Do Blog do Luiz Araújo
Mal a conta gotas
Quando sai do plenário do Senado Federal ontem a noite, após o adiamento da votação do plano Nacional de Educação para a próxima terça-feira (17 de dezembro), fiquei com a impressão de que o governo e sua base parlamentar tenta reinventar o conselho do Maquiavel, pois na tramitação do Senado o mal tem sido feito a conta gotas e o bem está difícil de encontrar pelo menos uma gotícula sequer.
É preciso explicar em primeiro lugar por que não foi votado no dia de ontem. De forma sintética e relatando um pouco dos bastidores o que aconteceu foi o seguinte:
3. Estava claro que o interesse do governo era, essencialmente, garantir no texto a destinação de recursos públicos para o setor privado (especialmente para Pronatec, Prouni e Fies), retirar toda referência a amaldiçoada palavra “pública”, retirar percentual de crescimento público na Meta 11 (ensino profissionalizante) e Meta 12 (ensino superior) e retirar a possibilidade de que a União complemente o Custo Aluno Qualidade no futuro.
4. Presenciei o diálogo do senador Álvaro Dias (PSDB/PR) e do senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP). Seu relato envergonhado do acordo firmado foi esclarecedor do texto que viria. Depois presenciei a pressão do senador do PSOL (pré-candidato a presidente) sobre o senador Aécio Neves (pré-candidato também) para que o acordo fosse desfeito. Não sei se foi isso que determinou, mas o fato é que o PSDB mudou de ideia e desfez o acordo.
5. Foi nomeado o senador Eduardo Braga (PMDB/AM), líder do governo, para relatar a matéria e como previsto, acatou a Emenda governista, introduzindo algumas pequenas modificações (para não dizer que não mudou nada). Basicamente o relator pediu pra que seja aprovado a Emenda n] 04, apresentada pelo senador Vital do Rego, cujos pontos principais já comentei anteriormente – Governa vai jogar pesado (e contra o povo),
6. O texto governista só não foi votado ontem por que havia sido marcada uma confraternização entre os senadores, promovida pelo austero Renan Calheiros e, certamente a continuidade da votação esfriaria as iguarias do referido jantar.
Na terça-feira o governo vai aprovar o que quer, vai enviar para a Câmara um texto pior do que recebeu.
O atraso de ontem tem um efeito colateral imprevisível: o PNE somente será votado na Câmara no ano que vem, lá pelos idos de fevereiro. E irá coincidir com a realização da II Conferência Nacional de Educação, evento que irá reunir centenas de delegados eleitos em encontros municipais e estaduais. Ou seja, a pressão contra as maldades governamentais irá aumentar.
Da mesma forma que para Maquiavel, o governo trata a vontade popular como um problema a ser contornado. Falta combinar este jogo com o povo.
sergior
13 de dezembro de 2013 7:36 pmEste é o governo democrático
Este é o governo democrático e popular dos trabalhadores. E lembrar que o primeiro PNE só foi enviado ao congresso após o projeto popular de PNE ter sido protocolizado por Ivan Valente e Walter Pinheiro. Ivan permanece fiel aos que nele votam. Walter, no entanto, como sua tendência política, são cada fez mais capacho dos interesses do planalto, que não são os interesses dos trabalhadores, ao contrário.
Gunter Zibell - SP
14 de dezembro de 2013 1:36 amWalter Pinheiro anda dedicado
Walter Pinheiro anda dedicado agora a oficializar a homofobia.