Bolsonaro no JN: o discurso fascista encontra quem fez vista grossa à barbárie, por Tiago Barbosa

Bolsonaro no JN: o discurso fascista encontra quem fez vista grossa à barbárie

por Tiago Barbosa

A fúria indomável do Jornal Nacional contra Ciro Gomes temperou a expectativa de ver os âncoras peitarem Jair Bolsonaro, candidato cuja linguagem é um mix de fake news de whatsapp com bordão fascista das passeatas antipetistas.

Era a chance de deixar nua a debilidade das propostas e esvaziar o discurso de ódio do ex-militar, alçado ao estrelato das pesquisas eleitorais pela lacuna civilizatória e política instalada com os abusos da Lava Jato.

Mas os entrevistadores falharam com tentativas toscas de exigir complexidade de um presidenciável cujo compromisso com a humanidade se resume a andar de pé – e não de quatro como seria mais alinhado ao conteúdo das suas declarações homofóbicas, misóginas e racistas.

Bonner e Renata Vasconcellos repetiram erros de entrevistas passadas ao tentar extrair de Bolsonaro constrangimento sobre demonstrações públicas de preconceito e burrice.

Em vão. O candidato logrou visibilidade justamente por se alimentar da barbárie para a qual a mídia fechou os olhos, em anos recentes, porque era necessário extirpar o PT da vida pública.

Bonner ousou falar de corda em casa de enforcado e ficou desmoralizado quando o ex-militar disparou “Eu fico com o Roberto Marinho”, em alusão ao apoio da emissora ao golpe de 1964 – reconhecido pela empresa 50 anos depois.

A vergonha é redobrada porque a Globo é acusada por forças progressistas de liderar o golpe parlamentar de 2016 aplicado contra Dilma Rousseff e estendido ao ex-presidente Lula – silenciado em uma cela após uma condenação sem provas assinada por um juiz protegido pela emissora.

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As reações de Bonner e Renata se resumiram a frases balbuciadas e quase inaudíveis: “Não vai fazer nada sobre desigualdade salarial (entre homens e mulheres)”, “o senhor concorda com isso (retirada de direitos do trabalhador)”, afirmaram de forma contida.

A atitude mais enérgica se deu quando Bolsonaro tentou acusar a Globo de remunerar de forma diferente homens e mulheres. “Pago o seu salário”, chegou a dizer a apresentadora.

Ele já havia acusado a empresa de “pejotizar” os funcionários – prática comum entre as empresas de mídia para cortar benefícios dos trabalhadores.

Voluntário na ignorância, truculento por vida e oportunismo, o candidato ainda usou o tempo na TV para defender abertamente o direito de policiais matarem com respaldo do estado – apologia ao vivo, para milhões de pessoas, em um país conflagrado pelo extermínio de jovens, negros e pobres pelas mãos da criminalidade e de parte de uma polícia assassina.

Os âncoras silenciaram – assim como sempre se calaram o Ministério Público e o Judiciário, cujo exemplo de omissão mais recente remonta ao adiamento do julgamento de Bolsonaro, à tarde, por ter se referido a negros como animais, pesados em “arrobas”.

O pesquisador Jessé Souza defende a tese segundo a qual Bolsonaro é filho da Lava Jato com a Globo, ou seja, do abuso corporativo com o antipetismo midiático, do fascismo com a seletividade e a omissão.

Ao fim do JN, Bonner releu fragmento do editorial no qual a Globo reconhece o apoio equivocado no golpe de 1964.

Surtiu pouco efeito.

Enfrentar a tirania de Bolsonaro exigiria da mídia revisar o próprio papel antidemocrático manifestado, cotidianamente, no desprezo às bandeiras e aos candidatos progressistas.

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Mas isso nem a ONU conseguiu mudar.

 

 

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10 comentários

  1. Um sujo falando dum mal lavado

    Acostumada a ser pedra, finalmente, a globo se sentiu uma vidraça.

    O Bolsonaro deve ter tirado votos do picolé de chuchu, do Cabo Daciolo, do Amoiêdo e do Meirelles.

  2. bolsopata, o “jênio makiavelista”!

    Olha Tiago, seu texto traz importantes considerações, mas peca pela ingenuidade.

    Olha o trecho:

    “(…)Mas os entrevistadores falharam com tentativas toscas de exigir complexidade de um presidenciável cujo compromisso com a humanidade se resume a andar de pé – e não de quatro como seria mais alinhado ao conteúdo das suas declarações homofóbicas, misóginas e racistas.(…)’

    Não foi falha, caro, é proposital.

    Claro que há um ensaiado clímax, ou um certo desconforto por aqueles que se acham muito diferente do bolsobosta.

    bonner e a abajur feminina, que enfeita a bancada, se acham, de fato, um fenômeo distinto do símio, e podem até deesconhecer que são a causa e o efeito do mesmo fenômeno.

    A moçoila ficou fula da vida quando o símio lhe disse que ela ganhava menos que ele para fazer o mesmo.

