5 de junho de 2026

Quando uma biblioteca pública fecha… precisamos pensar a respeito, por Valéria Valls

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Quando uma biblioteca pública fecha… precisamos pensar a respeito

por Valéria Valls

A recente notícia sobre o fechamento da Biblioteca Mário de Andrade (BMA) no período noturno é oportuna para pensarmos a respeito do real papel da biblioteca pública numa cidade como São Paulo, uma cidade que não para e que certamente tem público para uma biblioteca 24 horas. É claro que qualquer interrupção em um serviço como esse gera comoção e críticas. Quem seria louco de ser contra a BMA 24 horas? Ninguém, certamente.

Mas acho importante pensarmos sobre esse fato sob alguns aspectos. O primeiro seria: o que motivou a abertura da BMA no período noturno? Houve planejamento para avaliar se o investimento versus benefício valeria a pena? Os usuários frequentes da biblioteca foram ouvidos para que opinassem sobre essa ação e principalmente sobre que tipo de serviço seria oferecido nesse novo período de atendimento? Os funcionários da Biblioteca, especialmente os bibliotecários, participaram dessa decisão? Se as respostas foram “não” é importante refletirmos, não é mesmo? Infelizmente as bibliotecas públicas da cidade tem orçamentos cada dia mais reduzidos e a priorização das ações é importante para que outros serviços essenciais não sejam prejudicados.

Outro aspecto a ser considerado, derivado dessas primeiras reflexões: qual a utilização de uma biblioteca pública à noite? Uso de tomada elétrica (para carregar o celular ou notebook), mesas para ler e estudar em segurança e utilização do banheiro? Se for essa a utilização, o que diferencia uma biblioteca pública 24 horas de um Shopping Center? Sob esses aspectos nada. Ok, ok, no caso da BMA também havia empréstimo noturno (automatizado, sem a presença de funcionários) e é claro que esse sim é um benefício inquestionável, especialmente para o trabalhador que não tem tempo ao longo do dia para frequentar uma biblioteca. Nesse caso, certamente, o fechamento noturno teve impacto bastante negativo.

A indignação pelo fechamento da BMA 24 horas é legítima, mas não deve desviar o olhar do que é realmente importante: como estão as bibliotecas públicas da cidade de São Paulo? Com instalações seguras e acessíveis, profissionais capacitados e motivados, acervo atualizado e abertas às reais necessidades das comunidades locais? Se pensarmos nas diretrizes estabelecidas pela IFLA – International Federation of Library Associations and Institutions que expressam que “o principal objetivo da biblioteca pública é fornecer recursos e serviços em diversos suportes, de modo a ir ao encontro das necessidades individuais ou coletivas, no domínio da educação, informação e desenvolvimento pessoal, e também de recreação e lazer”, percebemos que a sociedade precisa sim se mobilizar pelas bibliotecas públicas e exigir do poder público políticas claras e de longo prazo, para garantir ao cidadão acesso as bibliotecas, que são um alicerce inquestionável para a manutenção de uma sociedade democrática, uma vez que fornecem ambiente para acesso a informação e troca de experiências e conhecimento.

E falando em bibliotecas, em recente reportagem do Fantástico, da Rede Globo, foi feita uma ação onde livros foram espalhados por diversas cidades e após serem “resgatados” histórias de leitores (e não leitores) foram contadas, demonstrando a magia da leitura. Mas o que chamou muito a atenção nessa reportagem é que em momento algum foi dito que livro pode ser emprestado em bibliotecas, a reportagem várias vezes citou a necessidade de comprar livros (em livrarias e sebos, informando até o preço médio dos livros envolvidos na ação), enfatizando que o leitor nem sempre tem recursos para compra-los e prestou um desserviço em sequer citar que cidadãos podem sim acessar livros e informação nas bibliotecas públicas. Será que os envolvidos na reportagem nem pensaram nisso? Ou quando se fala em livro só se pensa em livrarias?  Não, as bibliotecas também têm livros e a biblioteca pública viva e atuante depende de cidadãos conscientes do seu papel e capazes de lutar por sua manutenção e melhoria.

