alta qualificação é muito baixo (menos na engenharia, medicina, administração pública) comparado aos empregos que pagam pouco (a grande maioria).
O país está crescendo com o fortalecimento do mercado interno (o que é muito positivo), porém cometeu erros: câmbio muito valorizado durante muito tempo, ausência de regulação do estado em algumas áreas e falta de plano de desenvolvimento ou planejamento a longo prazo (como existia entre 1930 a 1990). Todos esses erros características do neoliberalismo.
Basta lembrar que nos protestos de junho, a geração diplomada é que comandou a insatisfação…
leonidas
1 de janeiro de 2014 4:58 pmclaro o erro é SEMPRE DOS
claro o erro é SEMPRE DOS OUTROS ainda que o governo atual ” nao neoliberal ” ja tenha 12 anos na estrada e NAO TENHA ADOTADO POLITICA DE ESTADO NO TRATO DA EDUCAÇAO afinal de contas a coisa esta assim pq educaçao sempre foi tratada com “pressa ” e demagogia , o negocio é fazer faculdades e escolas e obviamente aumentado o numero de vagas
isso NAO É O MESMO QUE INVESTIR EM EDUCAÇAO mas para o povao voga como sendo
investir em educaçao vai alem de fazer escola/faculdade ( isso quando esses predios dispoe de estrutura para sua finalidade algo raro ) passa por valorizar o corpo docente dando salario digno, condiçoes de trabalho ( infraestrutura ) e recuperar a autoridade do mestre em sala de aula
Mas isso tudo da trabalho né?
Gasta dinheiro demais, e pior de tudo, exige politica de estado ( longo prazo ) e vc nao pode apresentar resultado em 4 e 4 anos né?
entao melhor fazer estatutos, cotas, apelar para demagogia, ou falar que o problema é TODINHO DOS NEOLIBERAIS …rs
José Ayres Lopes
1 de janeiro de 2014 6:22 pmclaro o erro é SEMPRE DOS
Você não sabe como a Educação está organizada no Brasil e apressa-se em criticar o governo federal.
A básica está na mão do município, a intermediária está na mão dos Estados. Esta formação é a que ensina a escrever, a entender o que se lê e o que se escreve, etc. Entendeu?
Além do mais, as empresas choram porque querem tudo prontinho, de graça. Não querem investir um centavo no treinamento das pessoas.
Meu caro, se você não é um desinformado, você é um ingênuo.
C. Khosta y Alzamendi
1 de janeiro de 2014 6:47 pmEle sabe…
Ele sabe, “faz-se de besta”, como diria meu velho…
leonidas
1 de janeiro de 2014 6:58 pmingenuo né?
rs
sei…rs
de
ingenuo né?
rs
sei…rs
de fato eu estava brincando, nao ha atalho nenhum no trato com a educaçao e sobra seriedade por parte do governo no trato com o assunto
ficou melhor assim?
kkkkkkkkkkk
Chris
1 de janeiro de 2014 9:37 pmO Leônidas tem razão
Eu sei que o Leônidas antagoniza com a corrente política de muitos aqui do blog, mas acredito ainda no debate de idéias livre, sem rótulos e sem entrar no clima de torcida organizada. Enfim, entrando no mérito da questão: este post é o mais importante que li aqui nos últimos tempos, ele traduz simplesmente que a realidade educacional não se muda com “números e estatísticas ” e nem mesmo com a bem intencionada política de cotas – completamente alinhada com a finalidade de inclusão social mas que despreza a qualidade educacional.
A base é fundamental e imprescindível, uma arvore forte não cresce com a raíz podre.
se a educação básica é atribuição dos estados e municípios e ela é extremamente falha, o governo federal não pode simplesmente lavar as mãos e achar que tudo vai se resolver no ensino superior ( teremos sim, belos números e estatísticas ). Eu nunca vi professor de cálculo numérico ter que ensinar função , logarítmo… não dá pra construir casa sem alicerce e não sou eu que digo, a realidade ( ou o mercado, como queiram) é quem diz. O problema é óbvio e a solução também : ou se prioriza o ensino básico de qualidade , ou não vamos chegar a lugar algum com cota, enem ou qualquer intervenção no fim do ciclo educacional.
coincidentemente, hoje a minha irmã, que faz enfermagem, comentava durante o almoço que estava horrorizada com o nível das respostas de alunos de medicina num curso que faziam em conjunto na UFF sobre primeiros socorros … o pior é que sao esses que vão nos atender amanhã e criticar a qualidade dos médicos cubanos.
