
Jornal GGN – Em entrevista para a Folha de São Paulo, Marício Rands, coordenador de governo de Eduardo Campos, afirma que ele foi vítima de uma grande ironia da história. Seu grande desafio era se tornar conhecido, o que acabou acontecendo após seu acidente.
Rands conta que ficou sabendo da tragédia enquanto participava de um fórum da revista Exame, e que ” vinha batendo na tecla de não fazer agendas frenéticas”. Ele diz que Marina o surpreendeu positivamente, afirmando que a ex-ministra é preparada e “sabe ouvir”. Também afirmou que o programa de governo deve ter somente mudanças pontuais.
Da Folha
Eduardo Campos foi alvo de grande ironia da história
DESAFIO DELE ERA TORNAR-SE CONHECIDO, O QUE ACONTECEU COM A MORTE’, DIZ COORDENADOR DE PROGRAMA DO PESSEBISTA
NATUZA NERY, MARINA DIAS
Coordenador do programa de governo de Eduardo Campos e uma das principais pontes entre PSB e Rede, Maurício Rands, 52, afirma, sem conter o choro, que o presidenciável morto em um acidente aéreo na semana passada foi vítima de uma grande “ironia da história”.
O desafio do pernambucano era se tornar conhecido. A notoriedade veio na quarta (13), mas sem que pudesse desfrutar da popularidade que tentava alcançar para chegar ao segundo turno.
Para Rands, o trágico desfecho da candidatura de Eduardo Campos dará a Marina Silva o empuxo necessário para que ela termine o que ele começou.
Se eleita, o PSB não terá um representante legítimo no Planalto. “Estamos só invertendo a cabeça da chapa. Ninguém está enganando ninguém, não há adultério”, disse, desta vez sorrindo.

Folha – O sr. era do PT, defendeu o governo no mensalão. Hoje está no PSB…
Maurício Rands – Eu já percebia, no final do governo Lula, sinais de esgotamento da capacidade de se renovar daquele projeto então liderado pelo PT. Já começava a discordar, por exemplo, de um certo acomodamento daquele modo tradicional de construir a governabilidade. O que era uma necessidade quando Lula assumiu terminou sendo percebido como virtude. Por isso o PT perdeu a capacidade de se renovar.
Eduardo estava na política há tempos, mas o mote dele era o da novidade.
O processo de renovação não vem de Marte. A renovação vai sendo feita com a realidade existente. A candidatura de Eduardo já mudou o debate das eleições de 2014. Quando Eduardo percebeu que não deveria mais continuar na aliança [com Dilma], era por perceber que aquela aliança estava na inércia.
Logo depois adotou a Rede e Marina…
Foi quando quis o destino que Marina nos procurasse. Teria sido mais cômodo para Eduardo ficar [na base política de Dilma]. O mais pragmático era ser candidato a senador, Marina ser candidata a senadora. Eles preferiram uma aliança pequena.
Mas ainda não tinha se firmado como terceira via…
O Brasil não vai ficar a vida toda discutindo o vermelho e o azul. Um polarização como a americana pode não fazer bem ao Brasil. Talvez os EUA até suportem [polarização] porque são mais desenvolvidos. O Brasil ainda tem muitas reformas por fazer.
Como era a relação de Eduardo com Lula quando deixou o governo Dilma?
Uma relação de amizade, carinho e admiração. E ele tinha certeza que Lula ia compreender. Eduardo não tinha a obsessão de ser presidente.
Não?
Não era obsessão. Desde 2010 já havia disputas grandes entre PT e PSB. Mas não havia a certeza de que teria que ter candidatura. Se Dilma estivesse muito bem, tivesse corrigido a rota do governo dela, podia ser que a gente continuasse na aliança.
Onde você estava quando soube da tragédia?
Estava em um fórum da revista “Exame”. A gente vinha batendo na tecla de não fazer agendas frenéticas.
O sr. falou em destino para tratar da filiação de Marina ao PSB. E o acidente, era destino?
Era o destino. Temos o livre arbítrio, a capacidade de influir no nosso presente e futuro, mas não temos o controle de tudo. Em condições normais, eu estaria com Eduardo na entrevista do “Jornal Nacional” e também no voo.
Quando você pensa nisso…
Eu gostaria que ninguém estivesse naquele voo [cai no choro]. A perda de Eduardo é a perda de um amigo, de um companheiro de geração. Nós que nascemos em famílias estruturadas, sempre fomos a boas escolas e tivemos tudo. Somos de uma geração que pensava que a vida só tem sentido se for útil para o coletivo. Ele tinha essa capacidade de juntar forças para um projeto de futuro. Ele começou, Marina terminará.
O desafio era ser conhecido…
Que paradoxo. Que ironia da história. Tínhamos convicção de que, com a campanha, ele ia se tornar mais conhecido e a pessoas iam ver que ele fez um bom governo. A ironia é que ele se tornou conhecido com a morte. Mas essa morte dele, essa fatalidade do destino, vai contribuir para despertar a crença dos brasileiros de que um outro caminho é possível.
