A cobertura restritiva da Globo e a campanha do PT em São Paulo

Jornal GGN – O critério que a Rede Globo adotou para cobrir os candidatos ao governo de São Paulo causou indignação entre petistas. Na semana passada, a empresa da família Marinho estabeleceu que somente os postulantes com mais de 6% de intenções de votos nas pesquisas Ibope e Datafolha terão agendas de campanha divulgadas diariamente.

Alexandre Padilha, candidato do PT, terá até duas inserções semanais em função do número baixo de concorrentes no Estado, segundo informou a Globo. Ele registrou apenas 5% no Ibope de julho, ficando atrás do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que obteve 50%, e Paulo Skaf (PMDB), 11%. Como a margem de erro dos estudos citados varia entre 2 e 3 pontos, é possível que Padilha seja preferência de até 8% do eleitorado, mas a Globo descartou esse fator.

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Jornal GGN, os critérios de cobertura da Globo, mais que restritivos, são questionáveis do ponto de vista “democrático”. Para eles, a emissora escorrega ao não considerar, por exemplo, que o PT é um partido com representatividade no plano nacional, estadual e municipal, além de historicamente contar com apoio de 30% do eleitorado paulista. Eles avaliam ainda que a pouca exposição de Padilha no noticiário global não é tão prejudicial quanto pode parecer.

O cientista político Cláudio Couto, docente da Fundação Getúlio Vargas, indica que “um critério bom e objetivo para selecionar os candidatos seria cruzar as intenções de voto com a relevância dos partidos no Congresso”. À parte a sugestão, o especialista observa que, embora o poderio da Globo seja inegável, esse tratamento dado às campanhas paulistas não determina a vantagem de um candidato sobre outro, ou mesmo a vitória de Alckmin no primeiro turno, como apontam as sondagens.

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“Em São Paulo, esse critério de cobertura não é suficiente para definir a eleição. Isso porque as pessoas, hoje, são informadas por outros canais. A Globo tem força, mas não é mais única. Tem outras emissoras de peso e mais plurais, e mais do que isso, tem o horário eleitoral e também a campanha boca a boca, nas ruas e nas redes sociais. Os partidos que estão de fora da cobertura não podem apostar apenas nos meios tradicionais”, defendeu.

Rui Tavares Maluf, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, também minimizou o poder de influência da Globo. “É preciso considerar que o eleitor que acompanha política com frequência não se informa apenas na Globo, e o eleitor que dá as costas, quando se vê obrigado a decidir o voto, passa a dar mais atenção ao horário eleitoral no rádio e na TV. Isso vai refletir nas pesquisas. A Globo só será fator determinante ao candidato que tiver muito pouco tempo de propaganda”, comentou, apostando, ainda, no crescimento de Padilha nesta fase.

O horário eleitoral gratuito começa oficialmente em 19 de agosto e aponta para uma disputa relativamente equilibrada entre os três principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Padilha terá cerca de 4 minutos e 22 segundos. Skaf terá o maior tempo, 5 minutos e 58 segundos. Alckmin, 4 minutos e 51 segundos. 

No núcleo duro da campanha petista, o horário eleitoral é a aposta para driblar a baixa exposição de Padilha no noticiário global e contornar, em parte, os estragos provocados pela cobertura da mídia impressa. Há meses, o ex-ministro da Saúde vem sendo desgastado pelo caso Labogen. A bola da vez é a associação entre o deputado Luiz Moura e o PCC. Enquanto isso, Alckmin e Skaf ocupam poucas ou quase nenhuma página com informes negativos.

Dificuldades de Padilha

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Rui Tavares Maluf ainda faz uma ressalva em relação as dificuldades que Padilha enfrenta em São Paulo. Para ele, elas estão mais relacionadas com o arranjo partidário deste ano do que com a mídia tradicional. 

“O desafio da candidatura de Padilha tem um diferencial: a base [aliada] no plano federal sofreu uma mudança grande com a candidatura do Skaf. Da mesma maneira que agora Skaf tem condições políticas de chegar em Alckmin, ele também pisou no PT ao provocar esse racha [com os aliados]”, comentou. 