    O cretino do bonner tem até direito de acreditar que pode dissociar a globo do golpe de 64 da…da globo da “democracia” e…do…do golpe de 2016…

    Viu, é a mesma merda, e eu prefiro que o bonner seja cínico a ser tão burro.

    Fica mais fácil empalar ele se for preciso.

    O que tivemos ali foi uma aula de ciência política, e de sociologia, quiçá de outros ramos do conhecimento:

    – Não, não há chance de algum jornalismo que seja capaz de enfrentar a fúria da turba, porque é da fúria da turba que esse jornalismo se alimenta;

    – Não, não há chance de frear a turba e sua fúria com instituições, judiciários e republicanismos, justamente porque a turba e bolsopatas são a solução que o estamento encontra quando o estamento se sente ameaçado ou deseja prevenir algo.

    A serpente tinha que ser morta no ninho, quando chocavam os ovos (e eles sempre estão chocando).

    Nós do PT fomos frouxos. Quisemos entrar na festa de pica fantasiados de cu, achando que nada ia acontecer.

    Agora, só um golpe violento para arrancar-lhe a cabeça.

    Mas quem terá coragem para tanto? haddad, o bom moço, genro perfeito?

    A doce manú?

    Guilherme, o bolo com cobertura radical e recheio de moderado?

  3. A reação da esquerda em relação as entrevistas de Bolsonaro

    Eu assisti todas as entrevistas de Bolsonaro até agora e vi ele levar a melhor em todas.

    A reação da esquerda às entrevistas de Bolsonaro é muito ruim!!! Basicamente após cada entrevista eu vejo os blogs repetirem as acusações que foram feitas até mesmo pelos próprios repórteres, além disso tentam mostrar o quanto ele é hipócrita e demagogo.

    -TODO MUNDO SABE QUE BOLSONARO FALOU UM MONTE DE BESTEIRAS RACISTAS E HOMOFÓBICAS.

    O ELEITOR DE BOLSONARO SABE MUUUUUITO BEM DISSO… O PRÓPRIO BOLSONARO SABE DISSO… E A DEFESA QUE BOLSONARO FAZ, INFELIZMENTE, “COLA”.

    MOTIVO: Bolsonaro mantém o personagem “desbocado” e “durão” até mesmo diante dos entrevistadores do JN da Globo… com isso, o eleitor acredita que ele é realmente assim e por isso em diversas vezes falou besteira… Bolsonaro investiu 30 anos nesse personagem… mostrar entrevistas antigas dele falando asneiras só reforça sua “integridade”.

    COMO ATACAR BOLSONARO: Eu acho que a esquerda deve mudar de estratégia URGENTEMENTE. Pra mim, a maneira certa de atacar Bolsonaro é explorar seus mais de 10 anos na base de apoio do PT. Esquecer as declarações racistas e homofóbicas pois isso já foi explorado à exaustão e Bolsonaro sabe sair dessas acusações com facilidade. Alguém deveria passar um pente fino na atuação de Bolsonaro na base de apoio do PT e usar isso em debates e entrevistas.

    Bolsonaro cada dia vai dando um passo na direção de virar presidente… e a Globo já demonstrou que não consegue para-lo.

     

  4. É um blefe
    A emissora de TV esta blefando, pela postura de seus jornalistas, as perguntas fora feitas favorecendo o discurso do candidato, a cobertura jornalista das ações diárias do candidato, pelas denúncias do judiciário aos partidos de esquerda inclusive ao PSDB.
    O candidato militar é o escolhido,

    • Isso não é verdade! O mérito é do Bolsonaro!

      Eu acompanhei as entrevistas e vi os repórteres da Globo “rebolando” para colocar Bolsonaro contra a parede chegando a usarem recursos como interrupções e leitura de “posicionamento oficial” da emissora. A vitória não foi da emissora!

      O MÉRITO É DO BOLSONARO!!! Ele consegue sair dessas acusações de forma tosca porém convincente.

      O candidato da Globo é o “Santo” do PSDB! Porém ele é fraco e até o momento inofensivo.

      A esquerda deve mudar esse posicionamento em relação a Bolsonaro urgentemente!!! Ele não é uma “armação” das oligarquias… é um fenomeno eleitoral que a Globo achava que teria sob controle… mas não tem.

      A Globo usou a mesma tática de Lula… a de transferir votos. Achou que conseguiria derrubar Bolsonaro e transferir seus votos para o PSDB durante a campanha. EU TAMBÉM ACHEI QUE ISSO FOSSE FUNCIONAR… PELO JEITO “DEU RUIM”.

      Insistir nessa idéia vai fazer Bolsonaro crescer mais!

