Após meses de desgaste político e queda sucessiva nos índices de popularidade, o presidente Lula (PT) voltou a apresentar sinais de recuperação. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostra melhora na avaliação do governo, redução da rejeição ao petista e retomada da liderança numérica em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Cenário de 2º turno
No principal cenário testado pela Quaest, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 41% de Flávio Bolsonaro. O resultado configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas representa uma inversão em relação à pesquisa de abril, quando o senador do PL tinha vantagem numérica sobre o presidente. Veja os números:
- Lula: 42%
- Flávio Bolsonaro: 41%
- Brancos/nulos: 14%
- Indecisos: 3%
Nos demais cenários de segundo turno, Lula também aparece à frente:
Lula x Romeu Zema
- Lula: 44%
- Romeu Zema: 37%
Lula x Ronaldo Caiado
- Lula: 44%
- Ronaldo Caiado: 35%
Lula x Renan Santos
- Lula: 45%
- Renan Santos: 28%
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que o cenário segue altamente competitivo. “É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui.”
Lula mantém liderança no 1º turno
No levantamento de primeiro turno, Lula preserva a dianteira com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 33%, enquanto os demais nomes permanecem distantes da disputa principal. Os dados mostram o seguinte cenário:
- Lula (PT): 39%
- Flávio Bolsonaro (PL): 33%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Romeu Zema (Novo): 4%
- Renan Santos (Missão): 2%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Indecisos: 5%
- Branco/nulo/não vai votar: 10%
Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados afirmam que sua decisão de voto já é definitiva, enquanto 37% admitem que ainda podem mudar de escolha até a eleição.
Independentes voltam ao centro da disputa
O dado considerado mais estratégico pela Quaest envolve o eleitorado independente, grupo sem identificação clara com lulismo ou bolsonarismo, faixa decisiva para 2026 e que vinha se afastando do governo desde o início do ano.
Segundo o levantamento, houve leve oscilação favorável a Lula entre esses eleitores, interrompendo uma tendência negativa observada desde o início do ano. Hoje, 29% dos independentes dizem votar no petista em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, enquanto 31% optariam pelo senador. Outros 35% afirmam que não escolheriam nenhum dos dois.
Os recortes da pesquisa mostram que Lula recuperou fôlego entre católicos (55% de aprovação) e viu uma oscilação positiva entre evangélicos, segmento onde a desaprovação caiu de 68% para 65%.
Regionalmente, o governo respira melhor no Sudeste, principal colégio eleitoral do país, onde a desaprovação recuou quatro pontos (de 58% para 54%), e no Centro-Oeste/Norte, onde a aprovação subiu de 36% para 42%.
Governo reduz rejeição e melhora avaliação
Além da recuperação eleitoral, a Quaest identificou melhora nos índices de aprovação do governo federal. A desaprovação caiu de 52% para 49%, enquanto a aprovação subiu de 43% para 46%.
Na avaliação qualitativa da gestão, o índice negativo recuou de 42% para 39%, e a avaliação positiva avançou de 31% para 34%. Outros 25% classificam o governo como regular.
Programas sociais e ofensiva na segurança ajudam o Planalto
A melhora nos indicadores coincide com uma ofensiva estratégica do Executivo para retomar a iniciativa política. Nas últimas semanas, o governo lançou o Desenrola 2.0 e anunciou um pacote de combate ao crime organizado. Outro movimento crucial foi o recuo na “taxa das blusinhas”, imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 que vinha gerando forte desgaste digital.
O reflexo é direto na percepção pública: o percentual de brasileiros que relatam ter visto notícias positivas sobre a gestão saltou de 23% para 32%. Por outro lado, o volume de notícias negativas percebidas caiu de 48% para 43%. “A população parece impactada por um ambiente de notícias mais positivas para o governo”, avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest.
O programa de renegociação de dívidas é um dos pilares dessa reação. Metade dos entrevistados considera o Desenrola 2.0 uma boa ideia, e 38% acreditam que a iniciativa ajudará muito as famílias endividadas.
A agenda internacional também contribuiu para a melhora da percepção do governo. Segundo a pesquisa, 60% avaliam como positivo para o Brasil o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar da recuperação, o cenário segue desafiador para o governo: 53% dos brasileiros acreditam que o país está no rumo errado, contra 38% que veem a direção correta. O levantamento também mediu o receio do eleitorado com o futuro político. Para 44%, o maior temor é o retorno da família Bolsonaro ao poder; já 42% afirmam que o medo principal é a reeleição de Lula.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 8 e 11 de maio. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-03598/2026.
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