Vamos sim nos mobilizar pelo fechamento da BMA 24 horas, mas também pelas dezenas de bibliotecas públicas, algumas em estado de abandono e sem investimento, muitas vezes mantendo suas portas abertas pelo engajamento de seus funcionários e usuários.

A propósito, qual foi a última vez que você visitou uma biblioteca pública?

#Ficaadica – http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/

Valéria Valls – Doutorado em Ciências da Comunicação. Coordenadora e docente do curso de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FaBCI/FESPSP) e de pós-graduação.

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  1. Brnca

    4 de maio de 2017 1:31 pm

    Deve ficar aberta

    Interessante questionamento que na verdade e afinal acaba justificando o fechamento da biblioteca Mário de Andrade à noite. Nada justitifca uma atirude dessas numa cidade que faz propaganda pelo Brasil afora como a cidade que ‘nunca’ dorme, a cidade que funciona 24 horas. Pois então. A Biblioteca deve sim ficar aberta para os que querem estudar à noite ou simplesmente ler e até trabalhar em seu computador sossegado. Por que não? Segurança? Ora, assaltante não é idiota de entrar num lugar que só tem livros com tantos restaurantes, bares e outros locais cheios de gente pela cidade.

    1. Henrique .

      4 de maio de 2017 6:50 pm

      de qualquer jeito e a todo custo?

      Desculpe, mas, acredito que não houve uma mínima atenção ao que foi escrito… o reclamar por reclamar é bem recorrente na atualidade, infelizmente. Por exemplo, no ultimo ano (2016) a mesma não recebeu um centavo em compra de livros, e não houve nenhuma manifestação, as condições de funcionamento geral, a legalidade do horário, os custos da estrutura, a proposta inicial, os resultados, o “projeto” em si, pouco importa…

      Os dados e os custos, as condições, estão disponiveis, mas, quem quer analisá-los? “sou contra”, esse é o mantra… ou então, posso presumir que não se importam com esse tópico específico: livros e acervo (em uma biblioteca), preferindo (nao me pergunte o motivo), discutir: tomadas para uso particular/exclusivo, horários para poucos, almofadas para sonecas, festas travestidas de eventos públicos, entre outros tipos de “(des)serviços” oferecidos… algo muito consciente.

      A cidade possui mais de uma centena de bibliotecas públicas em situações delicadas, com seus funcionários se desdobrando para oferecer o melhor serviço possível e não há nenhuma manifestação a respeito delas, mas, essa entrou no foco, não foi por sua história, seu acervo, sua real importância, mas, por hábeis medidas…  e não fico feliz em saber que o assunto rende, pois, o que tem sido “debatido”, na maioria das falas, não é a biblioteca, não é o acesso à leitura, educação, cultura, aos livros… mas, o interesse e a crença de alguns que limita o pensamento a duas palavras: “sou contra”.

  2. Cristiane N. Vieira

    4 de maio de 2017 5:43 pm

    Pra que serve a biblioteca pública?

     

    A autora faz algumas observações que gostaria de comentar porque coincidentemente aludem a comentários que eu fiz no site The Intercept sobre a biblioteca Mário de Andrade – seção circulante, e que também gerou mal entendidos e interpretações superficiais.

     

    1 – Quem usa o sistema elétrico da biblioteca para carregar bateria de celular ou notebook não o faz, geralmente, como um uso utilitarista e dissociado do uso justificado da biblioteca: são pessoas que frequentam o local, utilizam seu acervo e o espaço físico para estudar, ou estudam com material próprio, se encontrar com outras pessoas para inúmeros fins, flanar, passar o tempo, exercitar o ócio criativo, por que não? A visão de que serviços complementares como wi-fi e a óbvia necessidade de carregamento elétrico de dispositivos, ou um banheiro minimamente equipado para quem passa tempo razoável em suas dependências, são luxo de shopping center reproduz opinião retrógrada, depreciativa porque estereotipada de quem vê a biblioteca como um amontoado de prateleiras com livros para ratos de duas pernas com óculos de fundo de garrafa, um depósito de papel (ou cenário para romances e filmes com bibliotecárias-fetiche de mistério erótico…) Não é necessário conhecer a obra dos professores Luis Milanesi e Teixeira Coelho para saber que biblioteca pública, especialmente em países e lugares carentes de apropriação do espaço público e da cultura pelo cidadão comum, é um centro de atividades culturais diversas, ainda que sua razão principal continue sendo o acesso a acervo documental bibliográfico e audiovisual.