Enquanto o PDT, PSD, PP e PMDB apoiam a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), em São Paulo todas essas siglas caminham com Skaf, restando a Padilha a aliança PT-PCdoB-PR. A formação de coligações está justamente na raiz da disputa por maior tempo de TV.

“Sei que tem muita gente no PT com a expectativa de que Padilha estivesse melhor nessa fase, mas isso tem menos a ver com a cobertura da mídia do que com esse fator partidário”, completou.

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28 comentários

  1. Na realidade a Globo dá um espaço de 99% ao PT

    Mas apenas com factóides, mensagens negativas, pseudo-escãndalos, meias-verdades, ilações, etc.. O PT deve ter uns 99% de cobertura da Globo..

  2. Isso obviamente é proposital

    Isso obviamente é proposital da Globo, para evitar a exposição do Padilha.

    Tem que ser feito do limão uma limonada.

    Isso tem que ser denunciado, o tempo todo, no horário eleitoral. Empurrar a Globo para cordas, colocá-la na defensiva. Tem muita gente que odeia a Globo.  Brizola ganhou várias eleições contra a Globo. Principalmente por ser contra a Globo.

    • Se Padilha hoje tem 5% é bom

      Se Padilha hoje tem 5% é bom para ele que não seja exposto, pois corre o risco de chegar em outubro com 3%. 

      Ele é péssimo. Se já o achava fraco, as poucas entrevistas que ele deu serviram para confirmar ser muito ruim.

      Infelizmente, SP está carente de bons candidatos. O “menos pior” talvez seja o Skaf. Se as escolas estaduais fossem do nível do SESI já estaria bom demais.

      • Piada

        Kassab aumentou o IPTU em 357% e Skaf não deu um “pio”

        Haddad ia aumentar em 14% e Skaf chiou

        Skaf enche a boca pra falar de “impostômetro” mas não fala um “A” sobre o sonegômetro

        Piada

      • “Se Padilha hoje tem 5% é bom

        “Se Padilha hoje tem 5% é bom para ele que não seja exposto, pois corre o risco de chegar em outubro com 3%”:

        Deus te ouca!

        Nesse meio tempo, qual eh a SUA solucao para a agua mesmo?

    • Claro que é proposital, é

      Claro que é proposital, é para que a candidatura dele não cresça. Um exemplo, a Dilma na eleição passada começou com 3% e foi crescendo, não houve esse boicote que a Globo está fazendo com o Padilha. Outra coisa, o PT em SP tem no mínimo 30%, ele pode não estar com os 30 mas que está pelo menos perto dos 20%, tenho certeza que está. Gostaria que algum instituto de fora de São Paulo e não contaminado pelo PSDB fizesse uma pesquisa séria. Será que existe?

      • Malú, só por curiosidade fui

        Malú, só por curiosidade fui garimpar o percentual de votos válidos aproximado do 1o turno obtidos pelos candidatos petistas ao governo em São Paulo desde as eleições de 1982 até hoje:

        1982 – 9%

        1986 – 11%

        1990 – 9%

        1994 – 14%

        1998 – 22%

        2002 – 32%

        2006 – 31%

        2010 – 35%

        O pessoal da Globo não é ingênuo, e irá se fazer de desentendido até quando for possível. A campanha começara para valer ao mesmo tempo que a falta d’água se agravará, com todos batendo em Alckmin. O segundo turno é certo, e a considerar o histórico, especialmente o mais recente, será entre Alckmin e Padilha. 

         

         

        • Pois não é, Alexandre? Então

          Pois não é, Alexandre? Então vou acreditar que o PT hoje tem em SP um índice menor que em 1982? Só lá na Globo e nesses institutos viciados de São Paulo e para os paulistas que acreditam em tudo o que a imprensa amiga do PSDB  quer é que acreditem. Pode crer, o Padilha tem muito mais votos do que dizem essas pesquisas fajutas de SP. “Revortei!”

          • Padilha tem muito mais votos

            Padilha tem muito mais votos sim, teve uma pesquisa que o colocou com 11% (ele estava crescendo e aí sumiram com ela).

