A última pesquisa Dataflha (9/05/14), colocou as tendências eleitorais nos seus devidos termos e os que julgavam que Dilma poderia vencer no primeiro turno terão que rever suas posições. Ou seja: mantido o atual quadro de candidaturas, dificilmente não haverá segundo turno. Se a pesquisa for levada a sério, o PT e a presidente poderão rever sua estratégia e assentá-la sobre bases realistas para enfrentar seus adversários e buscar meios e caminhos para sair da defensiva política – condição necessária para evitar riscos maiores na busca da reeleição.
Se os petistas e governistas tiverem a competência para definir uma estratégia ofensiva e se navegarem com firmeza e sem precipitações nos mares revoltos da copa do mundo, Dilma, em que pese os erros na condução econômica e os problemas na Petrobrás, poderá adentrar o mês de agosto navegando nas águas calmas do favoritismo. A principal coisa que petistas e governistas terão que fazer é reduzir a ansiedade do eleitorado por mudanças e mostrar que os ajustes necessários que o Brasil terá pela frente serão feitos com maior segurança se a atual coalizão governamental e se a presidente Dilma permanecerem no comando. Quanto mais insegurança o eleitorado sentir em relação à economia e ao futuro, mais propenderá aos candidatos oposicionistas. Além de gerar segurança em relação a si, Dilma terá que gerar insegurança e desconfiança em relação a Aécio e a Campos.
Quem é Inimigo de Quem
Até agora, Eduardo Campos vinha se conduzindo como linha auxiliar de Aécio Neves. São jantares em restaurantes de luxo, declarações de convergências programáticas, tapinhas nas costas, camaradagens e juras de que estarão juntos no futuro governo. Parece que agora percebeu que será necessário diferenciar-se. O problema é que não basta apenas a diferenciação. Se os campistas forem bons analistas políticos e observarem a conjuntura presente (2014) e o futuro (2018), perceberão que o candidato tucano deve ser encarado como principal inimigo. Analise-se os interesses que estão em jogo em 2014. Tanto as tendências eleitorais, quanto a lógica, indicam que dificilmente Dilma não estará no segundo turno. Mesmo com o forte anseio por mudanças, o fato é que Dilma terá uma coalizão forte, terá o maior tempo de TV, poderá mostrar que as conquistas econômicas, salariais e sociais dos governos petistas continuam de pé, que o emprego e a renda estão em patamares altos etc. Claro que tudo isto dependerá da competência dela e daqueles que irão conduzir sua campanha.
Assim, se o primeiro objetivo de Campos consiste em passar para o segundo turno, terá que travar uma batalha contra Aécio, mostrando ao eleitor por que ele deve ser o escolhido e não o candidato tucano. Isto implica em desfazer camaradagens, desfazer palanques conjuntos e partir para a briga. E no caso de Campos não passar para o segundo turno, mesmo assim atingirá um objetivo secundário, que é o de semear a sua candidatura para 2018. Neste caso, deverá preferir uma vitória de Dilma e não de Aécio. Mesmo vencendo, Dilma não estará mais no páreo em 2018. O cenário da disputa presidencial, assim, estaria mais aberto sem candidato à reeleição. No caso de uma vitória de Aécio, o cenário estaria mais fechado, sendo que este buscaria a reeleição. Sabe-se que os candidatos que buscam a reeleição têm mais chance de vencer do que os outros.
Dentre os três principais candidatos, Aécio Neves parece ser o jogador mais solitário. Com Dilma não tem jogo: é inimiga e ponto. Mas poderá sofrer a ameaça de Campos. Poderá ter que atacá-lo, mas não a ponto de inviabilizar um eventual apoio no segundo turno. Até agora, Aécio vem se saindo bem em tornar o candidato do PSB em linha auxiliar. Mas como as pesquisas mostram que Campos é o candidato que tem o maior potencial de crescimento e levando em conta o suposto de que Dilma estará no segundo turno, o ex-governador de Pernambuco surge como uma ameaça real.
Dilma, por sua vez, deve preferir Aécio como adversário no segundo turno. Dado o alto percentual de eleitores que querem mudança, Campos poderá encarnar melhor este desejo do que o candidato tucano. Seria um candidato mais perigoso num segundo turno. E dada a lógica de Campos de que deve preferir Dilma à Aécio ela terá mais chance de trazê-lo de volta à antiga aliança no segundo turno.