    2 – O artigo coloca perguntas óbvias sobre o julgamento de pertinência da retirada do serviço de atendimento de 24 horas mas, como profissional e acadêmica, em função da feitura do artigo, terá dirigido as perguntas à administração da Biblioteca ou à prefeitura, ou principalmente aos responsáveis pela implantação do serviço? Retoricamente apenas se tornam redundantes.

    3 – Qualquer serviço inovador precisa de tempo para ser assimilado e passar a fazer parte da rotina das pessoas e da comunidade a que se destina; do processo de tomada de conhecimento pelos potenciais usuários até incorporação aos hábitos há um período de estabilização que até shopping centers consideram quando oferecem comercialmente seus serviços. Esse aspecto fundamental foi considerado pela atual (indi)gestão municipal?

    4 – O espanto e a indignação quase poliana pela maneira como a rede G.Lobo.Empeledecordeiro.Con trata a questão do livro e sua óbvia omissão da existência da biblioteca PÚBLICA, a esta altura do campeonato, demonstra por que as bibliotecas públicas em geral estão relegadas à administração de amadores – no sentido pejorativo: falta visão crítica experimentada e capacidade de desafiar os poderes públicos e a sociedade a lidarem com a educação – nesta são paulo bibliotecas fazem parte da secretaria de cultura mas são essencialmente instrumentos educativos em lato sensu – e a cultura como bens coletivos não sujeitos à lógica da mercadoria. Só faltou falar da propaganda antiga daquele banco cor de laranja como a cara de pau do Trump – laranja será a nova cor do cinismo? (não é um trocadilho infame com a série “orange is the new black” porque não a assisti) – sobre a importância de adultos lerem para as crianças.

    5 – A biblioteca pública Mário de Andrade está sendo, como a administração municipal e o país golpeado – atacada desde sua estrutura física – banalizada até por supostos especialistas –, do banheiro ao suporte elétrico e que chegará na desativação do wi-fi e possivelmente (com esse aprendiz de prefeito seria surpresa?) na cobrança para uso dos armários para guarda de objetos pessoais, até o desenho das atividades à disposição dos usuários e profissionais da cultura – como pode um diretor que odeia samba e chorinho e faliu sua própria editora (de quem comprei muitos títulos) dirigir uma biblioteca com a importância referencial e a história da Mário de Andrade?

    6 – Por fim, a quem interessar possa, a última vez que fui à própria Mário de Andrade: terça-feira, 02/05/2017, para empréstimo de título apenas. Sou usuária frequente de biblioteca pública há pelo menos 17 anos, e eventualmente há mais de 25, desde quando não era permitido ao usuário o acesso direto ao acervo sob alegação de conservação e ordem… e o interessado tinha que pesquisar em catálogo e pedir ao funcionário seu título – isso sim era serviço de shopping center pré self-service.

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=AkPozzLSrsM%5D

     

    “ Tropeçavas nos astros desastrada
    Quase não tínhamos livros em casa
    E a cidade não tinha livraria
    Mas os livros que em nossa vida entraram
    São como a radiação de um corpo negro
    Apontando pra expansão do Universo
    Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
    (E, sem dúvida, sobretudo o verso)
    É o que pode lançar mundos no mundo.

    Tropeçavas nos astros desastrada
    Sem saber que a ventura e a desventura
    Dessa estrada que vai do nada ao nada
    São livros e o luar contra a cultura.

    Os livros são objetos transcendentes
    Mas podemos amá-los do amor táctil
    Que votamos aos maços de cigarro
    Domá-los, cultivá-los em aquários,
    Em estantes, gaiolas, em fogueiras
    Ou lançá-los pra fora das janelas
    (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
    Ou – o que é muito pior – por odiarmo-los
    Podemos simplesmente escrever um:

    Encher de vãs palavras muitas páginas
    E de mais confusão as prateleiras.
    Tropeçavas nos astros desastrada
    Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.”