Filipe Rodrigues
1 de janeiro de 2014 9:07 pmO neoliberalismo sempre quis
O neoliberalismo sempre quis precarizar e commoditizar tudo, em nome da livre-iniciativa.
Para seu consolo, um sistema tão ruim quanto o socialismo da Alemanha Oriental ou da Coréia do Norte.
Daniel Coder
1 de janeiro de 2014 6:56 pmFederalizar
Tinha de federalizar. Estados e municípios tem feito sua parte de maneira displicente no que diz respeito á ensino fundamental e médio. Se o aluno chega no superior sem saber ler e escrever é porque não lhe foi ensinado antes. Essa geração do diploma pegou uma escola onde vc precisa apenas ir, estar nas aulas. Não tem mais mérito, cobrança de responsabilidades, nada. O aluno não é incentivado a formar uma opinião, buscar uma informação, uma opinião contrária à sua. Tudo virou estatística, números. Taí o resultado: profissionais que não sabem o mínimo do seu idioma natal, mas oficialmente considerados aptos a desempenhar uma função técnica.
Sem federalizar, a culpa é sempre dessa entidade abstrata chamada “governo”. Um empurra pro outro e ninguém resolve nada. Eu esperei isso do PT, mas não aconteceu. Não sei politicamente qual seria o desafio, mas nunca ouvi ninguém do governo federal cogitar essa possibilidade. Nas mãos de estados e municípios não está funcionando há muitos anos.
Anarquista Lúcida
1 de janeiro de 2014 11:10 pmFederalizaçao é varinha de condao?
Como o governo federal iria gerir tudo no Brasil inteiro? Teria de qualquer maneira de passar pelos estados e municípios. Federalizar simplesmente pioraria o ensino federal (pela necessidade de reduzir os salários dos professores federais), sem melhoria nenhuma no todo.
Daniel Coder
2 de janeiro de 2014 2:02 amComo, foi o que eu disse não
Como, foi o que eu disse não saber qual o desafio político. O que eu tenho certeza é que do jeito que está não funciona e que pior não fica.
Eu sinceramente esperei isso do governo federal porque há anos os neoliberais tem estragado a educação por onde passaram. Uma idéia, projeto ou qqr coisa pra mudar a situação. Hoje, não tenho mais esperança nesse sentido com este governo.
Ilya Ehrenburg
1 de janeiro de 2014 7:18 pmContratem pessoas com mais de
Contratem pessoas com mais de 40 anos, que este drama acaba… Sim. Aqueles mesmos, cujos curriculos são jogados no lixo no momento que se percebe a data de nascimento recuada no tempo.
😉
-Charlie-
1 de janeiro de 2014 7:24 pmNenhuma novidade para quem
Nenhuma novidade para quem conhece as UNIBANs, UNINOVEs e ANHANGUERAs da vida…
A grande verdade é que, salvo honrosas exceções, não temos universidades do Brasil. Não há pesquisa, não há produção de conhecimento científico. O que há existe são “escolões” de terceiro grau, fábricas de diplomas, onde os professores despejam a matéria e pronto (nenhuma crítica aos professores; o modelo é que está errado).
Os alunos, por sua vez, não são estimulados (nem parecem interessados) em participar da construção do conhecimento, são seres passivos, que meramente absorvem (ou não) aquilo que é passado. A maioria está preocupada apenas em ouvir sertanejo “universitário” e a idolatrar babacas da estirpe de Gentili et caterva.
A educação superior virou mera mercadoria, business. Mais um negócio nas mãos dos empresários picaretas que infestam o país.
Com o beneplácito do governo, como sempre.
crisbr
1 de janeiro de 2014 8:37 pmBoa Matéria feita pela da
Boa Matéria feita pela da BBC bem fundamentada e profunda ouvindo diversas opiniões sem conclusões antecipadas.
Obelix
1 de janeiro de 2014 8:56 pmEducação: algumas considerações.
Prezados, resgatei o comentário de outro post, onde o publiquei por engano (com pequenas mudanças).
Desculpem minha insistência no tema, mas creio que o debate enveredou por um caminho profícuo, saiu da educação profissionalizante e voltada a ciência exata aplicada no campo produtivo, para questões como pacto federativo e atribuições, resvalando na questão da qualidade da educação.