  5. “Os Fascistas” se divertem
    1 – Não é necessário ofender os animais pra tentar classificar a boçalidade do fulano. Os animais, e não apenas os domésticos, são muito mais inteligentes e “civilizados” – no sentido de respeitar as regras, no caso deles naturais, de convivência harmoniosa – do que grande parte dos humanos.
    2 – Se são iguais em fascismo, com diferença apenas de aparência e de preferências e estilos no exercício da truculência, por que a Globélica atacaria seu aliado golpista? A única diferença entre eles é o verniz social civilizado – que a Globélica preza como disfarce de sua podridão e seu aliado repele e agride como prova de sua suposta virilidade machista -, e a forma de lidar com questões comportamentais – aqui também a diferença acaba sendo apenas de aparência e não de essência, pois a Globélica parece adotar causas progressistas no comportamento para manter sua fonte de lucro, o entretenimento e o elenco de artistas, o que a dispensa de praticar o que veicula em seus produtos “artísticos”- que muitos confundem, e ela própria para lavar e vender imagem, com o ethos da empresa -, como no caso do racismo e das questões de gênero que foram denunciados em casos exemplares de sua hipocrisia e tino comercial (Waack e Su Tonani), o que, por sua vez, dá ao fulano a vantagem da sinceridade aos olhos da sociedade, também ela hipócrita, conservadora e contraditória nesses temas em especial.
    E o fulano também não expõe a Globélica como poderia porque sabe que o estranhamento entre os dois é como o caso USamericano recente de Trump-McCain (inimigos de boca e parceiros de guerra, concorrentes disputando a mesma pauta e patrocinadores), pois os golpiniquins estão juntos no desastre golpista, no apoio ao usurpador e às “reformas”, no apoio desenfreado ao mercado ultraliberal, no combate ao estado de bem estar social e ao direito dos excluídos, na defesa indisfarçada da neocolonização do país com a liquidação gratuita de seus ativos, principalmente os naturais – dos quais o povo é o que mais os incomoda; esse bate boca pra inglês ver serve aos dois e suas platéias de estúpidos mas não vai fundo o suficiente pra não impedir uma aliança se o Fascista que saiu, expulso, do exército, for a única alternativa da Fascista criada pela ditadura militar (esse único embate real entre os irmãos gêmeos bivitelinos mais parece uma cartada do fulano pra se valorizar e conseguir um acordo futuro, e um lembrete de como no fundo são iguais); e como a gente sabe do que a máquina de dissimulação da Globélica é capaz, que construir e destruir pessoas e projetos e História(s) é seu real negócio, de que não esconde o júbilo e que apresenta como sua marca, seu padrão, alguém lembraria desses episódios pra cobrar a ambos pela incoerência? Ora, estamos no Brasil! E o fulano não é exatamente alguém consistente, nem em sua brutalidade, e como ele consegue apoio de LGBTs conservadores sendo homofóbico e adaptando seu discurso conforme a reação de apoiadores e o cálculo político de novos aliados, alguém duvida que ele consiga se tornar flexível para ser aceito pela Globélica? Tudo pelo planalto! Afinal, ele é só o bobo da corte, como Trump, quem governa mesmo são outros…
    3 – Sobre a frase bem cínica de quem se acha [email protected] do estado e não cidadã/o, a apresentadora deve ter esquecido que o salário dela também é pago pelo fulano e por qualquer cidadão, pois a empresa em que ela trabalha é uma concessão pública, mantida com dinheiro público tanto por sonegação de impostos como porque desde sua criação é sustentada com financiamento público – de verbas de patrocínio a subvenção e ajuda emergencial anti-falência -, ou ela pensa que seu salário milionário, a partir de sua própria resposta, aliás tão rápida e incomodada, é pago do bolso dos patrões, bilionários mesmo com uma empresa que muitos dizem estar em crise financeira?
    Vê como não são diferentes? Reagiram igualmente quando apertados seus calos mais sensíveis, e incômodos, o fulano por sua inépcia parlamentar responde que eleger seus filhos foi seu maior mérito político (oi?), e a apresentadora, quando insinuada sua submissão profissional-econômica, reage defendendo o segredo de seu salário – vergonha de aceitar ganhar menos que os colegas homens, a desmentir seu discursinho de revista feminina, ou de que o povo saiba quanto ela ganha por serviço tão mal feito? – e responde com a sinceridade involuntária de quem confunde cidadania com posse e propriedade do Estado. O suprassumo da mentalidade “o Estado a serviço de meus interesses particulares e como seu resultado”.
    P.S. Não assisti à entrevista e me baseei em diversas reproduções do que foi falado sobre o assunto, e os Fascistas homólogos não são nem complexos nem originais pra dificultar análise mesmo sem acesso direto ao material.

    Sampa/SP, 29/08/2018 – 11:49 (alterado às 11:59, 12:10, 12:16 e 12:25).

  6. O fim da Globo

    Será irônico ver o ditador Bolsonaro mandando fechar a Globo se for eleito! Sim, se esse elemento desgraçadamente for eleito teremos ditadura com toda a certeza e a turma que criou esse monstro, ou seja, o judiciário e os empresários golpistas e, por óbvio, a Globo, também sofrerão na carne o que é (sobre)viver) em uma ditadura.

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