A Singularidade das Eleições de 2014
O fato é que as eleições presidenciais de 2014 serão marcadas por uma singularidade em relação a todas as outras eleições do período da redemocratização. As eleições de 1989 foram presididas por uma lógica multipolar: Collor, Lula, Brizola, Covas, Ulisses Guimarães, Maluf, Afif Domingos, Aureliano Chaves, Roberto Freire, entre outros, todos lançaram-se à disputa num cenário aberto e numa conjuntura marcada pelo anseio de mudanças. Não é por acaso que os dois candidatos que mais expressavam ideias de mudança – Collor e Lula – disputaram o segundo turno.
De 1994 a 2010, as eleições foram presididas por uma lógica bipolar, sendo os candidatos do PSDB e do PT os protagonistas dessa polarização. Em 1994, em que pese as candidaturas de Enéias, Quércia, Brizola e outros, a bipolaridade se definiu mesmo antes do início da campanha. No mês de junho daquele ano, as pesquisas apontavam um empate técnico entre Lula e FHC em torno dos 30% das intenções de voto. Em 1998, 2002, 2006 e 2010, a bipolaridade foi mais nítida ainda.
Em 2014, as tendências de momento indicam que poderemos ter eleições presididas por uma tripolaridade, mesmo que se considere Dilma primus inter pares. A tripolaridade é marcada pela existência de três candidaturas competitivas, que expressam alternativas diversas de poder. A competitividade se define pelo fato de que cada uma das três postulações tem alguma chance de vencer. Em sendo o segundo turno uma variável altamente provável, os três candidatos desenvolverão esforços, ainda no primeiro turno, para tornar a disputa bipolar. Levando em conta o que está em jogo, os interesses e as preferências de cada uma das candidaturas, as estratégias tenderão a ser complexas e poderão implicar em mudanças no meio do caminho.
Dilma terá que evitar a bancarrota de um projeto que se proclamava transformador, buscando ganhar tempo com um novo mandato para redefini-lo. A Aécio não bastará restaurar os parâmetros de um projeto que teve força na década de 1990 com a edição do Plano Real. Terá que lutar para evitar a irrelevância do PSDB, não permitindo que o partido se torne nanico. Campos é o que menos tem a perder. Está buscando um lugar ao sol para si e para o seu partido como jogadores relevantes no futuro próximo do Brasil. Se vencer será a glória. Se perder, terá plantando as sementes para 2018.
Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.
JB Costa
12 de maio de 2014 11:23 amNenhum analista político de
Nenhum analista político de visão arriscaria afirmar que não haverá segundo turno. O Comitê de campanha, e principalmente Lula, já devem estar se planejando para isso, obviamente.
Concordo também com o autor do texto quanto as situações e posições de Campos e Aécio. Para se tornar viável, o primeiro, obrigatoriamente, deverá ter como alvo primário o segundo. E, dentre outras, por duas razões: 1) É egresso do sistema de Poder que a presidenta Dilma representa, ou seja, até “ontem” era partícipe do mesmo. Eventual perfil de oposicionista ferrenho soará como falsidade para o eleitorado. 2) Na eventualidade, pouco provável, sim, mas possível, de passar para um segundo turno e assim confrontar a presidenta, aí sim, poderá posar de “mudancista”, “reformador” e ao mesmo tempo de capaz de manter as mudanças e os avanços conseguidos pelo PT.
Os jornais já estapam vislumbres dessa situação quando colhem declaração de Aloysio Nunes cotado, ainda( a depender da CPI do escândalo do dito “transalão”) para vice na chapa de Aécio, do tipo” “Marina joga água no moínho do PT”. Nesse caso, a frase do par de Campos na chapa tem dois sujeitos: um(a) sujeito simples(Marina) e o outro oculto(Campos).
Também há de se destacar razões bem menos prosaicas, ou mais de fundo, para que a chapa Campos-Marina arroste a de Aécio: propostas, ou, posicionamentos políticos-ideológicos. A primeira quer mudanças pela esquerda(pelo menos teoricamente), mas buscando preservar os já propalados avanços. Mesmo porque ambos participaram deles. Já a segunda, Aécio – ? , quer mudanças pela Direira e, certo como dois e dois são quatro, se eleitos, descontruindo, de fato e no discurso, a obra do PT nesses últimos doze anos.