Primeiro é bom que se diga: Nenhum país com as dimensões do nosso, com aspectos regionais tão específicos (embora coesos ao todo nacional), com arranjos institucionais tão diferentes ao redor deste território, onde cidades com 500 mil ou 1 milhão de habitantes fazem fronteira com outras de 20 ou 30 mil habitantes, estados maiores que países, e estados menores que cidades, poderá federalizar a gestão de políticas públicas de educação.
O que não quer dizer que devemos abandonar a tentativa de uniformizar um conteúdo mínimo (como um Plano Nacional de Diretrizes e Bases), e que a implantação deste currículo mínimo garante a uniformidade de planejamento e acompanhamento (avaliação) dos ciclos pedagógicos, seus avanços e retrocessos, dotando a educação de uma visão ampla e transversal, trazendo a carreira do magistério para um patamar orgânico nacional, diminuindo, na medida do possível, as disparidades.
Um passo neste sentido foi a adoção de piso nacional e da criação de fundos nacionais, como o Fundeb.
Mas gestão e execução de políticas públicas e orçamentos, embora estejam interligados com a questão pedagógica, não se confundem com esta. Nossa educação, assim como a saúde carecem de financiamento antes de mais nada.
Dinheiro.
As melhores escolas do ensino fundamental e secundário são privadas e não é acidente ou decorrência da natureza superior da gestão privada sobre a pública: é dinheiro que faz a diferença, e na escola privada, parte do dinheiro para educar os filhos da classe média e das elites vem, assombrosamente, do orçamento público, através das deduções fiscais na declaração anual de IRPF.
Enquando em uma escola como a Anglo Americana um aluno per capita sai por 2 ou 3 mil reais MÊS (não sei o valor da mensalidade), um garoto do Jardim Ângela, com alimentação e tudo não “custa” mais que 3 mil reais por ANO! Nem vou mencionar as enormes disparidades estruturais familiares, sócio-econômicas, enfim, ambientais, que cercam dos dois alunos e que interferem diretamente do processo cognitivo.
Não é justo esperar os mesmos resultados, ou é? Em outra ponta estão as subvenções fiscais para escolas ligadas a instituições “sem fins lucrativos”. Sem debater esta premissa (dinheiro), não faz sentido exigir qualidade no ensino público. Este é um debate crucial: a quem serve o Estado brasileiro.
Bem, algumas críticas sobre a mercantilização da educação são corretas. Mas esta é uma conta que teremos que pagar pela imposição da cartilha liberal, e que tem sido revertida a muito custo.
Veja como funciona a ideologia e como é difícil quebrar certos paradigmas difundidos irresponsavelmente por grupos e mídia: Foi apurado que as mães responsáveis pela gestão do benefício social do BF, quando começam a se estruturar minimamente, do ponto de vista econômico, revertem parte considerável dos valores recebidos para comprar material escolar e matricular seus filhos em pequenas escolas particulares, tributárias da visão de que em escolas privadas seus filhos podem ter melhor chance (e de fato, no modelo atual, é verdade).
Há uma crueldade por trás deste bonito gesto materno que ultrapassa a compreensão. Ao invés de termos um Estado que provê escola de qualidade para todos, este Estado subvenciona escola boa para quem pode pagar. Este não é um problema exclusivo do PT, e pelo que li aqui, e pelo que ouço por aí, haverá muita dificuldade em romper certos sensos comuns.
Dias atrás, outro post sobre a educação (acho que foi na Suécia ou Noruega) dizia que aquele povo e seu governo estavam a lamentar profundamente a queda do rendimento daquilo que era o orgulho deles(o sistema público de educação) com a adoção de sistemas privados de ensino.
Outra questão que se deve levar em conta é o tempo de maturação dos ciclos de intervenção educacionais.
São longos e de resultados que são perceptíveis, mas não da forma que imaginamos.
A Coreia não virou excelência educacional em 2 ou 10 anos. E ainda assim, considere-se o fato de que ela recebeu bilhões de dólares a fundo perdido dos EEUU para conter o avanço vermelho na região (guerra da Coreia), assim como o Japão “reconstruído” depois da II Guerra. É dinheiro revertido para a educação que a desenvolve.
