Cesar Maia diz não temer disputa com Romário para o Senado

Enviado por Cláudio José

Do O Dia

 
Candidato ao Senado, ex-prefeito do Rio diz não temer a disputa com o ex-jogador e deputado Romário

Rio – O ex-prefeito Cesar Maia, candidato ao Senado pelo DEM com o apoio do PMDB na chapa do governador Luiz Fernando Pezão, não teme a disputa com ex-jogador e deputado Romário.“Agora a eleição não é para ponta-direita, mas para goleiro”, brinca, na entrevista que concedeu aos jornalistas Eduardo Miranda e Octávio Costa, do jornal ‘Brasil Econômico’.

Especialista em pesquisas eleitorais,Cesar Maia diz que “a oposição ainda não falou ao coração do eleitor”, referindo à falta de empatia do eleitor com os candidatos de oposição e prevê que a televisão é o único recurso para a presidenta Dilma ganhar a eleição no primeiro turno.

O risco de Dilma

A chance de ela se eleger no primeiro turno é de 10%. A avaliação da Dilma não corresponde às intenções de voto. Ela despencou em avaliação, mesmo em estados onde tem 53%. Tem uma avaliação muito pior do que se imaginaria que corresponderia às intenções de voto. Ela ganha no Nordeste e entre as pessoas de renda mais baixa por conta das políticas de governo, gostem ou não. No caso da população de renda mais baixa, ainda não há uma identificação com as alternativas. O que temos é a candidata a presidente perdendo fôlego, mas as alternativas ainda não impactaram com carisma.

A oposição nesta eleição

Os candidatos da oposição ainda não conseguiram falar ao coração do eleitor. A campanha na televisão vai começar e é um elemento de grande vantagem da presidente Dilma. E tem o João Santana, que terá 12 anos de imagens de governo Lula e Dilma. É difícil, mas eu diria que a televisão é o único recurso hoje para tentar ganhar a eleição no primeiro turno. O outro lado também está de olho nisso. Pelo fato de Dilma definhar, esperava-se que do outro lado da balança houvesse o contrapeso, mas isso não aconteceu.

Dilma e o segundo turno

A probabilidade de ela ganhar no segundo turno é a a mesma do primeiro. A distância cai tanto na disputa dela contra Aécio, quanto entre ela e Eduardo Campos. Ainda não é possível cravar quem vai para o segundo turno com a presidenta, porque o personagem Marina Silva ainda não apareceu, o eleitor ainda não sabe que existe uma dupla (Eduardo e a vice).

Dizem que no programa de televisão de Eduardo Campos ele vai aparecer sentado ao lado de Marina, conversando. Nas pesquisas, Dilma, quando aparece com Michel Temer, fica mais ou menos onde estava; Aécio com seu vice, Aloysio Nunes, cresce 2 pontos; Eduardo Campos com Marina, cresce 8 pontos. 

Como seria o senador Cesar Maia

O candidato a senador é candidato de um grupo político. Uma vez eleito, tem que incorporar um perfil suprapartidário, porque tem a obrigação constitucional de representar seu estado e os municípios. Não cabe ao senador ser porta-estandarte da oposição, a menos que haja razões específicas, como no caso de Aécio, que, candidato à Presidência, precisava buscar um espaço de diferenciação. Mas o normal é que o senador cumpra um mandato suprapartidário.

Para isso, ele deve fazer uma oposição técnica, dar argumentos sólidos para questionar medidas do Executivo, e não se envolver com o enfraquecimento do Executivo, gerar desgaste. Isso não cabe a um senador. Onde quer que eu vá, digo que conheço a Dilma há muitos anos. Ela é uma mulher correta, honesta, nenhum de nós é melhor que ela. Ela está mostrando que é uma excelente gestora para momentos de bonança. Em momentos de crise, mostrou-se incapaz de gerir.

O lastro dos presidenciáveis

No caso de Eduardo Campos, é Marina ou nada. Obrigatoriamente, ele tem que puxá-la para crescer. Ele está com 8, 9 pontos há muito tempo. Aécio não tem entusiasmo na curva de crescimento, mas tem crescido. Nessa fase final do primeiro turno, o eleitor tem que encontrar o Aécio. Quando a pessoa tem carisma, o candidato encontra o eleitor.

Nessa eleição, no boca a boca, o eleitor descobrindo o Aécio pode provocar uma angulação na curva de crescimento dele. Aécio vem numa curva sustentada de crescimento. O progresso dele pode continuar e levá-lo para acima de 25 pontos no primeiro turno. Agora, impacto mesmo, só a Marina sobre Eduardo Campos.

A Influência das manifestações do ano passado nas eleições deste ano

Já está tendo. Basta andar nas ruas para ver uma eleição fria, sem placas, bandeiras. Esses materiais estão mais na parte periférica. Nas áreas mais centrais do Brasil, o eleitor está numa eleição europeia. Se você chega como turista, não sabe que tem eleição. Não sei se é apatia ou uma vontade de não participar. Sou conhecido no Rio, faço corpo a corpo todo dia. As pessoas se aproximam, mas a gente sente. No caso do Rio de Janeiro, a panfletagem com Aécio ajuda na Zona Sul, na Barra, onde o eleitor de classe média já o escolheu.

A campanha para o senado

Vai bem, é uma campanha que tem um mês, porque antes eu era candidato a governador. Nas nossas pesquisas, o Romário abriu forte, com a Copa do Mundo, xingando a CBF, num nível de 30%, mas hoje está com 25%. Eu estou superior a 20%. Mas 42% não são de nenhum dos candidatos ao Senado. Ganho entre as mulheres; ele, entre os homens. Eu, entre os mais idosos; ele, entre os com menos de 40 anos. São dois candidatos de perfis tão diferentes que o eleitor sabe bem em quem vai votar.

Eu faço uma campanha dizendo o que é ser senador e a experiência acumulada que o cargo pede. É a casa dos sêniores, como diz a palavra. Romário foi um bom deputado. O problema é que agora a eleição não é para ponta-direita, é para goleiro. Mudaram as funções. O Senado representa estados e municípios, o deputado representa o povo.

A divisão do bloco de apoio a Aécio no Rio

O bloco mais importante de apoio à candidatura do Pezão é o “Aezão”. Mas Pezão tem sido bastante fiel à presidenta. Mas sempre deixando de fora a questão presidencial, para não causar constrangimento aos que o apoiam. Ele vai votar em quem? Ele diz que votará na Dilma, mas ficamos muito à vontade com ele. Se Aécio vem ao Rio, ele não vai. O contrário é igual. Se eu chego num lugar onde o PMDB que está com Pezão apoia a Dilma, não posso ficar afrontando. Aí, nem ele fala de candidato a presidente, nem eu.

Críticas a Sérgio Cabral

Infelizmente, a política brasileira é feita de personagens, e não de partidos. Então, quando o personagem não é candidato, fica muito mais fácil. Este é o caso do Sérgio Cabral que saiu com sacrifício, com discurso emocionado. Então, eu não tenho nenhum receio de sofrer represálias por ter feito críticas ao seu governo e viver agora uma aliança com seu apoio.

 

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2 comentários

  1.   Igual a maioria Cesar Maia

      Igual a maioria Cesar Maia seu discurso tem o viés político conservador, e na  minha opinião tem 10% de chance de vencer no senado.

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