            Eles devem trocar pesquisas espontâneas por estimuladas, Alckmin caiu de 19 para 11% na espontânea segundo uma informação divulgada apenas por blogs.

            Se em 2006 com o Mensalão o PT não despencou, esse ano não vai ficar abaixo de 31% nunca.

             

             

             

             

  3. O governo federal também

    O governo federal também deveria adotar um novo critério em relação aos gastos com propaganda em empresas de comunicação. Não adianta, Padilha vai chegar ao nível normal do PT, vai ter segundo turno e alckmin vai terminar como secretário de recursos hídricos de alguma prefeitura tucana do interior do estado. Se precisar votar em Skaff (blargh!) pra ajudar a transformar o psdb em partido nanico de vez, eu voto!

  4. Antipetismo

    Em SP o antipetismo está se materializando a olhos vivos já se encontra quase no estado de plasma,Haddad está tendo sua gestão cerceada por medidas judiciais,nem ciclovias pode fazer porque são vermelhas ,a maioria dos colunistas que defendem a matança de crianças como “ato de autodefesa” estão em SP não olham para a matança e sim uma oportunidade  de desacreditar a politica do Itamaray,e ainda acham que a voz do Brasil é um entulho da ditadura do estado novo .

    • Eu sou paulista e sei que o

      Eu sou paulista e sei que o povo de SP é besta.  O PSDB destruiu uma geração inteira com essa progressão continuada mal aplicada que virou aprovação automática.  Nem vou falar de segurança (afinal, SP não tem fronteira), transporte e abastecimento de água.  No Sul, o povo rechaçou a Ieda Crusius e o PSDB.  Aqui, eles REINAM a 20 anos.  Engraçado que o mesmo povo que diz que tem que mudar o Governo Federal porque tem que mudar não aplica o mesmo conceito com relação ao Governo de SP.  Volto a dizer: esse povo é besta.

  5. Infelizmente, o PT merece

    O partido deixou de distribuir verbas bilionárias aos veículos da Globo através de suas gestões? Não

    O partido dá suporte para a investigação da sonegação da Globo? Ao menos dá publicidade ao fato? Não

    O partido tem forças para levantar a bandeira da democratização da mídia em um governo no qual detém a presidência da república? Não.

     

    Então fica difícil defender quem não se defende. Quem sabe se a Dilma, ao invés de posar como musa do GAFE logo que tomou posse, tivesse se preocupado com uma comunicação social eficiente e com uma democratização da mídia enquanto tinha forças para fazê-lo, as coisas não fosse um pouco diferentes.

    Nesse aspecto, o governo começou e segue muito mal.

  6. Que falta faz uma lei de

    Que falta faz uma lei de Médios …

    Que falta faz coragem para se fazer cumprir a lei …

    Que falta faz determinação para enquadrar estes meliantes …

    Sobra cara para levar tapa todo santo dia, sem direito a reclamação.

    Não se façam de vitimas, pois só é vitima quem não tem meios para reagir.

    Não é o caso da Dilma e do PT.

  7. padilha e a globo

    a  globo ja fez sua opoção por alckmin…..eterno candidato blindado que se arvora o quarto mandato!!!apsesar de um governo medrioque/privatista,sem investimento na sabesp……….paulista adora!!! e vota nele……

  8. De um limão, uma limonada.

    Seria bom que o Padilha chegasse a um segundo turno – oxalá chega – sem a “Grobo”. Cairia o mito, inclusive para o PT. Há males que vem pra bem.

  9. A bolinha de papel virou uma avalanche

    Quem perdoa bolinha de papel leva avalanche de neve na cabeça…

    O que aconteceu com o patamar histórico de 30% do PT?

    Secou mais que a Cantareira enquanto o Alckmin ficou mais encharcado ainda…?

    Conta outra!

  10. A cobertura restritiva da Globo e a campanha do PT em São Paulo

    Eles não esquecem do efeito Fernando Haddad e não estão dispostos a mais um mico.