Veja que o desempenho escolar dos EEUU caiu vertiginosamente após os anos 2000, acentuando-se de 2008 para cá, como reflexo do aperto financeiro e do caixa das cidades e estados para financiar a educação.
Todos os estudiosos em educação são unânimes em afirmar que o primeiro movimento, o da inclusão com alargamento da clientela, como vem acontecendo desde 1994, e que se acentuou drasticamente desde 2002, traz um efeito colateral de queda inicial na chamada qualidade, e que se os índices de qualidade de vida da população continuam a melhorar (como tem acontecido) há uma estabilização, e o início de movimentos virtuosos, onde as gerações seguintes já experimentam um novo ambiente proporcionado pela pressão por melhorias que as gerações anteriores provocaram. Os filhos da geração diploma tendem a ser mais e mais exigentes e mais exigidos.
Mas só educação não basta, é preciso continuidade de inclusão e distribuição de renda, pois quandos estes índices pioram, os patamares de qualidade e inclusão escolar despencam, porque entre estudar e tentar sobreviver, as famílias preferem a segunda hipótese, e lançam seus filhos no mercado de trabalho cada vez mais cedo, em empregos cada vez mais precários, e desperdiçam anos e anos desprendidos com os ciclos virtuosos.
Na outra ponta do debate, da educação superior eu li algumas confusões.
O sistema de formação de profissionais e a Universidade são complementares, mas não se confundem, pois: Universidades, como o próprio nome diz, estão comprometidas com a produção de conhecimento, sem a submissão deste conhecimento a sua aplicação imediata no esforço produtivo, embora nada impeça que alguns centros universitários tenham esta vocação.
Ainda assim, toda vez que a economia ou as demandas econômicas subordinam a pesquisa, de forma unilateral, temos graves problemas éticos, e o ramo onde tal conflito de expressa de forma mais dramática seja o da medicina e a indústria farmacêutica. Mas nossas Universidades também carregam em sua gênese a visão elitista e etnocêntrica.
É este o fator atrofiante delas, ou seja, atender as mesmas clientelas de sempre, fato que vem mudando, não sem uma enorme resistência dos grupos que eram beneficiados pelos privilégios da segregação educacional superior. O exclusivismo da Universidade Pública brasileira lhe deu uma falsa noção de excelência, mas que, na verdade, só refletia a pobreza de diversidade e possibilidades que modelos univsersitários mais justos e abrangentes colhem em países com estruturas sociais menos desiguais, em uma relação de causa e efeito.
Já as faculdades e escolas técnicas, estas sim, têm um compromisso a fornecer mão-de-obra, e aqui também há uma mitigação necessária: técnicos e engenheiros desprovidos de uma visão minimamente humana não são mais que robôs que vão ao banheiro.
Ninguém deseja isto. No entanto, aqui temos que considerar quea responsabilidade não pode ser apenas dos orçamentos públicos, ou seja, financiar o treinamento específico de braços para fábricas e outras empresas não pode sobrecarregar o Erário, e deve sair dos cofres de quem vai lucrar com o trabalho destes alunos.
Outra vez encaramos a questão do dinheiro e do financiamento. Se alunos não devem pagar (pois educação é direito constitucional) e os orçamentos públicos têm outras prioridades(a educação generalista), cabe a iniciativa provada dotar este sistema de condições.
É um debate longo, e por hora, fico por aqui, me desculpando pela extensão do comentário.
Marcos Chiapas
1 de janeiro de 2014 11:35 pmOra, ora
O nosso anticapitalista querendo nos ensinar como devemos depender mais ainda do capitalismo, colocando seus piores agentes como formadores, talvez até exclusivos, de sua mão de obra.
Obelix
1 de janeiro de 2014 11:55 pmPrezado Senhor Marcos,
Eu,
Prezado Senhor Marcos,
Eu, sinceramente, não compreendo esta sua fixação. Sua opinião, já deixei claro, pouco me importa. Suas posições políticas, idem.
Se te satisfaz, vamos lá: “mea culpa, mea maxima culpa, sou um anticapitalista fajuto, um gaulês infiltrado destinado a colaborar com Julius Caesar”.
Pronto? Ficou legal assim?
Acho que sua necessidade de convencer a si mesmo daquilo que diz acreditar, lhe retira boa parte da capacidade de ler e entender o que é dito.