É evidente que o sr. achava que o Brasil estava preparado para um presidente como Eduardo. Mas acha que o país está preparado para Marina?
Sim. Nesses meses de convivência que tive com ela, Marina cada dia me surpreendeu para melhor. É preparada, sabe ouvir, contrariando imagens que foram criadas por gente que não a conhece. Marina vai levar adiante a aliança como ela foi feita.
Elogiava-se Eduardo por ser um grande gestor. Mas Marina é criticada nesse quesito.
Entendo que cada um tem o seu estilo, mas se Marina não tivesse capacidade de gestão ela não teria chegado tão longe. É uma personalidade internacional, tem experiência no Senado, no ministério. Marina não é uma líder fraca; é uma líder forte.
O programa muda com Marina candidata?
Não. Ele já está na reta final. As mudanças que serão feitas serão pontuais.
Ela vai mudar algo na estrutura da campanha ou vai respeitar o que Eduardo montou?
Essa aliança deu certo porque foi feita com base em um programa. Nós, os coordenadores [de Rede e PSB], nos demos muito bem.
Renata Campos, a viúva de Eduardo, vai ser ouvida na escolha para o vice?
Importantíssimo ela ser ouvida. Não só por ser a mulher dele, mas porque é uma militante política. Ela foi coordenadora de programas vitoriosos como o Mãe Coruja, premiado na ONU, tem capacidade de gestão. Ela tem uma representação simbólica do projeto inaugurado por Eduardo para o Brasil.
Ela poderia ser vice?
Ela seria uma excelente vice-presidente. Precisa ver a vontade dela. Não será fácil. Vai ter que ser mãe e pai, de cinco filhos. Mas, independente de ela assumir um lugar formal na chapa, vai se engajar na campanha.
Marina sempre deixou claro que o partido dela não era o PSB, era a Rede [ainda não criado]. E se for eleita, tudo bem se der tchau ao PSB?
Nós reconhecemos que a Rede é um partido provisoriamente dentro do nosso.
Vocês vão eleger uma presidente que não é de vocês?
Na ditadura militar, os partidos comunistas estavam dentro do MDB, por exemplo.
Mas isso é o “anti-sonho” de Campos, que queria construir um partido forte.
E estamos construindo. Agora estamos só invertendo a cabeça da chapa. Ninguém está enganando ninguém, não há adultério aí [risos].
Quem tem de ter mais medo neste momento, PT ou PSDB?
Os mais afetados são aqueles que temem a mudança. Esta eleição está em aberto. Agora, muitos brasileiros tomaram conhecimento que existe uma alternativa.
O sr. aceitaria ser vice?
Quando, lá atrás, escolhi me retirar de um mandato, fiz por opção. Meu papel é de retaguarda e estou satisfeito.
Andre B
18 de agosto de 2014 1:05 pmAlguém já ouviu algum
Alguém já ouviu algum comentário sobre isso do Ciro Gomes?
drigoeira
18 de agosto de 2014 2:25 pmA chance de Marina dar um…
Pé na bunda do PSB, se for eleita, é grande.
Isto é quase certo de acontecer.
Primeiro tem que ganhar a eleição.
Maria Silva
18 de agosto de 2014 2:29 pmA ironia é que a morte de
A ironia é que a morte de Campos, maior nome do partido, so beneficia o proprio PSB.
Maria Luisa
18 de agosto de 2014 3:58 pmA ironia disso tudo é bem triste
Pelo que estou vendo, a morte de Eduardo Campos beneficiou o campo da Marina. E a Rede, seja la que partido for esse, não tem muito a ver com o PSB de Campos. digamos que Marina vença as aleições. Haveria muita probabilidade para que um dos dois autofagiasse o outro. Mas ainda tem agua para passar sob a ponte.
Galvão
18 de agosto de 2014 6:00 pmDesenha para eu entender…
onde, e como o PSB, ganha se a Osmarina for eleita. Ela não tem nenhuma afinidade com o partido, que será devidamente descartado, após a eleição.
Galvão
18 de agosto de 2014 5:52 pmTotal falta de coerência.
Levando em consideração que o PSB era aliado do PT- nos governos Lula e Dilma, e que o afastamento deu-se por imposição da candidatura do Eduardo Campos, com a morte dele, acabou o motivo do afastamento do PSB, da aliança natural com PT. Portanto: o que se poderia esperar, por coerência de peessedebistas, é o retorno à coligação com o PT apoiando a candidata Dilma Rousseff. Não existe afinidade entre o programa do PSB com a politica sonhática da Rede. Cabe ao PSB o papel histórico de evitar a catástrofe, que seria um eventual governo Marina ou Aécio.
explicando melhor sobre o Rands
18 de agosto de 2014 6:56 pmAqui em Pernambuco o Rands
Aqui em Pernambuco o Rands saiu do pt num momento em que queria demais ser candidato petista a prefeitura da cidade do Recife, apoiado por Eduardo Campos, como não saiu e a decisão do partido foi o Humberto costa. Saiu do partido (pt) e se filia-se ao psb da qual a Renata campos, esposa do Eduardo e sua parente muito próxima. Esta história de falar em esgotamento/ renovação não é verdade.