    (fonte: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/81628/)

     

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=z4A-vXMYFs0%5D

     

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=zReqMykFbs8%5D

     

     

    ” 13 de julho de 2008 – 9p0 

    Patativa do Assaré: Nordestino sim, Nordestinado não

     

    Nunca diga nordestino 

    Que Deus lhe deu um destino 
    Causador do padecer 
    Nunca diga que é o pecado 
    Que lhe deixa fracassado 
    Sem condições de viver 

    Não guarde no pensamento 
    Que estamos no sofrimento 
    É pagando o que devemos 
    A Providência Divina 
    Não nos deu a triste sina 
    De sofrer o que sofremos 

    Deus o autor da criação 
    Nos dotou com a razão 
    Bem livres de preconceitos 
    Mas os ingratos da terra 
    Com opressão e com guerra 
    Negam os nossos direitos 

    Não é Deus quem nos castiga 
    Nem é a seca que obriga 
    Sofrermos dura sentença 
    Não somos nordestinados 
    Nós somos injustiçados 
    Tratados com indiferença 

    Sofremos em nossa vida 
    Uma batalha renhida 
    Do irmão contra o irmão 
    Nós somos injustiçados 
    Nordestinos explorados 
    Mas nordestinados não 

    Há muita gente que chora 
    Vagando de estrada afora 
    Sem terra, sem lar, sem pão 
    Crianças esfarrapadas 
    Famintas, escaveiradas 
    Morrendo de inanição 

    Sofre o neto, o filho e o pai 
    Para onde o pobre vai 
    Sempre encontra o mesmo mal 
    Esta miséria campeia 
    Desde a cidade à aldeia 
    Do Sertão à capital 

    Aqueles pobres mendigos 
    Vão à procura de abrigos 
    Cheios de necessidade 
    Nesta miséria tamanha 
    Se acabam na terra estranha 
    Sofrendo fome e saudade 

    Mas não é o Pai Celeste 
    Que faz sair do Nordeste 
    Legiões de retirantes 
    Os grandes martírios seus 
    Não é permissão de Deus 
    É culpa dos governantes 

    Já sabemos muito bem 
    De onde nasce e de onde vem 
    A raiz do grande mal 
    Vem da situação crítica 
    Desigualdade política 
    Econômica e social

     Somente a fraternidade 

    Nos traz a felicidade 
    Precisamos dar as mãos 
    Para que vaidade e orgulho 
    Guerra, questão e barulho 
    Dos irmãos contra os irmãos

    Jesus Cristo, o Salvador 

    Pregou a paz e o amor 
    Na santa doutrina sua 
    O direito do bangueiro 
    É o direito do trapeiro 
    Que apanha os trapos na rua 

    Uma vez que o conformismo 
    Faz crescer o egoísmo 
    E a injustiça aumentar 
    Em favor do bem comum 
    É dever de cada um 
    Pelos direitos lutar

     Por isso vamos lutar 

    Nós vamos reivindicar 
    O direito e a liberdade 
    Procurando em cada irmão 
    Justiça, paz e união 
    Amor e fraternidade

    Somente o amor é capaz 

    E dentro de um país faz 
    Um só povo bem unido 
    Um povo que gozará 
    Porque assim já não há 
    Opressor nem oprimido. ” ((http://www.vermelho.org.br/noticia/37785-1)

     

     

    SP, 04/05/2017 – 14:42

     

     

     

     

     

     

     

  3. Luiz Augusto

    4 de maio de 2017 11:12 pm

    Visão limitada de biblioteca pública

    Ler este artigo me deixou triste. Me custa um pouco a acreditar que uma professora que aprendi a admirar que o assine, especialmente por ele conter alguns pontos distintos do que aprendemos a considerar como relevantes na graduação em Biblioteconomia da FESPSP.

    Dividindo por tópicos:

     

    1) O questionamento de

    qual a utilização de uma biblioteca pública à noite? Uso de tomada elétrica (para carregar o celular ou notebook), mesas para ler e estudar em segurança e utilização do banheiro?