Financiar a formação significa tributar o capital para que ele arque com os custos da formação da sua mão-de-obra. Não foi dito no texto que entregaríamos a gestão do sistema escolar ao capital.
Dentro dos limites da luta institucional (embora você acredite que a revolução está ali na esquina), não conheço outra forma de anticapitalismo que não seja a redução da acumulação pela tributação, pelo movimento paradista permanente, ou pelo neoludismo. Como as duas últimas possibilidades são remotas e impraticáveis, resta ao Estado redistribuir renda pelos tributos.
Eu não saberia dizer se é anticapitalista aquele que imagina se os tributos dos trabalhadores custeiem sua educação, ainda mais aquela destinada a aumentar a produtividade (e o lucro) dos patrões, ainda mais quando maior produtividade significa diminuir renda dos trabalhadores dispensáveis (os que sobram, desncessários pelo melhor aproveitamento do tempo pelos mais produtivos) e aviltamento do valor da força de trabalho, aumentando o poder do capital.
De todo modo, o SENAI deu o único diploma do melhor presidente que este país já teve, e como eu disse, para mim (e para população) faz bastante diferença se fomos governados por Lula ou por Pol Pot.
Mas enfim, eu estou só perdendo meu tempo.
Faça um favor a nós dois: leve sua cantilena a quem acredita nela, em uma Igreja ou outro “santuário de crenças verdadeiras” qualquer.
Um cordial abraço.
Marcos Chiapas
2 de janeiro de 2014 1:31 amAmiguinho egocentrico
Esclareça-se definitivamente que não faço meus comentários contrários a sua pregação capitalista em defesa do possibilismo no intuito de receber uma resposta sua, que será sempre, como pode se perceber, de mesmo conteúdo. Faço-os, o que é meu direito, para marcar o contraponto para os milhares que nos lêem sem nada postar.
Suas repostas para mim são irrelevantes e nada agregam.
Se não gosta de comentários contrários a sua pregação, por favor, avise o dono do blog ou faça o seu próprio e não permita que se a comente.
Obelix
2 de janeiro de 2014 1:44 amEgocêntrico, quem, nós?
Prezado Senhor,
Blogs são, por natureza, esferas de debates interpessoais, que desde seu editor até seus comentaristas (ainda que sob pesudônimos) exercitam seus egos. Óbvio. Uns de maneira mais polida (civilizada), outros de forma mais atabalhoada.
Engraçado mesmo é ler você se autodefinindo como um legionário de posições de contraponto para “orientar” milhares de pessoas que nos leem e não comentam.
Será o novo Farol de Alexandria? Nosso Senhor Marcos versão guia genial dos povos silentes do blog?
Egocêntrico quem, caro amigo.
Então ficamos assim: Você é “O” contraponto!
Pena que além desta autodefinição bombástica quase nunca sobre nenhum argumento que cumpra sua missão.
Aj, já sei, é culpa minha, para um capitalista de fracos argumentos como eu, basta esta sua postura de só retrucar e resmungar aquilo que o seu manual disse que são ofensas terríveis.
Um abraço, divertido amigo.
Marcos Chiapas
2 de janeiro de 2014 10:59 amAlém de tudo…
Blogs são, por natureza, esferas de debates interpessoais
Só se for pela natureza que você resolveu, do alto da sua posição de professor de deus, lhes atribuir a partir de agora. É muita pretensão, ou egocentrismo seu, querer transformar espaços públicos em seu espaço de debates interpessoal.
Se quer discussões interpessoais utilize serviços de chat e seja feliz.
zuleica Jorgensen
5 de janeiro de 2014 12:52 pmExcelente comentário.
Excelente comentário. Abrangente sem ser superficial. Poderia e deveria ser promovido a post.
Parabéns ao Obelix.