Assis Ribeiro
12 de maio de 2014 11:37 amA bipolaridade das eleições estão solidificadas
E Campos não conseguiu o seu espaço
De um lado o mercadismo/neoliberalismo de Aécio, do outro o desenvolvimentismo de centro com Dilma
Qual o espaço para Campos?
A procura por bandeiras:
1) Tentaram a terceira via, como um caminho alternativo, não deu certo
2) Tentaram tomar as bandeira sociais de Dilma, não vingou
3) Tentaram colocar Campos em contato com grupo seleto de São Paulo, área de Aécio, não deu resultado.
4) Mais recentemente tentaram colocar (impossível) Campos entre Dilma e Aécio.
5) Agora querem colocar Campos como o que irá conseguir à seu favor parte dos votos nulos e brancos das pesquisas, esqueceram que tais votos estão historicamente dentro do que foi apurado en todas as últimas eleições.
JB Costa
12 de maio de 2014 11:56 amPermita-me discordar
Permita-me discordar parcialmente, Assis.
Parcialmente porque não avalio como totalmente sem espaço a candidatura de Campos-Marina. Mesmo ainda aquém do desejado para ganhar competitividade, os 10%(aproximadamente) que tem nas pesquisas não são nada desprezíveis. Se fosse a Marina a titular com certeza seria maior.
Acho que o tempo do verbo “tentaram” está equivocado. O processo eleitoral está ainda nos seus primórdios. Faltam ainda cinco meses para as eleições. E no meio teremos, dentre outros, a propaganda eleitoral e eventos que podem, para o bem ou para o mal, influenciarem na decisão do eleitorado, a exemplo da Copa e os indicadores econômicos.
O eleitorado de Campos-Dilma serão os insatisfeitos com o atual esquema de Poder, na maioria simpatizantes à esquerda, e os que em contrapartida jamais votariam em tucanos.
Voto na Dilma, mas estou bastante apreensivo. Como já arrolei em comentários anteriores, a reeleição dela(se se efetivar) não será nenhum passeio. Ao contrário.
Anúbis.
12 de maio de 2014 12:27 pmEnfadonho.
Que o senhor Aldo é ruim de análise política já sabíamos. Mas ele vai além, pois mostrou-se ruim de História e de contas.
Em 2002 ele desprezou o fenômeno Garotinho e em 2010, Marina.
Ora bolas, estes dois tiveram uma parcela do eleitorado bem maior que a que Eduardo Campos agora detém, potencialmente, mas ainda assim não foram tratados pelo senhor Aldo como polos da relação eleitoral.
Este sacrifício da realidade e da coerência está subordinado a sua ideia fixa: construir um cenário desastroso para a candidatura do governo, e para tanto ele prevê dilúvios e enumera catástrofes, embora ninguém, que seja honesto intelectualmente, consiga enxergar o caos na Copa, ou um desastre da gestão econômica ou na Petrobras.
E parte desta tática reside em nos convencer que há três forças que se equivalem em peso político, e que isto é sinal da fraqueza do governo, que por este motivo, está sob risco severo de perder a eleição.
Veja que das situações que encurralam o governo, duas delas (Petrobras e Copa) escapam ao seu controle por serem fatos consumados: na Copa vai dar m…rda, e a Petrobras é um escândalo.
Se trocarmos o nome Aldo por Sardenberg ou William Waack não percebermos diferenças.
Debater o que diz o senhor Aldo já ficou cansativo.
Mas se o senhor Nassif acha importante publicar estas besteiras, cá estamos para deconstruí-las.
JB Costa
12 de maio de 2014 1:54 pmPrezado Anúbis,
Visto que a
Prezado Anúbis,
Visto que a teu comentário descambou para a depreciação, de início te indago, se não for pedir demais, acerca das tuas credenciais. Afirmar que um articulista cientista político escreve besteiras prescinde de um mínimo de estofo. Ou não?
Não vi no texto uma vontade, uma idéia fixa para construir cenários desastrosos, mas apenas uma leitura e projeção da realidade. Como também é evidente que qualquer texto é para nos informar e/ou tentar nos convencer de alguma coisa. Isso é ilícito?