    É muito infeliz. Acho melhor preferir me limitar a concordar com o que Cristiane N. Vieira disse sobre o assunto em seu comentário do que apontar a vasta bibliografia nacional e internacional que enxergam o benefício de existir esse tipo de usuário aparentemente mero utilitarista, bem como a vasta bibliografia nacional e internacional munida de dados estatísticos que mostram o aumento de empréstimos de livros físicos, inclusive os de “conversão” do usuário utilitarista no que também toma livros emprestados.

     

    2) É feito um questionamento válido sobre os fatores que motivaram o início da operação em 24h de parte dos serviços da BMA. É validada a revolta dessa operação 24h de parte dos serviços da BMA . Mas a professora se esquece de observar as metodologias que culminaram para o encerramento dessa oferta.

    Ignora que eventos noturnos foram removidos, eventos esses congêneres aos diurnos existentes (e que, se esse congêneres diurnos também forem removidos, também diminuirão drásticamente o movimento inclusive de empréstimo de livros). Isso porque não entro no mérito de público-alvo que o atual diretor da BMA parece ter em mente ao organizar/autorizar os atuais eventos.

    Ignora que o atual diretor da BMA empregou “método não-científico”, para usar os termos da matéria da Folha de São Paulo que a senhora certamente também leu, para se certificar que sua manobra de interrupção de oferta de eventos já teria impactado a diminuição da frequência. Ou seja, que o atual diretor da BMA agiu duplamente de má-fé para ter dados cuidadosamente manipulados sob seus interesses para falar “ninguém usa, feche”.

     

    3) A última vez que eu visitei uma biblioteca pública foi em 27/04/2017, por acaso, também da rede municipal da capital. Curiosamente os quatro livros que eu quis consultar não estavam disponíveis, apesar do sistema da prefeitura acusar que eles estariam. Sem graça, o funcionário me explicou que eles foram retirados “para higienização”, sem prazo para retorno. Sei o quanto os profissionais de uma biblioteca são engajados, afinal, já tive o privilégio de ser um em outros espaços e ainda pretender a voltar a ser. Mas, parece que faltou engajamento para fazer o singelo ato de alimentar o sistema com os desbastes. Irônicamente, uma ação louvável para evitar questões de saúde pública mas que fez que retornasse pra casa (apenas) com um resfriado que talvez eu nem tivesse pego se não tivesse ido, iludido pelo sistema, que não refletia a realidade do acervo.

    3.1) E é uma pena que aquela biblioteca estivesse tão sub-utilizada naquele momento, apesar de estar em uma região extremamente residencial. Talvez faltasse à ela exatamente as tomadas e o Wi-Fi da BMA, quem sabe.

     

    4) Qualquer país do mundo trocaria todos e quaisquer dados estatísticos ao se deparar com o dado qualitativo da matéria do link a seguir:

    http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,de-kant-a-favela-do-cantao-madrugadas-na-biblioteca-mario-de-andrade-a-unica-a-abrir-24h-no-brasil,10000070804

    Como, alías, algo parecido foi feito:

    http://outracidade.uol.com.br/garota-termina-estudos-e-estacao-de-trem-que-abria-so-para-ela-e-fechada/

     

  4. Cristiano Santos

    5 de maio de 2017 8:19 pm

    Ingerência e Desorganização

    Concordo com o que a professora Valéria toca no que tange a ingerência e o esquecimento das bibliotecas públicas. O Enaltecimento desses espeaços deve ser feito e lembrado que são espaços de cultura, bem como Milanesi já dizia em sua “A Casa da Invenção”, e não apenas um espaço de pesquisa “desinformacional” onde o usuário final apenas a utiliza para acessar a Barsa e rerpoduzir conhecimento, sendo um espaço que deveria ser tomado pelas bibliotecas escolares: outro lugar esquecido e que fica para uma próxima conversa. Essa dicotomia de ser ou não espaço cultural já foi suprimida nas décadas de 80 e 90. Cabe agora empoderar o bibliotecário e a biblioteca para que casos como o da Mário, não se repitam. Reafirmo: o problema não seria fechar a biblioteca 24h (mesmo levando em consideração o tamanho de São Paulo), mas sim de sabê-lo gerir.

     

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