  11. Skaf & Alckmin, a Direita Sinistra.

    Skaf é o homem que derrubou a CPMF e o reajustamento do IPTU em SP, quando foi proposto por Haddad. Os aumento de IPTU propostos e aprovados pelo Kassab, nem deram rodapé de jornal. O reajustamento da “Zona Azul” (permissão de estacionamento na via pública por 1 hora) feito pelo Haddad, foi motivo para horas de reclamações nos noticiários locais. O preço da Zona Azul não aumentava desde 2009. Alckmin é Opus Dei. Skaff é Opus Satanás. A diferença deles é a mesma entre 2 e o único número primo que é par. Besta foi a Marta, que mudou o nome da Avenida Água Espraiada para “Jornalista Roberto Marinho” e se deu mal. Levou um pé na bunda da Globo em 2004.

  12. Essa restrição vai durar até

    Essa restrição vai durar até a primeira pesquisa após o início da propaganda eleitoral. Erraram no limite e agora não vai dar para mudar, senão fica muito evidente. É só esperar.

  13. Ruas desmentem Datafolha:

    Ruas desmentem Datafolha: Padilha é o candidato das multidões.

    Amigos do presidente Lula

      

    Foi só fazer uma caminhada pelo centro de São Paulo para abrir a campanha de rua a governador, que Padilha, ao lado de Lula e do senador Suplicy, levou milhares de militantes e cidadãos às ruas.

    Padilha é o candidato da Saúde, da educação, do emprego, da casa própria (e com água na torneira), da segurança pública, do metrô e trens ampliados e menos lotados, sem propinão tucano. Do desenvolvimento econômico e da prosperidade social.

    Alckmin é o candidato da enrolação da Folha e do Datafolha, que “ajeitou” pelo menos 12 pontos para o Aécio parecer que “empataria” no segundo turno. Quantos pontos a mais o Datafolha arrumou para o Alckmin? Nem os tucanos acreditam no Datafolha. Todos sabem que Padilha terá pelo menos cerca 30% dos votos válidos no primeiro turno e é o mais sério candidato a disputar o segundo turno com Alckmin, e com chances de vencer.

     

  14. É bom que isto esteja

    É bom que isto esteja acontecendo com o PT, que é consolidado no poder. E que não teve coragem de mexer nesse vespeiro das concessões, mesmo quando tinha o apoio popular. E que aparentemente vai se apagar sem coragem de regular a propriedade cruzada dos meios de comunicação.

    O que é absurdo é uma concessionária de um serviço público, o da radiodifusão, poder optar sobre qual partido vai fazer parte do jogo político nas eleições. Isso é um poder maior do que o do Tribunal Superior Eleitoral, que não pode negar candidatura sem prévia determinação legal.

    Pouco importa se as idéias do Zé Maria e assemelhados não tem adesão popular. A partir do momento em que se inscreveram na eleição, eles tem o direito de expor o plano político que quiserem.

    Nas últimas eleições as melhores intervenções do ponto de vista de Política e democracia foram do Plínio. Que não estava disputando a vitória de nada. O que fazia a diferença é que ele estava expondo seu projeto político, fruto da sua vida política, em vez de um projeto de marketing eleitoral à base de falar o que o povo diz que quer ouvir. Por ser autêntico, influenciou bastante gente, mesmo entre os que não votaram nele. Essa diversidade no debate é fundamental para a democracia.

    O que não dá para entender é um executivo da Globo, operando o serviço de radiodifusão pública, ter mais poder que o TSE e eliminar um Plínio do debate público por ser “nanico”, como se estivesse escolhendo entre candidaturas sérias e candidaturas de brincadeira. Como se a organização política de um país guardasse espaço natural para brincadeiras.

    Felizmente isso está acontecendo com o PT, que estava acomodado pelo tamanho que tem. Porque antigamente o abuso era com os partidos “nanicos”. Se tiverem juízo, colocam limite nesse autoritarismo, seja por lei, seja pela indicação de gente preocupada com essas questões para compor o TSE. E tomara que derrubem junto essas regras esdrúxulas sobre tempo de TV, que mais parecem uma jogatina de pôquer do que regras eleitorais que garantam um debate amplo com tempo justo para todos os candidatos.

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