Comparar o autor com SardenbergeWillam Waak é um evidente exagero.
Por fim, um conselho: se ler o Sr, Aldo é cansativo, deixa de lê-lo, ora bolas!
Anúbis.
12 de maio de 2014 4:59 pmJB.
Em respeito ao senhor, vai uma resposta bem comportada.
01- Querido amigo, pedir credenciais em blog para um psedônimo só pode ser piada. Serpa melhor você dizer que (como fez) não concorda com meu estilo de escrever, o que te satsfaria, mas pouco ou nada adiantaria, haja vista que não escrevo para sua satisfação;
02- Credencial? Não as tenho, mas acho que tão ruim quanto minha postura em relação a quem as têm, é a sua exigí-las, ou será que você apresentará as suas toda vez que criticar o Demétrio Magnoli ou qualquer outro acadêmico por aqui. Ou será justo que eu te peça as suas para me criticar? ‘Tá vendo, este troço não avança.
Vamos te repetir:
“(…)Não vi no texto uma vontade, uma idéia fixa para construir cenários desastrosos, mas apenas uma leitura e projeção da realidade. Como também é evidente que qualquer texto é para nos informar e/ou tentar nos convencer de alguma coisa. Isso é ilícito? (…)”
Uai, VOCÊ não viu, mas EU VI. Não é esta a maravilha deste espaço?
E se eu acho uma bosta, e o editor do blog publica minha manifestação ipsi literi, fica a pergunta: Quem é você para impor regras e censuras?
Não é ilícito o intento do Sr Aldo. Ilícito é ele tentar dar verniz científico (que engana até você) ou caráter informativo a um monte de asneiras só porque ele assina com titulações pagas pelo nosso imposto de renda, buscando hierarquizar opiniões, apoiado por aqueles que acham que um Dr é requisito para algo.
As comparações são exageradas?
Uai, têm dezenas de expressões muito mais exageradas no texto do Sr ALDO e você não citou nenhuma.
De todo modo, ainda que “cansado” (figura de linguagem, retórica, caro JB), sigo a debatê-lo, atacá-lo quando achar necessário e o dono do blog deixar, porque nem ele, nem você me vencerão pelo cansaço.
Espero que o editor do blog me conceda o espaço para reagir ao ataque.
Respeitosamente,
JB Costa
12 de maio de 2014 6:36 pmCaro Anúbis,
1) Dispenso o
Caro Anúbis,
1) Dispenso o tratamento de “senhor”. Muito formal.
2) As credenciais pedidas se referem às intelectuais. Se tivesses só escrito “não concordo”, “entendo diferente”, ou coisa similar, tudo bem. Entretanto, simplesmente a opção foi depreciar, alcunhar de “besteira”(bobagem). Mesmo com fundamentação e referências já seria uma grosseria, sem elas prevaleceu esta e a arrogância. Entendo que assuntos de natureza política são na maioria das vezes suscetíveis de contraditórios em função da sua correlação com a realidade cotidiana. Mas nem por isso se pode desqualificar um texto, como foi o caso.
3) Ora, não se faça de criança mimada: fiz uma crítica a tua crítica. Usei minha liberdade de expressão como fizestes uso da tua. Não te agredi, nem tentei cercear teu direito de opinar. Não quis, absolutamente, impor regras ou censuras. Esse teu “argumento” é desleal e desonesto.
Continue a debater, criticar, fazer o que quiser. Peço apenas mais um pouquinho de comedimento e amadurecimento.
Calvin
12 de maio de 2014 5:42 pmHein?
“… dificilmente Dilma não estará no segundo turno. Mesmo com o forte anseio por mudanças, o fato é que Dilma terá uma coalizão forte, terá o maior tempo de TV… “
Ora, no 2º turno é outra campanha, e os 2 postulantes terão o mesmo tempo de rádio e TV.
Anarquista Lúcida
12 de maio de 2014 8:38 pmLeia de novo, Calvin, com esforço vc consegue entender…
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Nira
12 de maio de 2014 9:56 pmFornazieri está se referindo
Fornazieri está se referindo ao primeiro turno.
Gunter Zibell - SP
12 de maio de 2014 11:07 pmEm resumo:
Campos está ‘barato’.