JigSawJr
1 de janeiro de 2014 9:29 pmÉ sempre a mesma
É sempre a mesma conversa…
“Falta profissionais qualificados… experiência… etc etc etc…”
O que não se fala é a vergonha de salários que são oferecidos aos formados…
Nos últimos 3 anos fiz cerca de 8 processos seletivos. Passei em todos, com exceção de 1, no qual escorreguei na entrevista em inglês…
Realmente, é vergonhoso o número de pessoas ‘tapadas’ que se vê em dinâmicas de grupo por exemplo (na verdade, eu também acho uma vergonha por parte das empresas fazer essas dinâmicas escrotas nas quais todo mundo mente sobre tudo)…
Os salários mostrados na matéria (e em toda a mídia) são geralmente o teto e só ganha quem tiver uns bons anos de experiência + cumprir todos os requisitos (que geralmente é impossível)… Muita gente se engana e começa a fazer alguns cursos só pela grana e depois cai do cavalo…
Na área de TI então, vishhhhhhhh…
Tem amigo meu saindo da faculdade depois de 5 anos e ganhando 1.800,00. Se o cara investir 6 anos de carreira no McDonalds é capaz de subir a gerente e ganhar essa quantia em 6 anos… Jà vi vagas oferecendo 900,00.
Como diria o – péssimo – reporter Boris Casoy: “Isso é uma vergonha…”
Motta Araujo
2 de janeiro de 2014 2:38 amNada a ver. Os salarios
Nada a ver. Os salarios variam de acordo com a competencia na economia de mercado. Há muitos e muitos brasileiros que chegam a principal executivo (CEO) de multinacionais, não só aqui como vão para as matrizes e laviram nº 1 ou 2.
Os bons são caçados pelos headhunters, que tiram de uma empresa recrutando para outra, pagando mais alem de bonus de contratação na entrada. Na base, como trainees todos começam ganhando igual, a ascensão ou não se dá na carreira.
Temos executivas mulheres brilhantes como Sylvia Coutinho, presidente do UBS no Brasil, ja foi top do HSBC na America latina, Silvia Dias Lagnado, que foinº 1 do sabonete Dover no mundo, com brilhante carreira na Unilever, Claudia Colaferro, foi V.P. de marketing da Coca Cola e depois da Motorola, CEO mundiais como Carlos Ghosn (Renault Nissan), Alain Belda (Alcoa) Alberto Wesser (Bunge), todos esses são executivos profissionais que começaram por baixo, essa é logica da economia de mercado. Salarios baixos? Quanto quer ganhar um recem formado? Muitos deveriam pagar para aprender porque no começo não sabem nada. Os bons profissionais ganham bem até como garçons e cozinheiro mas é preciso demonstrar qualidade. Aliás o Brasil está pagando salarios em dolar maiores que nos EUA e Europa para a mesma função.
ulderico
1 de janeiro de 2014 9:31 pmÉ a consequência de se
É a consequência de se colocar na faculdade gente que não entraria por mérito.As cotas disso ou daquilo provocam esse resultado.As universidades se veem forçadas a baixar os padrões para que pessoas semi-alfabetizadas possam tirar seu diploma. Gera-se a fantasia estatística do número de formados. E votos nas camadas mais pobres.
Anarquista Lúcida
2 de janeiro de 2014 3:48 amAlém de preconceituoso, desinformado
Cotas existem nas públicas. Nao é nelas que o nível de ensino despencou. E os cotistas têm tido resultados semelhantes aos nao cotistas.
E.Jorge
2 de janeiro de 2014 12:43 amDe quem é a culpa?
Concordo plenamente com o Obelix quanto a sua afirmação de que estatística é a arte de espancar os números de forma que encaixe dentro da visão de quem os espanca!
A questão toda dos cursos superiores e de qualquer tipo de ensino no Brasil não está no fato de os ALUNOS terem ou não bons professores nas salas de aula (não quero afirmar com isso que bons professores não sejam importantes)! Sou adepto do professor Pierluigi e acredito piamente e por experiência própria que o maior dos problemas no ensino brasileiro está no fato de no Brasil só existirem ALUNOS e muito poucos ESTUDANTES, principalmente no ensino superior ora por falta de interesse do aluno ou incentivo pro aluno, ora pela carga de trabalho que obriga o aluno a chegar desmotivado na sala de aula. Parte dessa desmotivação é causada pelos que mais reclamam (os empresários) que investem muito raramente no seu quadro de funcionários e quando o fazem reclamam que o funcionário quando capacitado, aceita emprego em outra firma deixando-o na mão. Oras se o funcionário é capacitado, independente de ter se capacitado através da empresa onde trabalha, faz por merecer um salário e ou incentivos compatíveis com a sua capacitação, senão é óbvio que em um mercado de trabalho carente como o nosso ele estará sendo sempre tentado pelas outras empresas, portanto cabe ao empresário saber dar valor ao seu quadro de funcionários. No mercado de trabalho brasileiro é muito comum um empresário despedir um funcionário altamente capacitado e com ótimo salário para colocar um recém formado por 1/4 do valor do salário do que foi despedido, portanto se a produtividade anda crescendo nesse quadro os empresários tem é quer agradecer e não reclamar…
Motta Araujo
2 de janeiro de 2014 12:50 amResultado inevitavel da opção
Resultado inevitavel da opção por quantidade feita no Govrno Militar pelo então Ministro da Educação Jarbas Passarinho e continuada em todos os governos posteriores, especialmente na gestão Paulo Renato no Governo FHC.
