17 de junho de 2026

“Quem diz que sabe o que vai acontecer em 2026 está mal informado”, diz Renato Meirelles

À TVGGN, Renato Meirelles analisa os 96 milhões de indecisos e as falhas de comunicação de Lula para 2026

96 milhões de eleitores no Brasil ainda não sabem em quem votar espontaneamente para 2026, diz Renato Meirelles.
Governo Lula precisa mostrar empatia e enfrentar juros altos e jornada 6×1 para vencer o medo e projetar futuro.
Taxar bilionários e reduzir juros pode isolar oposição e conquistar o terço do eleitorado que está em disputa.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil vive uma redoma de pesquisas que apontam um país dividido e “calcificado”, mas os dados de profundidade revelam uma realidade muito mais fluida. Para Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva e do Data Favela, a eleição de 2026 ainda é uma “fila de sorveteria”: 96 milhões de eleitores ainda não sabem em quem votar espontaneamente.

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Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif no programa TVGGN 20 Horas, Meirelles explica por que o governo Lula precisa trocar as planilhas de excel pela empatia e por que o enfrentamento ao juros e ao fim da escala 6×1 são as chaves para vencer o medo e projetar o futuro. Confira alguns dos pontos principais da entrevista abaixo:

Luis Nassif: Renato, vivemos hoje uma febre de pesquisas e vendeu-se a ideia de que o eleitorado está totalmente estratificado, entre o “pessoal do Lula” e o “pessoal do Bolsonaro”. Como você analisa a real situação da opinião pública hoje e essa suposta calcificação dos votos?

Renato Meirelles: Luís, quando comecei a me interessar por política, o voto era no papel. Desde a urna eletrônica, o cenário se assemelha ao voto espontâneo das pesquisas. Hoje, segundo os dados mais recentes, temos 96 milhões de brasileiros que, quando perguntados em quem vão votar sem ver uma lista de nomes, afirmam que não sabem. Isso representa cerca de 62% do eleitorado. Além disso, mais de 40% dos eleitores admitem que podem mudar de voto até o dia da eleição. Eu costumo dizer que essa eleição, até agora, é como uma fila de sorveteria: você fica olhando os sabores, muda de ideia enquanto se aproxima do balcão e só decide na hora de pedir. Historicamente, 15% decidem no último final de semana. Portanto, não é uma calcificação de pedra, é uma calcificação de areia, porosa, que reage às pressões do governo, da oposição e de fatos inesperados. Quem diz que sabe exatamente o que vai acontecer hoje está mal informado ou tem má fé. Sabemos apenas que será uma eleição decidida por margem apertada e que não há espaço para amadores.

Luis Nassif: Olhando para o governo, sinto que falta uma perspectiva de futuro. No tempo de Juscelino Kubitschek, mesmo com inflação alta, havia uma expectativa de que as coisas melhorariam. O governo atual não está falhando em criar esse discurso de esperança para vencer o medo?

Renato Meirelles: Tenho escrito exatamente isso, Luis. Para a esperança vencer o medo, a pessoa precisa ter esperança em algo concreto. O primeiro passo para o governo construir isso é a empatia: reconhecer que as pessoas não sentem que a vida melhorou como esperavam. A planilha de Excel e os números macroeconômicos não convencem o “seu João” e a “dona Maria”. Parte do dinheiro extra da economia está indo para as bets, para plataformas como a Shein ou para os juros bancários. As pessoas não sabem o que é Selic, elas sabem o que é o valor do carnê e o endividamento no cartão de crédito. O governo passou dois anos sem escolher seus inimigos e sem lembrar à população a que veio. É preciso apontar quem deve ser combatido para mostrar a que o governo se propõe. Cobrar taxação de bilionários e criticar as taxas de juros é um dever moral de um governo de esquerda. O brasileiro odeia banco mais do que qualquer político. Quando a Dilma bateu nos juros dos bancos públicos, a popularidade dela deu um salto. O povo sente que a culpa de estar devendo é dos bancos e seus spreads imorais.

Luis Nassif: Esse embate com os bancos também tem um efeito político prático, não? No sentido de isolar a oposição e forçá-la a escolher um lado que o povo rejeita?

Renato Meirelles: Exatamente. Quando o governo pauta esses temas, ele isola as candidaturas de direita. Isso obriga a oposição a ter que explicar por que é contra a taxação de bilionários ou contra a redução dos juros. Hoje, temos um terço do eleitorado de cada lado e um terço em disputa. Esse terço do meio acredita que homens e mulheres devem ter direitos iguais e que rico deve pagar mais imposto que pobre. Se o governo não pauta esses temas econômicos e morais de justiça, a discussão cai no vazio de “banheiro unissex” e outras pautas de costumes que a direita domina. O Brasil não é um país de direita; ele pode ser conservador em termos de costumes, mas é progressista na justiça social. Se você pergunta se a pessoa é a favor do feminismo, 40% dizem que sim; mas se pergunta se homens e mulheres devem ganhar o mesmo, 78% são favoráveis. O território da batalha define para onde o terço em disputa vai.

Luis Nassif: Para fecharmos, você mencionou que o PT e o governo parecem refratários a planos de desenvolvimento de longo prazo, muitas vezes cedendo ao Centrão pela governabilidade imediata. Como fica a reeleição de Lula nesse cenário?

Renato Meirelles: O Lula pegou o país desmontado e, ao ceder ao Centrão, garante governabilidade no curto prazo, mas se desgasta com a opinião pública. Ou o governo vende futuro, ou a reeleição ficará muito difícil. Como esta é, muito provavelmente, a última eleição presidencial que ele disputa, essa perspectiva de uma transformação em quatro anos para preparar um sucessor é fundamental. E o que o povo espera do futuro? O povo espera ser dono do próprio tempo. O tempo é o único ativo econômico da população de baixa renda. É o tempo que ela usa para trabalhar, para a família ou para o lazer. Por isso, a bandeira do fim da jornada 6×1 é a mais forte que o governo pode levantar. Ela promete ao trabalhador o domínio sobre sua própria vida. É uma promessa de renovação positiva que as pessoas podem tocar e sentir.

Assista a um trecho da entrevista abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Gaspar Alencar

    3 de maio de 2026 6:50 pm

    Meireles, falou com propriedade. Como quem entende!

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