Quantidade torna impossivel a qualidade, até o Ministerio Passarinho e sua “”solução” de criação de vagas para os excedentes, aquels que não passavam nos vestibulares, o Brasil formava uma nata de bons quadros, como é em geral no mundo inteiro. Nos EUA são poucos os que vão para universidades, são muito caras e para ganhar bolsa precisa ser muito bom, mesmo quem paga é bem selecionado e se for mediocre não se forma, especialmente nas universidades Ivy League, as top do Pais, bolsista tem que ser otimo para fazer jus à bolsa.
Os governos tucanos que teoricamente deveriam dar alto valor à educação de qualidade foram os que mais pioraram o ensino, com a visão economicista do modelo Paulo Renato e a desastrosa aprovação automatica inaugurada no Governo Cobas, que liquidou com a educação paulista, até então de excelente qualidade. A ideia geral era inflar estatisticas de inclusão, desconsiderando o que se ensinava ou não ensinava, precisava mostra na ONU o aumento das matriculas.
A montagem de uma gigantesca rede de universidades pagas e ruins foi um dos maiores erros cometidos na historia da educação brasileira, estamos enganando os estudantes que vão sair com diploma e sem conhecimentos, vão ser motoristas com diploma. O governo do PT aprofundou o erro, mas ai já é opção ideologica.
Leonardo Carvalho
2 de janeiro de 2014 1:50 pmUma pergunta…
… em 15 anos de experiência profissional, cá entre nós, quando aparece um talento, ele é bombardeado até encaixar no “Esquemão®”.
Quem tem talento bate o pé pra fazer direito, cobra de todo mundo que precisa, daí nossos MBAs Coxinha (que chegaram por Q.I. ou parentesco aos cargos de direção e/ou lidenraça) reclamam, falam que não é bem assim, dê um jeitinho, etc etc etc…
Daí eu vejo MUITOS profissionais absurdametne competentes que saem do trabalho para abrir cervejarias, cafés, restaurantes, hotéis…
Porque tentar fazer algo certo no país está cada vez mais difícil.
Isso é abordado na Efeito Mar Morto:
http://brucefwebster.com/2008/04/11/the-wetware-crisis-the-dead-sea-effect/
(PS: isto é no âmbito de TI. Mas vejo se aplicar em outras áreas)
Tio do Computador
7 de janeiro de 2014 11:22 amA geraćão do diploma, também
A geraćão do diploma, também chamada de Y, foi a que conquistou diplomas em Universidades particulares de qualidade mais que duvidosa, por meio de bolsas conseguidas na era FHC por meio do corte de verbas das Univerdades públicas e de excelência. Tais verbas antes eram destinadas a geraćão X (aquela que ainda precisava estudar para passar de ano no ensino médio e enfrentava vestibulares altamente competitivos). Mas essas bolsas – destinadas os melhores com base no mérito – foram bruscamente cortadas e destinadas aos piores alunos – com base nos interesses corporativos imediatistas da época.
Resultado: você tem uma geraćão inteira de “profissionais” com diploma que ignoram as regras básicas de redaćão, enquanto outra geraćão de profissionais competentes amarga ainda hoje sem diploma, em empregos que não condizem com sua capacidade. Mas no Brasil o que importa é um pedaćo de papel, não é mesmo?
Parabéns, empresários, nos anos 90 vocês apoiaram essa política.
Depois daquilo, me apoiei na comunidade de tecnologia open-source. Sabe como é, nessa área o diploma não importa muito, mas nosso trabalho é altamente qualificado, portanto mais caro.
Não venham chorar por causa de produtividade agora, paguem a conta das suas escolhas: hoje, sem diploma de USP, o custo da minha hora de trabalho é o dobro daquele profissional com diploma de UNIP, isso ainda sendo muito camarada.